quinta-feira, 6 de agosto de 2020

“BABE, O PORQUINHO ATRAPALHADO” | O adorável porquinho faz 25 anos


 Record TV Belém در توییتر "Nesse sábado (9), Babe — O Porquinho ...

A fazenda do Sr. Hoggett (James Cromwell, de “À Espera de um Milagre) é um lugar quase perfeito, até que nasce Babe, um leitãozinho que pensa que um cachorro e acaba inscrito no Campeonato Nacional de Cães Pastores, com um final incrível


Sucesso de bilheteira e de crítica, o divertido filme tornou-se um clássico. Foi inovador nas técnicas à volta de "animais falantes" e o seu grande coração continua a tocar pais e filhos

É um dos filmes de família mais amados e com um protagonista de quatro patas que não ladra nem mia, mas fala. “Babe, o Porquinho Atrapalhado” estreou há 25 anos e fez do suposto menos nobre dos animais um herói intemporal. Órfão e desamparado, o destino do leitão Babe cruza-se com o de um soturno fazendeiro que o leva para a fazenda onde vai conhecer outros animais, ora enternecidos ora intrigados perante a delicadeza e a inocência de um futuro... porco pastor de ovelhas. 


Ato Cinematográfico: Babe - O Porquinho Atrapalhado

Não será por acaso que tal adaptação do romance infantil de Dick King-Smith consta na lista dos "100 Filmes Mais Inspiradores de Todos os Tempos" do American Film Institute pois, depois dela nunca mais se olhou para os suínos da mesma maneira.

O fenômeno em que se tornou esta (grande) produção de George Miller, com assinatura de Chris Noonan, não era esperado. Miller, que já tinha se firmado com a trilogia Mad Max, foi quem vislumbrou no livro de King-Smith um filme com potencial de público, sem nunca colocar o cinema de animação como hipótese viável, já que, na sua interpretação da história, as personagens animais eram demasiado realistas para ficarem restritas ao universo infanto juvenil. E esse golpe de vista inicial foi decisivo para o que veio a ser a divertida aventura de Babe.

Até chegar à película, o projeto demorou sete anos a desenvolver-se, contando com o treino de mais de 900 animais de quinta, dos quais foram selecionados 500, numa produção que exigia a troca periódica do protagonista, devido ao crescimento rápido dos leitões. De resto, entre bichos treinados e réplicas, este foi um meticuloso trabalho de efeitos visuais, que não só levou Miller a pedir aconselhamento a Stanley Kubrick - o qual se mostrou bastante interessado no projeto - como culminou num Óscar arrebatado a Apollo 13, o seu concorrente mais sério nessa categoria. 


O rebanho, a matilha e o Porquinho Atrapalhado ~ Os Ecos do Tempo

Com efeito, para além da referida vitória, a saga de Babe surpreendeu ainda pelas suas sete nomeações para os Óscares, incluindo nas categorias de melhor filme, realizador e ator. Vale ressaltar que James Cromwell, no papel do fazendeiro Arthur Hoggett, é de uma simplicidade brilhante: o modo como interage com Babe, usando pouco da palavra e muito do olhar e da postura, revela um homem inserido nos gestos rurais, mas com uma sensibilidade a anos-luz da definição de "rústico". Depois de fazer o filme, Cromwell tornou-se mesmo vegetariano ético, de tal forma a experiência da rodagem o fez refletir sobre a sua relação com os animais - desde então tem sido voz ativa nas causas de proteção animal.

E não foi apenas o ator. A clara mensagem do filme, que mostra um leitão adorável a vingar no ambiente agreste de uma quinta com atitude polida e prova de sentimentos, não deixou ninguém indiferente. Isso e o facto de logo do princípio se assistir à separação de Babe da sua mãe, mandada para o matadouro (que se pensa ser o "paraíso de onde os porcos não querem voltar"), ou a conversas sobre os animais transformados em repasto dos humanos, sobretudo na época natalícia.

Referência: https://www.dn.pt/

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

“Palmeiras na Neve”, é mais um dos representantes da excelente fase do cinema espanhol


Filme Sistêmico "Palmeiras na Neve" - Diversos olhares sobre os ...
Já falei aqui no Artecultural sobre a ótima safra de filmes espanhóis, com direções seguras e elencos muito bem qualificados e o longa, -literalmente, - "Palmeiras na Neve", de 2015, só reforça essa constatação
Desde 1926, a ilha de Fernando Poo (hoje Bioko) fazia parte da Guiné Espanhola. A posse pela Espanha foi a partir de 1778 até a independência do país, proclamada em 1968. A escalada gradual de tensão e violência desses anos foi um episódio complexo do passado. Palmeiras na Neve mostra um lado no período de transição das colônias para a independência definitiva. No presente, Bioko é um país ferido depois de anos de instabilidade, ditaduras, desaparecimentos, tortura e falta de liberdade. 
O Filme Palmeiras na Neve é um longa, que traz diversos olhares sobre os sistemas familiares. Nele percebemos o quanto histórias de abusos, segredos, amores proibidos, doenças na família podem fazer parte do dia a dia das pessoas atualmente, e que herdamos, em nossa memória emocional de nossos antepassados, padrões que muitas vezes não percebemos por não conhecermos essas histórias. 
Abuso de poder
Palmeiras na Neve / Palmeras en la nieve (2015) - filmSPOT

Uma questão abordada no filme são as ocorrências de abuso, ativo ou passivo, com as mulheres. Algumas se prostituem para sobrevivência, como um único meio de seguir a vida e outras são violentadas sem alguma forma de defesa. E mesmo assim, com destinos tão difíceis, essas mulheres passaram a vida para frente.

Como não poderia ser diferente, o abuso de poder, - notadamente o econômico, - também é visto, e serve para que possamos perceber que talvez nós estamos expostos no dia a dia a esse mesmo padrão sem se dar conta de onde ele veio.

O personagem central da produção é Kilian que, após muitos anos, desenvolve Alzheimer, um reflexo de querer o passado e se desconectar com o presente. No filme, fica muito clara essa desconexão. Enfim, diversos pontos que podem ser percebidos, uma linda história vivida, muito em meio aos irmãos e a família, que apesar de suas diferenças o amor sempre está acima dos julgamentos e nos mostra que a vida é que nos conduz ao que nos é possível e não ao que queremos.

Como a narrativa se dá em três épocas distintas, necessários e faz que o espectador se mantenha permanentemente ligado nas mais de 2,4 horas de exibição, para não perder o fio da meada e extrair o que há de melhor do filme.

Ficha técnica: