quarta-feira, 29 de julho de 2020

O controle da natalidade já era discutido por pensadores como Aristóteles e Hipócrates


Como as prostitutas da Idade Média se cuidavam para não engravidar ...
O tema continua causando acaloradas discussões e é algo polêmico atualmente, mas a questão da contracepção já era um tema debatido desde o auge da filosofia grega

Na contemporaneidade, o mundo discute a questão da miséria e da pobreza e, para alguns especialistas, a fome e os problemas de saúde que afetam várias nações estão intimamente ligados ao controle de natalidade. Apesar da relevância deste assunto em pleno século XXI, podemos observar que a concepção da vida é uma preocupação bastante antiga na História.

Em sua afamada obra A Política, Aristóteles já sugeria que todos os casais deveriam ter um limite máximo de filhos e que, quando necessário, a mulher deveria abortar. Em contrapartida, Hipócrates, considerado o Pai da Medicina, refutava essa mesma prática por conta dos riscos que ela oferece à saúde da mulher. Sob o ponto de vista moral, Plínio, o Velho, acreditava que o aborto era uma prática que inferiorizava os homens.

Para Sorano de Éfeso, o aborto deveria ser permitido toda vez que a gravidez representasse algum risco de vida à mãe. Contudo, essa escolha estava sempre vinculada ao poder de decisão do marido, interessado maior em obter um herdeiro para que administrasse suas posses e riquezas. Em certa medida, a recriminação masculina do aborto esteve vinculada a questões de ordem política e econômica.

“Chute no ventre”
Desenvolvimento do bebê - 33 semanas de gestação - Tua Saúde
Já nessa época, corria uma discussão paralela que pensava se o aborto envolvia ou não a extinção de um ser vivo. Baseado nas reflexões aristotélicas, o filósofo Santo Agostinho acreditava que um feto só poderia ser reconhecido como humano após 40 ou 80 dias do primeiro chute no ventre. Quando o aborto ocorria antes desse prazo, deixava de ser encarado como homicídio para ser julgado como crime de importância menor.

Entre os séculos XIX e XX, o aborto foi visto como um verdadeiro atentado contra os projetos de natureza nacionalista. Visto como um “dom natural”, a mulher deveria se entregar inteiramente à maternidade. Isso porque cada um de seus filhos teria a importante missão de trabalhar, lutar ou contribuir para o triunfo da nação. Dessa forma, o aborto era visto como um atentado contra o desenvolvimento nacional.

Mesmo com a reprimenda do Estado e dos membros eclesiásticos, o aborto sempre teve uma presença relevante nas mais diferentes sociedades.

Métodos contraceptivos
A evolução dos contraceptivos em imagens
Não por acaso, os métodos contraceptivos mais peculiares eram recomendados. No século II, Sorano aconselhava que a mulher contraísse o abdômen e retivesse a respiração para que o sêmen não atingisse o fundo do útero. Base científica, zero. 

Entre os romanos, havia a ingestão de soluções de água, sal e vinagre. Ao longo do tempo, receitas com ervas, cremes e óleos vaginais, pessários, integravam uma infinita farmacopeia contraceptiva. Em contrapartida, vários governos criminalizaram a prática alegando o prejuízo moral e religioso que se atrelava ao aborto. Em muitos casos, o Estado determinava que o combate ao aborto integrasse suas funções políticas de garantir a vida de seus cidadãos.

Na década de 1960, a invenção do anticoncepcional e a ascensão do movimento feminista configuraram uma nova situação para o tema. A partir de então, religiosos e governantes salientaram os riscos que a prática abortiva ofereceria à mulher. Por fim, ainda sabemos que o assunto está longe de chegar a uma conclusão. O reconhecimento da vida e a autonomia da mulher são questões que nunca chegarão a um consenso.

Conceito da Cidade Medieval e sua relação com a zona rural


Os melhores hotéis em Cidade Medieval de Carcassonne, Carcassonne ...
A cidade medieval foi marcada pelo seu esvaziamento após a desagregação do Império Romano, teve um renascimento após o século XI e sofreu novo esvaziamento após a Peste Negra

A Idade Média é um período da história que cronologicamente foi iniciado em 476, quando degringolou o Império Romano e finalizado em 1453, com a queda de Constantinopla. Esse período ficou muito caracterizado pela existência do feudalismo em certas localidades da Europa, além de uma forte influência da Igreja Católica sobre o cotidiano das pessoas.

