quarta-feira, 23 de novembro de 2022

“Uma Leitura dos Búzios”, espetáculo inspirado em levante popular baiano, que estará em cartaz no Sesc Vila Mariana até fevereiro de 2023

Idealizado pelo Sesc São Paulo, no âmbito do Bicentenário da Independência do Brasil em 1822, “Uma Leitura dos Búzios” traz como proposta a discussão e contextualização a respeito desse movimento popular baiano

Além disso, confronta-o com o Brasil contemporâneo, por meio de temas como a independência, a democracia e as sementes e frutos da política e economia colonialista, bem como o legado delas na formação das desigualdades sociais, especialmente sobre o racismo e a manipulação da história.

“Convocados pelos ecos da história, optamos em conceber um espetáculo teatral que envolvesse e revelasse o racismo, a diversidade, outras independências. Que trouxesse o sabido e, também, o silenciado. Para tal, convidamos um trio: o diretor Marcio Meirelles, a diretora de movimentos Cristina Castro e o diretor musical João Millet Meireles. A eles se juntaram profissionais diversos, vindos por chamamentos públicos e por convites, sempre acompanhados de nossas equipes, também diversas”, comenta Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc São Paulo.

O levante iniciou com apoio das elites locais, insatisfeitas com o tratamento que a Coroa lhes dispensava. Elas viam no rompimento do pacto colonial uma possibilidade de aumentar os lucros, poder econômico e político. No entanto, essa parcela da população foi abandonando o movimento à medida que foi se popularizando e se radicalizando. Isso se deu pela participação de grupos, como os milicianos, artesãos e escravizados, que entraram com agendas e ideias como liberdade, igualdade e justiça, conferindo ao movimento contornos que poderiam pôr em xeque a manutenção de privilégios da elite.

A rebelião teve o envolvimento de nomes como o médico Cipriano Barata e o tenente Aguilar Pantoja, dentre outros que nunca foram devidamente investigados. Mas os principais representantes do movimento surgiram das camadas populares, especialmente da população negra. Destaca-se a atuação de: Lucas Dantas (soldado), Manuel Faustino (aprendiz de alfaiate), Luiz Gonzaga das Virgens (soldado), João de Deus (mestre alfaiate) e Luíz Pires (ourives), que foram presos, enforcados em praça pública e esquartejados – exceto o último, que escapou e nunca foi encontrado – como consequência da dura repressão do governo de então.

Uma releitura da chamada Conjuração Baiana, Revolta dos Alfaiates ou Revolta dos Búzios. A história vista a contrapelo neste espetáculo de teatro musical, no Bicentenário da Independência.

Direção: Marcio Meirelles.
Texto: Mônica Santana.
Direção musical: João Milet Meirelles.
Direção de Movimento: Cristina Castro.
Equipe artística: Gustavo Melo Cerqueira, Rafael Grilo, Adriana Hitomi, Grissel Piguillem.




Descobrindo o Recife antigo e suas atrações

No último mês de outubro, estive na capital pernambucana para rever parentes e amigos queridos, em uma legitima confraternização em família

Como o encontro propriamente dito aconteceu no domingo, reuni esposa, filhos e sogros e fomos ao Recife antigo, para uma viagem à cultura e gastronomia da terra de Gonzagão.

Mercado de São José

Nossa primeira parada foi no Mercado de São José, inaugurado em setembro de 1875, com sua bela arquitetura em ferro típica do século XIX. O Mercado de São José ocupa uma área coberta de 3.541 metros quadrados. 

O prédio é formado por dois pavilhões, com 377 compartimentos de diversos produtos, assim distribuídos: 27 pedras de peixe, 34 barracas internas – para vender comidas e caldo de cana – e outras 70 espalhadas pela calçada do pátio. Atualmente, são 545 boxes no total. 

Artesanato em barro, corda e palha fazem do mercado polo de atração turística. É, também, ponto tradicional do comércio de pescado onde, semanalmente são vendidos cerca de 02 toneladas do produto, entre peixe e crustáceos.

