quinta-feira, 19 de agosto de 2021

O Afeganistão sob o domínio do Talibã

Depois de mais uma semana de intensos conflitos no Afeganistão, o grupo extremista Talibã iniciou uma série de ataques a diversas províncias do país, capturando todo o território afegão, culminando com a tomada da capital Cabul


Contando apenas o conflito mais recente, iniciado em 2001, a Guerra do Afeganistão durou duas décadas. As origens do conflito e o surgimento do Talibã, porém, remontam a 40 anos atrás.

Como surgiu o Talibã

O Talibã é um grupo fundamentalista que atua no Afeganistão desde os anos 1990. Com uma visão extremista da religião islâmica, a agremiação atua tanto de forma política quanto militar.

A origem do Talibã se deu após a Guerra Afegã-Soviética, que aconteceu de 1979 a 1989. Neste conflito, a União Soviética e o governo do Afeganistão, de orientação marxista e que havia chegado ao poder com um golpe de Estado em 1978, enfrentaram milícias ligadas ao Paquistão e à Arábia Saudita.

Estes grupos paramilitares, chamados mujahidins, tinham também apoio logístico e treinamento dos Estados Unidos e da Inglaterra. Esta foi uma das chamadas "guerras por procuração", comuns no embate entre Estados Unidos e União Soviética, em que os dois países nunca entravam em conflito direto.

Entre as tropas que receberam treinamento, dinheiro e armas dos Estados Unidos, estavam nomes como Mohammed Omar, Akhtar Mansour e Hibatullah Akhundzada. Os três são fundadores do Talibã, que começou como um grupo de estudos do islã ("talib", no idioma afegão).

Em 1994, Omar, com cerca de outros 50 estudantes, decidiu criar uma organização que militasse pelo endurecimento das leis no Afeganistão segundo uma interpretação extremista da Sharia, código de conduta islâmico. Com amplo apelo em escolas religiosas do Afeganistão e do Paquistão, em 1995 o Talibã já tinha cerca de 15 mil membros.

Entre os posicionamentos de Omar estavam a oposição tanto à invasão soviética, que trouxe costumes ocidentalizados ao Afeganistão, quanto às milícias que governavam partes do país após o fim do conflito. À época, diversas facções de mujahidins disputavam o vácuo de poder deixado pelos soviéticos, em uma guerra civil que durou de 1992 a 1996. Na visão do Talibã, os conflitos geravam sofrimento ao povo afegão, e aconteciam porque a população não seguia as interpretações mais rígidas da Sharia.

Para ilustrar a situação do país e tentar entender a situação do seu povo, vários foram os filmes e documentários rodados, dentre os quais destacamos:

1. 2020), Leslye Davis e Catrin Einhorn O documentário traça um estudo etnográfico sobre a masculinidade americana e o vínculo paternal desafiado por muitas gerações pelo dever de servir ao exército.

2. Missão no Mar Vermelho (2019), Gideon Raff O filme conta a história verídica de uma missão de resgate israelense nos anos 1980, a Operação Irmãos. Um grupo de agentes disfarçados do Mossad (Serviço Secreto Israelense), aluga um resort deserto no Sudão, onde canaliza refugiados judeus etíopes e os envia para barcos navais de Israel

3. Mosul (2019), Matthew Michael Carnahan A produção norte-americana e completamente em idioma árabe conta a história de um esquadrão paramilitar que atua na cidade destruída pela guerra no Iraque, Mosul. O grupo enfrenta a organização jihadista Estado Islâmico

4. A Vida Pela Notícia (2018), Hernán Zin Hernán decidiu entrevistar outros jornalistas para entender o que estava acontecendo consigo mesmo. Os relatos dos traumas sofridos por repórteres de guerras são retratados neste documentário brutal sobre aqueles que se arriscam para manter o mundo informado.

5. Cães de Guerra (2016), Todd Phillips David Packouz e História de dois amigos que vivem uma vida comum e enfrentam dificuldades financeiras, mas que conseguem fechar um acordo com o pentágono para fornecer armas e munições para aliados dos Estados Unidos no Afeganistão. Inspirado em uma história real

6. A Hora Mais Escura (2012), Kathryn Bigelow O longa-metragem retrata a caçada por Osama Bin Laden nas duas horas que antecedem sua morte. Observamos as táticas da CIA, como detalhes clínicos práticos, técnicas de vigilância para aproximar da presa e grampeamento de telefones, perseguições e satélites usados para espionar o terrorista líder do Al Qaeda, que foi o homem mais procurado do mundo após os ataques de 11 de setembro