Esvaziamento das cidades
Carcassone e sua Cidade Medieval – uma das mais conservadas de ...
Por ser um período muito longo da história humana, o conceito de cidade medieval muda de acordo com o período abordado. Com a desagregação do Império Romano e consequente início da Idade Média, as cidades da Europa Ocidental passaram por um período de esvaziamento, no qual ocorreu uma migração da população dos centros urbanos para a zona rural.

O esvaziamento das cidades resultou da desagregação do Império Romano, pois as zonas produtoras do império foram atacadas pelos povos germânicos em migração. Isso causou uma diminuição da produção, afetando o abastecimento das cidades e gerando fome. Além disso, as grandes cidades tornaram-se alvos desses povos germânicos interessados no saque.

Migração reversa
Como era o urbanismo das cidades europeias durante o período medieval
Assim, a população urbana migrou para a zona rural para estar próxima das zonas produtoras de alimento e abastecimento e para fugir do saque e da violência trazidos pelos povos germânicos. Essa transição iniciou o processo de formação dos feudos medievais. Uma característica forte desse período foi a quase inexistência de comércio e circulação de moeda. O pouco comércio que existia, geralmente, acontecia entre feudos vizinhos e era realizado na base do escambo (troca), sem a circulação de papel moeda.

Renascimento Urbano

O renascimento urbano ocorreu em virtude de inovações técnicas implantadas na agricultura a partir do século XI. Entre essas inovações, podemos citar a rotação dos solos cultivados e o arroteamento (preparação do solo), que permitiu ampliar os campos cultivados. Com isso, houve um aumento na produção agrícola e um aumento populacional.

O aumento na produção criou um excedente agrícola que fomentou o comércio. As cidades ressurgiram a partir de um fluxo migratório de pessoas que procuravam sair da servidão do feudo para buscar novos ofícios na cidade. Entretanto, o mundo medieval ainda permaneceu essencialmente agrário. O historiador Franco Hilário Júnior afirma que, durante o século XIII, cerca de 20% da população medieval vivia nas cidades

O renascimento da cidade medieval também resultou em uma transição de poder. Os bispos, - olha o poder da igreja aí, - e uma parte da nobreza que exerciam o poder foram gradativamente substituídos pela classe em ascensão de burgueses, que surgiram a partir do crescimento do comércio e do estabelecimento deste nas cidades (burgos).

No século XIII, já estavam estabelecidas grandes cidades em várias partes da Europa ocidental. Sobre o tamanho das cidades medievais durante o século XIII, o historiador francês Jacques Le Goff afirma que:

                     "Uma cidade importante no Ocidente tinha de 10.000 a 20.000 habitantes. Palermo e Barcelona sobressaíam do comum, com cerca de 50.000 habitantes. Londres, Gand e Genôva e, em território muçulmano, Córdoba, com cerca de 60.000 habitantes. Bolonha tinha sem dúvida entre 60.000 e 70.000 habitantes, Milão, 75.000. Só Florença e Veneza atingiam e, talvez, ultrapassavam 100.000 habitantes; e a maior cidade incontestavelmente Paris, pois foi demonstrado que ela continha, sem dúvida, 200.000 habitantes por volta do ano 1300."

O renascimento urbano e o crescimento populacional, porém, sofreram forte impacto com a chamada crise do século XIV, em que o avanço da peste bubônica, chamada de peste negra dizimou parte considerável da população de maneira fulminante. O avanço da doença ocorreu por meio das pulgas presentes em ratos e matou pelo menos um terço da população na Europa ocidental. 

Descoberto lugar representado no último quadro de Van Gogh


Quadro em tela Tree roots - Vincent van Gogh - Reproduções

Segundo estudos, cenário de uma encosta francesa representado na obra Tree Roots poderá ter sido pintada horas antes da morte do artista

O lugar exato de onde é provável que que Vincent van Gogh tenha pintado a sua última obra, Tree Roots, possivelmente algumas horas antes de morrer, foi descoberta com a ajuda de um cartão postal, escreve o The Guardian.

A cena de Tree Roots, uma pintura de troncos e raízes que crescem numa encosta perto da vila francesa de Auvers-sur-Oise, perto de Paris, foi vista pela primeira vez num cartão de 1900 a 1910 por Wouter van der Veen, diretor científico do Instituto Van Gogh.