No lado externo, estão instalados cerca de 50 restaurantes simples, onde são servidos os mais diversos pratos da culinária regional. Da buchada de bode ao guisado de boi, porco e frango, passando pelo charque e peixe fritos, tudo é servido em porções generosas. Como diz o restaranter de Paulo Afonso BA, Egydio do Aconchego, lá ‘se bota comida como bota palma para boi...”. É possível pedir um guisado de frango, acompanhado por feijão, - de caldo ou tropeiro, - arroz, macarrão e salada e ainda com farinha à vontade, pagando-se inimagináveis R$ 12,00. Detalhe: ainda tem um copo de suco grátis!

Marco Zero

Uma das grandes atrações do Recife, o Marco Zero, na Praça Rio Branco, é conhecido como local de fundação da cidade do Recife e também como ponto inicial de contagem das distâncias calculadas a partir da cidade. O lugar é um dos pontos mais importantes na capital Pernambucana, pois é também uma região de forte movimento durante o Carnaval.

Não tem como visitar o marco Zero e não tirar fotos com os dois marcos (o antigo e o novo), observar a vista para o Parque de Esculturas e os edifícios do Centro Cultural da Caixa e da Associação Comercial de Pernambuco. Se estiver a fim de fazer umas compras, vale a pena visitar o novo Mercado de Artesanato, que também fica no local.

Museu do Cais do Sertão
Estando o Recife Antigo e para quem, como eu, estuda a obra de Luiz Gonzaga há mais de três décadas, impossível não andar dois quarteirões e visitar um dos mais modernos equipamentos culturais do Brasil, o Cais do Sertão, instalado no antigo Armazém 10 do Porto do Recife.

Dedicado a retratar e a festejar a cultura, a vida e a história do Sertão nordestino, o Museu Cais do Sertão homenageia a obra de um de seus maiores intérpretes, o cantor e compositor pernambucano Luís Gonzaga do Nascimento, conhecido como Rei do Baião e eleito o NORDESTINO DO SÉCULO XX.

O museu é um local de convivência, diversão e conhecimento, polo gerador de novas ideias e experiências. Abrigando e reverenciando a obra de Luiz Gonzaga, o grande homenageado do espaço. Dividido em três salões, o museu traz uma linha do tempo da vida do povo sertanejo desde a sua chegada no Sertão do São Francisco até a história recente da cidade de Petrolina.

Visitar o Recife Antigo, mesmo para quem já conhece, é sempre uma opção cultural superagradável, pela diversidade das atrações, fácil e acesso e, como estamos em época de grana curta, o fato dos preços serem bastante módicos, se torna uma atração a mais.

Euriques Carneiro (texto e fotos)


quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Sol da meia-noite | O que seria esse fenômeno?

Paisagem de tirar o fôlego
 Esse é o nome dado à ocorrência em que o Sol fica visível 24 horas por dia, durante 06 meses, nos polos da terra

 Nesse período, a estrela não se põe, apenas varia o local em que é vista, sendo que o ponto mais baixo é junto da linha do horizonte. Isso ocorre nas regiões entre os círculos polares e os polos, nos dias próximos ao início do verão de cada hemisfério - em junho no Norte e em dezembro no Sul -, devido à inclinação do globo terrestre nessas épocas.

Os desenhos à esquerda representam o Sol da meia-noite no Hemisfério Norte em diversos horários, entre 12 horas de um dia e as 8 horas do dia seguinte. Repare como a área delimitada pelo Círculo Polar Ártico fica por toda a noite iluminada pela luz do Sol, enquanto no restante da Terra a claridade varia.

A quantidade de dias com Sol da meia-noite varia conforme o local: quanto mais afastado dos polos, menor o período de duração. Os dias anteriores e posteriores ao fenômeno são chamados de noites brancas. Neles, o Sol se põe e logo nasce novamente, fazendo com que o local fique iluminado por uma suave luz.

Para os que gostam de aguardar a noite para poder observar as estrelas e a Lua no céu, já podem passar seis meses somente sob a luz do dia. Nos polos da Terra, isso realmente acontece!

Entre outubro e março, no Polo Sul, e de abril a setembro no Polo Norte, um fenômeno incrível toma conta do céu: o sol da meia-noite. Por causa da inclinação do planeta em relação ao plano de sua órbita ao redor do Sol, o movimento que o Sol faz no céu é circular, sempre próximo ao horizonte sobre os polos durante todo um semestre do ano. O dia nunca vai embora, a estrela muda apenas sua posição.

Nos meses de verão, os dias chegam a ter 24 horas de luz acima do Círculo Polar Ártico, o que permite aproveitar as paisagens ao máximo e fazer novas descobertas.

