quinta-feira, 5 de maio de 2022

“Silverton: Cerco Fechado” é uma boa produção do cinema sul-africano

 

A produção serve como vitrine não apenas do talento que precisamos ficar de olho do personagem principal que desfila questões éticas que infelizmente não saem da pauta 



Nem sempre, filmes baseados em fatos reais são instigantes e verdadeiramente tocantes. Longas biográficos, aqueles centrados em figuras emblemáticas, têm sorte ainda mais duvidosa, mas essas produções centradas em uma fatia da História, geralmente de resolução trágica, não ficam muito atrás.

Mas o Silverton: Cerco Fechado chega à Netflix acertando tanto quanto o recente Atentado ao Hotel Taj Mahal, outro longa muito eficiente no que pretende. Aqui, o resultado é ainda mais surpreendente.

Isso porque o filme não pretende apenas ler um sequestro histórico na África do Sul de 40 anos atrás. A trajetória dessa tomada de um banco em janeiro de 1980 por três membros de uma equipe rebelde ao apartheid no nascedouro já tinha contextos político-sociais; durante esse dia onde os eventos se desenrolam, essas questões vêm à tona através do líder do trio, Calvin Khumalo. O homem que tinha um plano precisa se adaptar ao precisar se refugiar nessa agência bancária, e transforma o seu entorno. O que o filme faz de inteligente é explorar esse conflito pessoal não apenas em seu protagonista, mas em cada personagem que surge em cena, dos mais centrais aos mais periféricos.


Silverton ambienta-se nos 1980 na África do Sul, quando o apartheid era uma realidade dolorida. Negros de um lado, brancos do outro. Direitos civis limitados. A tensão é crescente. E é justamente nesse contexto que entra o trio de protagonistas de Silverton: Cerco Fechado, longa-metragem que chegou no catálogo da Netflix nesta quarta-feira, 27, e que fala sobre uma história real que aconteceu na África do Sul.

Com direção de Mandla Dube (de Fogo Contra Fogo), o longa-metragem trilha um caminho em que abraça todos os clichês do cinema de assalto que já vimos por aí -- desde Um Dia de Cão, passando por O Plano Perfeito e até chegar em La Casa de Papel. Tem a relação dos sequestradores com os sequestrados que vai se desenhando, a traição e, é claro, aquela figura do policial, que fica entre bem e mal, até chegar um superior.

O diferencial em Silverton: Cerco Fechado está na potência natural da história, que é baseada em fatos. A resistência, a injustiça daquela situação, a tristeza de uma sociedade que deixou aquilo tudo chegar nesse nível assustador. Tudo isso contribui para que os clichês, ainda que um tanto batidos, se tornem mais interessantes e profundos, com significados anteriores.

As atuações também ajudam o filme a sair da mesmice, com destaque absoluto para Thabo Rametsi como Calvin. Há força e vitalidade em seu personagem, assim como uma fraqueza inesperada. Como já tinha mostrado em Fogo Contra Fogo, é um ator completo, de destaque.

Resumo da ópera: Silverton: Cerco Fechado é um filme que vale apena ser visto, até pelo momento histórico que ele aborda que o início da luta pelo fim do regime segregacionista sul-africano e das ações que resultaram na libertação do seu líder maior, Nelson Mandela.

Referência: esquinadacultura.com.br

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