Após um estudo comparativo da pintura, do cartão postal e da condição atual da encosta, os investigadores do Museu Van Gogh e Bert Maes, um especialista em vegetação histórica, concluíram que era "altamente plausível" que o local onde Van Gogh fez suas pinceladas finais tivesse sido descoberto.

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Daily uk news Exact spot where Van Gogh 'painted his final ...
O tronco principal da pintura sobreviveu 130 anos desde a morte do mestre holandês. Há muito que se acredita que Van Gogh estava a trabalhar em Tree Roots pouco antes de acabar com a própria vida com um tiro no peito.

Andries Bonger, cunhado do irmão de Van Gogh, Theo, havia descrito numa carta que na "manhã antes da morte dele", Van Gogh, "pintou uma sous-bois [cena da floresta], cheia de sol e vida".

O local, colocado atrás de uma estrutura de madeira para sua proteção, foi formalmente reconhecido numa cerimónia com a presença de Emilie Gordenker, diretora geral do Museu Van Gogh em Amsterdã, e Willem van Gogh, bisneto do irmão de Vincent, Theo, na terça-feira.

Van der Veen disse que "a luz do sol pintada por Van Gogh indica que as últimas pinceladas foram pintadas ao final da tarde, o que fornece mais informações sobre o curso desse dia dramático que termina com o seu suicídio".

Teio Meedendorp, investigador do Museu Van Gogh, disse que o local, a cerca de 150 metros do Auberge Ravoux, a pousada em Auvers-sur-Oise onde Van Gogh ficou nos últimos 70 dias de vida, provavelmente teria passado sido visitado em várias ocasiões pelo artista antes de decidir imortalizá-lo na tela.

"O crescimento excessivo do cartão postal mostra semelhanças muito claras com a forma das raízes na pintura de Van Gogh", disse ele. "O fato de esta ser a sua última obra de arte torna tudo mais excecional e até dramático. Ele deve ter passado pelo local ao ir para os campos que se estendem atrás do castelo de Auvers, onde pintou várias vezes durante a última semana da sua vida e onde colocaria fim à própria vida. "
Fonte: https://www.dn.pt/

domingo, 26 de julho de 2020

Bangkok sedia um templo budista repleto de estátuas que têm a ver com a religião


O jovem Beckham dourado, no templo budista (Fonte: Instagram/Reprodução)
O que personagens de histórias em quadrinhos e famosos como David Beckham fazem em um templo budista? tem algo a ver com a fé professada ou a intenção é atrair visitantes? 

São várias imagens inusitadas que compõem parte do templo Wat Pariwat, em Bangkok, capital da Tailândia. Mas isso não quer dizer que esse é um local de culto ao jogador inglês. Na verdade, o templo é budista mesmo. O Beckham dourado é apenas uma entre a infinidade de estátuas inusitadas do local, que homenageiam ícones da cultura popular.

Antes de vermos as fotos, vale observar que há algumas teorias para a presença dessas personalidades em um templo budista: uns dizem que são símbolos de bondade, que ajudariam a proteger os budistas, mas há quem simplesmente ache que a combinação de estátuas inusitadas servem mesmo é para atrair turistas. Vamos às imagens!

Fonte: Instagram/Reprodução Pinóquio posando ao lado do Mickey Mouse

Fonte: Instagram/ReproduçãoSuperman está segurando o que mesmo?

Fonte: Instagram/ReproduçãoO Batman está presente, mas sem o Robin!

Fonte: Instagram/ReproduçãoAlguém pode conseguir uma lata de espinafre para o Popeye?

Instagram/ReproduçãoMas há espaço para a ciência: olha o Einstein marcando presença!

Exemplos das piores e mais desumanas penitenciárias do planeta


Como são algumas celas de prisões ao redor do mundo - Segredos do ...
Em todos os relatos, são ressaltadas as condições sub-humanas com as quais os detentos são tratados e onde os direitos humanos solenemente ignorados, até mesmo em países que compõem o bloco dos desenvolvidos


Os sistemas prisionais surgiram assim que a humanidade começou a se reunir em sociedades. Dentro delas, sempre houve a necessidade de se isolar certos indivíduos que, por algum motivo, eram deslocados do convívio social saudável. No mundo moderno, o sistema prisional tem a função, pelo menos na teoria, de readaptar uma pessoa para que seja possível reinseri-la na estrutura coletiva.