Veja alguns lugares de onde é possível assistir a esse fenômeno incrível!

1) Noruega

A Noruega é conhecida como a terra do sol da meia-noite. A melhor opção para vê-lo é ir à região norte do país. Nas Ilhas Svalbard, entre o final de abril e o final de agosto, você ainda pode se deparar com ursos polares nos passeios pelas geleiras. Já as Ilhas Lofoten, com estações do ano bem definidas, contam com o fenômeno do final de maio a meados de julho. O sol intenso e constante revela o verde das paisagens naturais, descortinando a beleza dos famosos fiordes.

2) Rússia

A antiga capital da Rússia, São Petersburgo, é uma cidade cheia de história, arte e arquitetura. Durante o verão, entre o final de junho e setembro, acontece o Festival das Noites Brancas, com performances de balés, óperas e outras performances artísticas. A cidade se prepara para receber muitos visitantes em busca do sol da meia-noite.

3) Alaska

A cidade de Fairbanks fica no interior do Alaska. O sol da meia-noite pode ser visto entre os meses de abril a agosto, mas é só em junho que a luz fica visível por 24 horas. O fenômeno é tão importante para a cidade, que é promovido o Festival do Sol da Meia-Noite, que celebra o solstício. São horas e horas de música, jogos de beisebol e golfe, apresentações culturais e muitas barraquinhas de comida.

4) Finlândia

A cidade de Rovaniemi é a capital da Lapônia Filandesa. Pela sua situação geográfica, é tida como a terra natal do Papai Noel. É uma das melhores regiões para acompanhar o sol da meia-noite. Os visitantes podem ter muitas experiências incríveis: fazer trilhas com cães da raça huskie siberiana, andar pelo lago congelado e fazer muitos cliques com um visual magnífico.

Referência: https://www.ufmg.br/espacodoconhecimento

 

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

“Uma Advogada Extraordinária” faz enorme sucesso abordando a temática do autismo


Série exibida pela sobre jovem advogada com QI alto e do espectro autista, provoca debate na Coreia do Sul sobre a “invisibilidade” de pessoas que apresentam este transtorno

Série exibida pela sobre jovem advogada com QI alto e do espectro autista, provoca debate na Coreia do Sul sobre a “invisibilidade” de pessoas que apresentam este transtorno.

Com 16 episódios, a trama segue a jornada de Woo Young-woo, advogada novata cujo autismo a ajuda a encontrar soluções brilhantes para quebra-cabeças jurídicos, mas, ao mesmo tempo, a deixa em situações de isolamento social.

Woo tem QI de 164 e se formou como a melhor aluna de sua turma em importante universidade de Seul. Ingressa num escritório de advocacia, enfrenta o preconceito de colegas, mas, com o tempo, conquista o respeito da maioria deles. 

 Com 16 episódios, a trama segue a jornada de Woo Young-woo, advogada novata cujo autismo a ajuda a encontrar soluções brilhantes para quebra-cabeças

Sem expectativa de retorno

Uma advogada extraordinária é renovada, mas não deve voltar tão cedo. A série que, é produzida pela ENA, chegou ao serviço de streaming e potencializou a produção ao redor do mundo e chegou a liderança do Top 10 no mundo todo, mas não tem previsão de nova temporada

Leopoldina MG, inaugura monumento em homenagem à princesa que empresta seu nome à cidade

 

O dia 06 de setembro marcou a inauguração na cidade de Leopoldina e faz parte das celebrações do bicentenário da Independência do Brasil


Se você vai viajar pelo belíssimo interior de Minas Gerais e no seu roteiro está previsto um passada por Leopoldina, já tem uma atração a mais para visitar. A Prefeitura de Leopoldina, na Zona da Mata mineira, inaugurou na terça-feira (6/9) um monumento em homenagem à princesa Leopoldina de Bragança e Bourbon, filha de Dom Pedro II com a esposa Teresa Cristina. A ação celebra o bicentenário da Independência do Brasil e a Semana da Pátria.

Diversas fotografias que retratam as várias fases da vida da princesa ficarão expostas no Centro Cultural Mauro de Almeida Pereira até o fim de outubro, das 9h às 18h.

