quarta-feira, 8 de julho de 2020

Nina Simone: a cantora que foi um marco na luta por direitos civis e que foi homenageada por Guardiola


O que aconteceu à Miss Nina Simone? | Preta, Nerd & Burning Hell
Nina Simone foi uma das maiores vozes do movimento dos direitos civis nos Estados Unidos nos anos 60, que ficou conhecida como a Alta Sacerdotisa do Soul pelas suas performances eletrizantes e magnéticas

Foi uma valorosa lutadora dos direitos civis do povo negro americano. Teve uma obra vasta, eclética e influente, navegando com facilidade por inúmeros gêneros como o blues, jazz, folk, gospel, soul, música clássica e música pop. Nina Simone morreu em 21 de abril de 2003 aos 70 anos.

Infância pobre

Ela nasceu em 1933 na cidade de Tryon, Carolina do Norte, com o nome de Eunice Kathleen Waymon. Começou a aprender a tocar o piano com três ou quatro anos, demonstrando um talento natural para o instrumento. Costumava cantar no coro da sua igreja. Seu primeiro concerto erudito aconteceu quando ela tinha 11 anos. Nina Simone contou que durante esta apresentação, os seus pais, que estavam sentados na primeira fileira, foram obrigados a se levantarem e se sentarem no fundo da sala, para dar lugar a uma família de pessoas brancas que Nina nunca havia visto antes. Ela se recusou a continuar se seus pais não voltassem para a frente. Eles voltaram a seus lugares, mas se sentindo envergonhados.

O início da carreira
UNESCO - As the great Nina Simone said, “Jazz is not just ...

Para poder pagar por suas aulas começou a se apresentar em um clube, o Midtown Bar & Grill na Pacific Avenue em Atlantic City, Nova Jersey, cujo dono insistiu que ela cantasse, além de tocar o piano. Foi com as apresentações no bar que Nina expandiu seu vocabulário além da música clássica. Para agradar ao público ela começou a tocar e a improvisar sobre canções populares, criando um som bem próprio.

Em 1954 adotou o nome artístico de Nina Simone. Nina veio da palavra niña, um apelido que ela ganhou do namorado Chico e Simone veio da atriz francesa Simone Signoret, que ela viu no filme “Casque d’Or” de 1952. O pseudônimo foi criado porque Nina sabia que sua mãe evangélica não iria aprovar que a filha cantasse a “música do diabo”. Em pouco tempo ela criou uma base de fãs com sua mistura de música clássica, blues e jazz.

Ativismo político
Liberdade é não ter medo! Se Nina Simone... - UNE - União Nacional ...

1963 foi um ano chave para Nina Simone. Em 12 de junho houve o assassinato do ativista negro Medgar Evers. Em 15 de setembro Nina soube que quatro jovens garotas afro americanas haviam morrido quando alguém jogou dinamite na Igreja Batista da 16th Street em Birmingham, Alabama. As crianças estavam lá estudando a Bíblia. A comunidade negra se revoltou e saiu às ruas e à noite a polícia local acabou matando mais outros dois jovens negros.

Imediatamente após ouvir estes relatos Nina escreveu a canção “Mississippi Goddam”. Essa música foi composta por Nina em menos de uma hora, num acesso de fúria e determinação. Segunda a cantora foi a sua primeira canção voltada aos direitos civis.

A letra da música denuncia a inutilidade da ideia de que os negros deveriam aguardar passivamente até que as relações entre negros e brancos se equilibrassem naturalmente.

“Tudo o que quero é igualdade
Para a minha irmã, meu irmão, meu povo e para mim.
Sim, você mentiu para mim por todos estes anos
Você me disse para lavar e limpar meus ouvidos
E falar de maneira fina, como uma verdadeira dama
E você pararia de me chamar de irmã Sadie,

Mas o país inteiro está cheio de mentiras
Todos vocês vão morrer e morrer como moscas
Eu não acredito em mais ninguém
Vocês continuam dizendo: “vai devagar”.”


“Mississippi Goddam” foi a música que encerrava o LP “Nina Simone In Concert”, lançado em 1964, seu primeiro disco pela gravadora Philips. Outras músicas do disco que sustentavam este tom político eram “Pirate Jenny”, de Kurt Weill e Bertold Brecht, da ópera “Ópera dos Três Vinténs” e “Old Jim Crow”, que criticava as antigas leis de segregação racial dos estados do Sul dos Estados Unidos.

Anos 70 e 80

Os anos 70 coincidiram com o início de uma série de problemas financeiros e mesmo de ameaça de prisão (por falta de pagamentos de impostos como protesto contra o envolvimento do país na Guerra do Vietnã). Com os problemas econômicos vieram também os problemas psicológicos que afastaram até sua filha, Lisa, que foi morar com o pai.

Com a morte de seu pai, John Devan, os problemas com o fisco e mais a percepção que as gravadoras não tinham mais interesse em seu trabalho Nina resolveu deixar definitivamente os Estados Unidos. Com isso ela se tornou uma nômade, morando em inúmeros locais na Europa e África. Sua primeira parada foi na Libéria em 1972, convencida por sua amiga Miriam Makeba. Depois morou na Suíça, Holanda e França.

Em 1987 sua gravação de “My Baby Just Cares For Me” (gravada em 1959) foi usada em um comercial de perfume e se tornou um grande sucesso. Isso marcou uma volta do interesse do público em Nina, ocasionando uma grande procura por seus álbuns antigos.

Em 1992 publicou sua autobiografia, “I Put a Spell On You”, escrita em conjunto com Stephen Cleary. No ano seguinte lançou o seu último álbum de estúdio, “A Single Woman”.

Em 1995 Nina estava novamente nos noticiários depois que ela disparou uma arma em um dos seus vizinhos durante uma discussão. Ela foi diagnosticada com desordem bipolar, o que explicaria muito do comportamento errático dos seus últimos anos. Continuou se apresentando até 2002 quando descobriu que tinha câncer de mama.

Em vida Nina lançou mais de 50 álbuns, inúmeras coletâneas e singles. Ela perdeu a luta contra o câncer em 21 de abril de 2003 em Carry-le-Rouet, França. Suas cinzas foram espalhadas em vários países africanos.

Homenagem de Pepe Guardiola
Nina Simone: Quem é cantora homenageada por Guardiola contra ...

O ex-jogador e técnico Josep Guardiola, do Manchester City, nunca escondeu suas manifestações contra o racismo: Pep sempre aparece como um dos apoiadores do movimento Black Lives Matter. Mas uma imagem do espanhol ganhou destaque no último dia 07, muito pela camiseta que usava. "Love Simone, Hate Fascism" ("ame Simone, odeie fascismo").

“Escolhi refletir o tempo e as situações em que me encontro. Como ser artista e não refletir a época? ”

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