Porém, não é bem isso que encontramos em certas penitenciárias espalhadas pelo globo. Em vez de uma estrutura que tenha a função de reeducadora social, temos verdadeiros infernos da Terra. Locais onde os criminosos e marginalizados não têm a menor chance de redenção e apenas pagam por todos os seus pecados em vida, seja pela ação truculenta da polícia, pelo descaso dos governantes ou pelo comportamento caótico dos próprios presos.

Estando em lugares isolados e esquecidos do mundo ou em grandes cidades como Nova York, as aterrorizantes penitenciárias são culpadas por milhares de mortes e se apresentam como um desserviço para a humanidade.

Vejamos alguns exemplos das piores prisões do mundo: 

Campo 22, Coreia do Norte

Apesar de não se saber muito sobre essa prisão por causa do isolamento político da Coreia do Norte, o Campo 22 é um presídio político que funciona desde 1965 com espaço para cerca de 50 mil pessoas.

Os poucos relatos que se tem sobre esse presídio são tenebrosos: criminosos tinham seus parentes e descendentes presos também para que sua linhagem familiar desaparecesse da existência. Também se acredita que os prisioneiros sejam alvo de experimentos médicos e testes com armas químicas e biológicas. 

Prisão ADX Florence Supermax, Florence, EUA

A prisão de segurança máxima localizada no estado americano do Colorado impede que seus prisioneiros tenham contato um com o outro, isolando-os quase por completo até mesmo do contato com guardas. Eles são mantidos nas celas durante 23 horas do dia, com apenas 1 hora de área externa e nenhum tipo de acesso de luz solar no espaço de confinamento. 

Prisão de Petak, Rússia

A prisão mais isolada da Rússia fica em uma ilha no meio de um lago que fica no meio do nada. Os prisioneiros passam 22 horas do dia em suas celas e não têm contato regular com outras pessoas. Visitas de fora só são permitidas duas vezes por ano. O presídio possui condições precárias de higiene e instalações que não fornecem nenhum conforto para os presos, que precisam suportar o frio extremo e a neve durante a maior parte do ano.
Prisão da Ilha de Rikers, Nova York, Estados Unidos

O principal complexo prisional de Nova York fica em uma ilha em pleno East River, logo acima do bairro conhecido como Bronx. É famoso pelos maus-tratos recebidos por seus prisioneiros e pela violência entre eles, resultante dessa prática. A quantidade enorme de assassinatos que aconteciam lá dentro fez com que esse presídio se tornasse um dos mais rígidos do mundo no trato com os encarcerados.
Prisão de Bang Kwang, Bangkok, Tailândia

A uma distância de 11 km da capital da Tailândia, essa prisão é famosa pela tortura regular sofrida pelos presidiários. Nos primeiros três meses lá dentro, o condenado é obrigado a usar grilhões nas pernas e espremido em celas minúsculas com muito mais gente do que o humanamente aceitável.

Além disso, os condenados à morte não fazem ideia de quando serão executados e são avisados apenas pouquíssimo tempo antes da hora fatídica, assim como aconteceu com os brasileiros executados na Indonésia recentemente. 

Prisão de Diyarbakir, Turquia 


Mais um lugar infernal onde os direitos humanos são esquecidos completamente. O passado obscuro dessa prisão tem histórias até de crianças presas e obrigadas a realizarem trabalhos forçados por toda a vida. Em um incidente extremamente violento, guardas espancaram até a morte 10 prisioneiros. Além disso, são abundantes os relatos de abusos físicos e psicológicos, como torturas e estupros. 

Prisão de Gitarama, Ruanda

Construído para conter em torno de 500 pessoas, esse presídio já chegou a encarcerar 6 mil presos nas condições mais absurdas possíveis. Como não havia espaço, os detentos tinham que dormir em pé, o que causava necroses severas em seus pés. As condições de higiene também eram terríveis, obrigando os prisioneiros a viverem em meio a seus próprios dejetos, o que causava doenças de todos os tipos, desde diarreia até a inflamação de membros que tinham que ser amputados. 

