quinta-feira, 16 de julho de 2020

Sem os shows ao vivo, as lives transformam a indústria da música no período de isolamento


Live Ivete Sangalo | Arraiá da Veveta #ArraiaDaVeveta - YouTube
Desde artistas que tocam em barzinhos até grandes nomes da indústria musical aderiram aos vídeos intimistas gravados em casa transformando-os em enormes produções com muito lucro envolvido


Nesse período de isolamento social, quase todos os brasileiros já viram alguma transmissão ao vivo – as chamadas lives – de algum cantor que você gosta nos últimos dias. Desde o início das medidas de distanciamento social decorrente da pandemia do novo Corona vírus, em meados de março, muitos artistas nacionais e internacionais começaram a usar suas redes sociais para fazer shows dentro de suas casas.

À medida em que o mundo se ajusta à nova realidade em quarentena, o cancelamento de turnês, festivais, viagens promocionais e gravações em estúdio vem se tornando cada vez mais recorrente. Segundo pesquisa realizada em março pelo Data SIM, mais de 8 mil apresentações foram canceladas ou remarcadas no Brasil em 2020. É seguro dizer que o impacto da pandemia na indústria musical foi avassalador não só para o público, como para artistas e produtores do ramo. 

Paul McCartney Freshen Up in France 2020 - YouTube

Apesar de estádios e casas de shows estarem vazios, o isolamento social inspirou um novo jeito do público se conectar ao seu artista preferido: live stream. O que começou como uma proposta despojada para entreter os fãs, em pouco tempo transformou-se em grandes eventos patrocinados. A pandemia pode ter fechado as coxias para artistas de todo o mundo, de Zezo Potiguar a Paul McCartney, mas a música continua para aqueles que têm acesso a um computador ou smartphone.

Apesar do sucesso, nem todo mundo virou fã da proposta. Matty Healy, vocalista da banda The 1975, recentemente foi alvo de críticas por postar na rede social Twitter um comentário (tweet) que parecia zombar desse tipo de iniciativa. O tweet, já deletado, dizia: “Pare de dizer às pessoas para apoiar você, nós não queremos seu pacote de EP e zine agora, Laura, nós vamos morrer [sic]”.

Posteriormente justificado como uma piada, o tweet despertou uma série de críticas sobre a posição financeira privilegiada de artistas maiores como The 1975 em meio à pandemia. Embora esses músicos também sejam afetados, para artistas menores, cujo meio de vida depende de turnês e que não têm grandes economias ou outras receitas com as quais recorrer, é essencial descobrir uma maneira de lucrar com suas performances, durante o isolamento

Um novo modelo de negócio
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Enquanto a maioria dos shows é oferecida gratuitamente ou a partir de doações, teme-se a desvalorização do trabalho do artista no momento em que performa sem remuneração em redes sociais. A tendência é que essa iniciativa abra caminho para um novo modelo de negócio.

Com patrocínio de marcas de bebida e recordes de audiência no Youtube, as super lives brasileiras apostam em uma produção sofisticada, com direito à equipe de filmagem, cenografia e iluminação. Segundo informações, o sertanejo Gustavo Lima, pioneiro na categoria, arrecadou em poucas horas mais de R$ 500 mil em dinheiro e suprimentos para o combate ao Corona vírus. 

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Mas há quem cobre pelo acesso. A dupla Anavitoria anunciou, no último dia 22, um pacote de lives com ingressos a R$ 95. A arrecadação viabilizaria o pagamento dos profissionais envolvidos na turnê “O Tempo É Agora”. Apesar da boa intenção, a proposta não agradou aos fãs. E é provável que a modalidade com cobrança de ingresso para apresentações virtuais não tenha adesão mesmo entre os fãs mais ardorosos da atração.

Pode levar algum tempo até que a indústria volte a entregar música ao vivo como era antes, e um tempo ainda maior para que nos adaptemos a essa nova experiência de entretenimento, mas uma coisa é certa: após a pandemia e o consequente isolamento social, estaremos diante de uma nova era para o consumo de música.


Referência:
http://portaldonic.com.br/


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