A mostra ainda traça uma linha do tempo dos movimentos da Independência do Brasil. A visitação é gratuita. Logo, o público poderá conferir duas vitrines culturais: “Princesa Leopoldina” e “Independência do Brasil”.



Com nome em homenagem à avó paterna, rainha de origem austríaca, Leopoldina de Bragança e Bourbon nasceu no Palácio de São Cristóvão em 13 de julho 1847. Ela foi instruída por meio da amante de seu pai, a Condessa de Barral.

Após o casamento com o príncipe alemão Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota, Leopoldina deixou o título de princesa. Ela morreu de febre tifoide aos 23 anos, em Viena, na Áustria, em 1871.

Referência: https://www.em.com.br/app/noticia/cultura

 

 

Emanoel Araújo | Uma história de vida que é uma verdadeira lição de obstinação

A cultura está mais pobre com a partida do multifacetado artista Emanoel Araújo, fundador do Museu Afro Brasil e tido como a administrador que deu um novo significado à Pinacoteca de São Paulo

Gravurista, escultor, curador e gestor, Emanoel Araújo foi um dos homens mais influentes da cultura brasileira, partiu para outra dimensão do universo na madrugada de 08.09, em São Paulo depois de um infarto fulminante, aos 81 anos. Como gestor, Emanoel fez a Pinacoteca de São Paulo mudar de patamar e – ainda mais perto de seu coração – fundou em 2004 o Museu Afro Brasil, que debate a formação da identidade brasileira a partir do olhar e da experiência do negro. “O Museu Afro Brasil era o filho de Emanoel,” Guilherme Assis, galerista do artista, disse ao Brazil Journal. Já consagrado no País, o artista baiano estava sendo descoberto em todo o mundo. Colecionadores internacionais e museus como a Tate de Londres, o San Francisco MOMA, a LACMA de Los Angeles e o Guggenheim recentemente adquiriram obras suas, e a Jack Shainman, uma galeria nova-iorquina focada em artistas da Diáspora Africana, prepara uma exposição sua para janeiro de 2023. A morte vem num momento em que as obras de Emanoel começavam a chegar até ao mundo pop. Duas de suas esculturas apareceram ano passado junto a uma tela de Jean-Michel Basquiat num comercial da Tiffany & Co. estrelado por Beyoncé e Jay-Z. Emanoel Alves de Araújo nasceu em 15 de novembro de 1940 em Santo Amaro da Purificação. 

Conterrâneo e contemporâneo de Caetano Veloso

Segundo um amigo, sua vocação para a arte foi provavelmente influenciada pelo pai, um ourives de profissão. Aos 17 anos, Emanoel fez sua primeira exposição ao lado do amigo Caetano Veloso, que também era artista plástico naquela época. “Caetano é um exímio desenhista e sempre diz que me ensinou a desenhar e eu o ensinei a cantar,” disse certa vez numa entrevista. Emanoel começou a cursar Belas Artes na Universidade Federal da Bahia, mas, pressionado a trabalhar, não chegou a terminar o curso. Em 1963, trabalhou com Lina Bo Bardi na exposição Civilização do Nordeste, no MAM da Bahia – o que lhe abriu caminho para expor em grandes galerias do Rio e de São Paulo nos anos seguintes. No início dos anos 70, foi aos Estados Unidos a convite do Departamento de Estado e conheceu museus de arte americana e afro-americana de costa a costa. Essa viagem foi fundamental para entender melhor como os museus americanos se organizavam. Nasceu aí seu interesse pela gestão e curadoria. Em outra viagem importante – à Nigéria, nos anos 70 – teve o seguinte diálogo com Gilberto Gil, que também visitava o país. “O Gil me perguntou: ‘O que você veio fazer na África?’ Eu respondi: ‘Vim ver a África’. E ele [Gil] me disse: ‘Eu vim colher minhas raízes’. Aí respondi: ‘Você se enganou, suas raízes estão na Bahia, não aqui’. Mas o que eu queria dizer é que aquilo era tão distante da gente que o mais próximo era a Bahia. Nós não sabíamos da África, como os africanos não sabiam de nós.” De 1981 a 1983, Emanoel dirigiu o Museu de Arte da Bahia, em Salvador. “O museu estava em mau estado, a reforma durou um ano e depois de pronta eu saí. Durante esse período, fiz exposições importantes: Os 400 Anos do Mosteiro de São Bento, Escola Baiana de Pintura, África Bahia África, quando eu comecei a desenvolver essa pesquisa.” No final daquela década, concebeu A Mão Afro-Brasileira – Significado da Contribuição Artística e Histórica no MAM de São Paulo, uma exposição épica que gerou um dos livros mais importantes para a cultura brasileira. Convidado a dirigir a Pinacoteca do Estado, o mais antigo museu de São Paulo, Emanoel sofreu uma enxurrada de críticas. Pessoas públicas e até supostos amigos do artista enviaram um abaixo-assinado ao Governador Luiz Antônio Fleury, questionando, na prática, como um baiano iria dirigir a Pinacoteca. Emanoel bateu de volta: “E ainda é preto e homossexual.” A resposta calou a boca de muitos, e o indicado assumiu o cargo. Não havia tempo a perder: a Pinacoteca estava abandonada e decadente. Amigo de Paulo Mendes da Rocha, Emanoel chamou-o para pensar uma ampla reforma. Também conseguiu apoio de banqueiros e empresários para exposições importantes, como Rodin em 1995. Sua gestão de 10 anos dividiu a história da Pinacoteca em A.E. e D.E. (antes e depois dele): o museu hoje tem um projeto arquitetônico premiado e um programa artístico impecável, tocado por seus sucessores. Homem de vasta cultura e muito estudioso, Emanoel amava todos os tipos de arte e convivia com a elite política, financeira e intelectual do País. 

Era um trator que fazia as coisas acontecerem. Tinha um temperamento forte e não media palavras, o que lhe valeu a alcunha de “genial e genioso” em seu obituário. Dizia o que pensava de forma direta – e muitas vezes publicamente, como o fez em artigos polêmicos publicados em jornais. Não agradava a todos, mas era fiel às suas convicções e leal aos inúmeros amigos. A década de trabalho na Pinacoteca o consumiu; foi quando teve seu primeiro infarto. Deixou o cargo para uma cirurgia e prometeu ficar longe da vida pública – mas não cumpriu a promessa. Em 2004, a então prefeita Marta Suplicy queria criar um museu dedicado à história negra. Como Emanoel era conhecido por colecionar artistas negros dos séculos 18 a 20, seu nome era perfeito para o projeto. No mesmo ano, nascia o Museu Afro Brasil, com Emanoel doando quase 4 mil obras do seu acervo pessoal. “O Museu Afro Brasil é meu projeto de vida. É minha obrigação ideológica,” costumava dizer. Diversas vezes precisou colocar do próprio bolso para arcar com as despesas do museu. Guilherme Assis, seu galerista, disse que na última venda importante de uma obra sua para o exterior, Emanoel comemorou dizendo que usaria parte do dinheiro para a nova exposição do Museu Afro. “Ele se realizava acompanhando as visitas das escolas municipais ao museu”, disse Guilherme. O acervo do Museu Afro Brasil resgata artistas pouco conhecidos. Apesar de sua relevância para a cultura, ainda é pouco visitado – mas Emanoel estava pronto para esperar a validação da História. “Quando cheguei à Pinacoteca, a instituição já tinha completado 90 anos, e era aquele desastre, uma pocilga,” Emanoel disse certa vez, no estilo áspero que lhe era peculiar. “No segundo dia choveu, e aquilo parecia Veneza. Então, acho que preciso completar 90 anos aqui também no Museu Afro Brasil.”

Fonte: https://braziljournal.com/memoria-o-genial-e-genioso-emanoel-araujo/ 

quinta-feira, 5 de maio de 2022

“Silverton: Cerco Fechado” é uma boa produção do cinema sul-africano

 

A produção serve como vitrine não apenas do talento que precisamos ficar de olho do personagem principal que desfila questões éticas que infelizmente não saem da pauta 



Nem sempre, filmes baseados em fatos reais são instigantes e verdadeiramente tocantes. Longas biográficos, aqueles centrados em figuras emblemáticas, têm sorte ainda mais duvidosa, mas essas produções centradas em uma fatia da História, geralmente de resolução trágica, não ficam muito atrás.

Mas o Silverton: Cerco Fechado chega à Netflix acertando tanto quanto o recente Atentado ao Hotel Taj Mahal, outro longa muito eficiente no que pretende. Aqui, o resultado é ainda mais surpreendente.

Isso porque o filme não pretende apenas ler um sequestro histórico na África do Sul de 40 anos atrás. A trajetória dessa tomada de um banco em janeiro de 1980 por três membros de uma equipe rebelde ao apartheid no nascedouro já tinha contextos político-sociais; durante esse dia onde os eventos se desenrolam, essas questões vêm à tona através do líder do trio, Calvin Khumalo. O homem que tinha um plano precisa se adaptar ao precisar se refugiar nessa agência bancária, e transforma o seu entorno. O que o filme faz de inteligente é explorar esse conflito pessoal não apenas em seu protagonista, mas em cada personagem que surge em cena, dos mais centrais aos mais periféricos.


Silverton ambienta-se nos 1980 na África do Sul, quando o apartheid era uma realidade dolorida. Negros de um lado, brancos do outro. Direitos civis limitados. A tensão é crescente. E é justamente nesse contexto que entra o trio de protagonistas de Silverton: Cerco Fechado, longa-metragem que chegou no catálogo da Netflix nesta quarta-feira, 27, e que fala sobre uma história real que aconteceu na África do Sul.

Com direção de Mandla Dube (de Fogo Contra Fogo), o longa-metragem trilha um caminho em que abraça todos os clichês do cinema de assalto que já vimos por aí -- desde Um Dia de Cão, passando por O Plano Perfeito e até chegar em La Casa de Papel. Tem a relação dos sequestradores com os sequestrados que vai se desenhando, a traição e, é claro, aquela figura do policial, que fica entre bem e mal, até chegar um superior.

O diferencial em Silverton: Cerco Fechado está na potência natural da história, que é baseada em fatos. A resistência, a injustiça daquela situação, a tristeza de uma sociedade que deixou aquilo tudo chegar nesse nível assustador. Tudo isso contribui para que os clichês, ainda que um tanto batidos, se tornem mais interessantes e profundos, com significados anteriores.

As atuações também ajudam o filme a sair da mesmice, com destaque absoluto para Thabo Rametsi como Calvin. Há força e vitalidade em seu personagem, assim como uma fraqueza inesperada. Como já tinha mostrado em Fogo Contra Fogo, é um ator completo, de destaque.

Resumo da ópera: Silverton: Cerco Fechado é um filme que vale apena ser visto, até pelo momento histórico que ele aborda que o início da luta pelo fim do regime segregacionista sul-africano e das ações que resultaram na libertação do seu líder maior, Nelson Mandela.

Referência: esquinadacultura.com.br

domingo, 13 de fevereiro de 2022

Trade turístico acumula perdas superiores a R$ 400 bi na pandemia, segundo cálculos da CNC

Foi um tombo de 36,7% em 2020, mas o volume de serviços nas atividades turísticas terminou 2021 com crescimento de 21,1%

A retomada do turismo em 2021 não bastou para recuperar as perdas da pandemia. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o setor deixou de faturar R$ 214 bilhões em 2021. Do início da pandemia, em 2020, até dezembro passado, a perda é de R$ 473,7 bilhões.

Após um tombo de 36,7% em 2020, o volume de serviços nas atividades turísticas terminou 2021 com crescimento de 21,1% ante 2020, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em dezembro, o volume das atividades turísticas cresceu 3,5% ante novembro, mas o nível de atividade ainda está 11,4% abaixo de fevereiro de 2020.

Para a CNC, a recuperação completa das perdas ainda não virá em 2022. A entidade projeta crescimento de apenas 1,7% no volume de serviços prestados nas atividades turísticas este ano. Além da crise sanitária, que levou ao cancelamento de eventos, o desempenho deverá ser afetado pela conjuntura econômica.

"O quadro adverso ainda não se reverteu. Ao contrário dos demais serviços, as atividades turísticas ainda operam 'no vermelho'", aponta um trecho do relatório.

O acompanhamento da CNC toma como base o ritmo de receitas do setor em janeiro e fevereiro de 2020. O faturamento de dezembro ficou R$ 10,2 bilhões abaixo do padrão pré-pandemia. No auge das perdas, em julho de 2020, a frustração de receitas mensais foi de R$ 34,9 bilhões.

Em junho deste ano, os serviços turísticos operavam 22,8% abaixo do nível de fevereiro de 2020, no pré-covid. Mais da metade do prejuízo acumulado pelo turismo até agora ficou concentrado nos Estados de São Paulo (R$ 161,3 bilhões) e Rio de Janeiro (R$ 47,9 bilhões).

O agregado especial de atividades turísticas cresceu 11,9% em junho ante maio, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Influência da variante Ômicron

Cruzeiros suspensos, voos cancelados e pacotes de viagens postergados. Além de atrapalhar as férias dos brasileiros, o avanço da variante ômicron do coronavírus coloca novamente em xeque a recuperação do setor de turismo no país.

Depois de perderem 36% da receita em 2020, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), as empresas de turismo ganharam fôlego extra no ano passado com o avanço da vacinação. Em 2021, o faturamento chegou a crescer 22,5% com a demanda forte para o início deste ano.

2022 marca o Centenário da Semana de Arte Moderna

 Há 100 anos, artistas como a pintora Anita Malfatti e os escritores Oswald de Andrade e Mário de Andrade idealizaram o que hoje é considerado um dos momentos mais marcantes para a cultura e produção artística brasileira no século 20: a Semana de Arte Moderna


Neste domingo (13.fev.2022), o evento comemora seu centenário. Marco do modernismo no Brasil, a Semana de Arte Moderna foi realizada nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, no Theatro Municipal de São Paulo.

A Semana de Arte Moderna foi um evento artístico e cultural que ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo, entre os dias 13 a 18 de fevereiro de 1922. A proposta era apresentar uma nova estética artística para todos os campos das artes.

O evento reuniu diversas apresentações de dança, música, recital de poesias, exposição de obras - pintura e escultura - e palestras. Os artistas envolvidos propunham uma nova visão de arte, a partir de uma estética inovadora inspirada nas vanguardas europeias.


Juntos, eles buscavam uma renovação social e artística no país, evidenciada na "Semana de 22". O evento chocou parte da população e trouxe à tona uma nova visão sobre os processos artísticos, bem como a apresentação de uma arte “mais brasileira”.



Houve um rompimento com a arte acadêmica, contribuindo para uma mudança estética e para o Movimento Modernista no Brasil. Mário de Andrade foi uma das figuras centrais e principal articulador da Semana de Arte Moderna de 22. Ele esteve ao lado de outros organizadores: o escritor Oswald de Andrade e o artista plástico Di Cavalcanti.


Objetivo da Semana de Arte Moderna

O evento, que chocou grande parte da plateia presente, buscou implementar novos processos na confecção das artes e dar-lhe uma feição mais brasileira. Um dos principais objetivos era o rompimento com a estética da arte acadêmica, especialmente do parnasianismo.

A informalidade e o improviso, a liberdade de produção, tudo isso tornou-se regra da arte moderna, de modo a romper o formalismo das artes até então vigentes. a arte acadêmica;
Inaugurar o movimento modernista brasileiro inspirado nas vanguardas europeias.

Criar uma arte que fosse autenticamente brasileira;
Popularizar a arte. Além dos objetivos, algumas características definem bem o que foi apresentado na Semana de 22.

Principais características da Semana de Arte Moderna:

  • Ausência de formalismo;
  • Ruptura com o academicismo e o tradicionalismo artístico;
  • Crítica ao modelo parnasiano;
  • Influência das vanguardas artísticas europeias, sobretudo destas: futurismo, cubismo, dadaísmo, surrealismo e expressionismo;
  • Valorização da identidade e cultura brasileira;
  • Fusão de influências externas aos elementos artísticos brasileiros;
  • Experimentações estéticas;
  • Utilização da linguagem coloquial e vulgar para aproximar-se da linguagem do povo;
  • Temáticas nacionalistas e cotidianas.

A Semana de Arte Moderna e suas propostas inovadoras são frutos dos acontecimentos de seu tempo.

Contexto histórico

A Semana de Arte Moderna ocorreu no ano de 1922, ocasião do centenário da Independência do Brasil. Esta festa motivou boa parte dos artistas precursores do modernismo, que pretendiam criar essa nova figura brasileira, tiveram sua formação em universidades europeias. É através destes círculos acadêmicos que eles se inspiram nas vanguardas e buscam implementar seus princípios na arte brasileira.

Apesar de procurarem criar uma arte autenticamente brasileira, a inspiração principal de suas ideias veio da Europa, assim como no parnasianismo.