Prisão de Gldani, Tbilisi, Georgia

A Geórgia é um dos países com as menores taxas de criminalidade da Europa, porém, a prisão de Gldani está longe de ser considerada um bom exemplo. Em 2012 vieram à tona denúncias, por meio de um guarda que trabalhou lá, de torturas, abusos físicos e psicológicos e humilhações sexuais contra os prisioneiros. O escândalo tomou proporções enormes no país, influenciando inclusive na corrida eleitoral para a presidência do país.
Fonte: https://www.megacurioso.com.br/


quarta-feira, 22 de julho de 2020

A Propósito de Nada | Lançado o livro de memórias de Woody Allen


Livro de memórias de Woody Allen é publicado nos EUA - Carta Maior

É impossível ler a autobiografia de Woody Allen sem se imaginar que se está a ver um filme do próprio, tantas são as personagens manhosas, situações irreais e muita ironia

No início deste mês de julho, a editora Hachette Book Group anunciou que publicaria a autobiografia de Woody Allen, A propos of Nothing. Naqueles tempos longínquos, em que as pessoas pensavam em outros temas e não no Corona vírus, o anúncio provocou alvoroço.

O jornalista Ronan Farrow, filho de Allen e de quem o cineasta está afastado, criticou a decisão e disse que encerraria seu relacionamento com a editora com a qual publicou livro de sua autoria. Funcionários da Hachette promoveram uma manifestação contra a publicação do trabalho de Allen, saindo em protesto dos escritórios da empresa em Nova York e Boston. A editora levou apenas alguns dias para ceder à pressão.

“Depois de ouvir, chegamos à conclusão que seguir adiante com a publicação não seria viável para a HBG”, disse a editora através de porta-voz.

Note-se com que frequência hoje em dia a cultura do cancelamento é efetuada usando a linguagem suave da “escuta”. Note-se outra coisa também: o livro foi desancado apesar de quase ninguém tê-lo lido; certamente não os seus críticos mais acirrados.

“Sentenciar primeiro, anunciar o veredicto depois” deveria ser o tipo de coisa que ocorre em Alice no País das Maravilhas, e não o que parece ser um julgamento literário nos Estados Unidos.

Meu próprio viés é fortemente favorável à publicação, tanto por questão de princípio quanto de interesse público. Para que fique claro: Woody Allen é meu conhecido superficial; não somos amigos, mas temos amigos em comum. Para que fique claro também: sou membro do júri que concedeu um prêmio de jornalismo a Ronan Farrow por sua investigação sobre Harvey Weinstein.

As opiniões divergem e nem sempre os críticos não têm razão, pois a opinião de muitos leitores é que se trata de um livro muito bom, com boa escrita de Allen e há humor em quase todas as páginas.

Woody Allen é uma presença criativa importante no palco das artes americanas há 60 anos, de modo que seu elenco de personagens é grande. O segundo plano é povoado por gente como Ed Sullivan, Dick Cavett, Johnny Carson, Pauline Kael, Scarlett Johansson e Timothée Chalamet. O primeiro plano conta com Louise Lasser, Diane Keaton e Mia Farrow.

A história de como Allen fez sucesso nos anos 1950 e 1960 foi, em sua maior parte, uma novidade para mim. Interessantíssima.

Igualmente fascinantes foram detalhes sobre filmes que continuam a representar marcos culturais para milhões de pessoas, de Bananas e Annie Hall até Maridos e Esposas e Ponto Final – Match Point.

Mesmo assim, o mais interessante no livro é o relato que Allen faz do seu relacionamento com Mia Farrow – e, muito mais ainda, sobre a destruição desse relacionamento. Como os leitores certamente já sabem, isso ocorreu depois de Farrow descobrir o relacionamento de Allen com a filha adotiva dela (mas não de Allen) Soon-Yi Previn, a atual mulher de Allen, então com 21 anos. Em seguida, Farrow acusou Allen de molestar sexualmente a filha adotiva dos dois, Dylan Farrow, com sete anos na época, durante uma visita que fez à casa de campo dela em 1992.

Woody Allen realmente fez isso? Ele sempre negou categoricamente; nunca foi acusado criminalmente de fazê-lo; e duas investigações formais, uma conduzida pelo Yale-New Haven Hospital e outra pelo Departamento Estadual de Serviços Sociais de Nova York, o absolveram.

Por sua parte, Dylan insiste que a acusação tem fundamento, assim como afirma Ronan, que a descreve como “uma alegação digna de crédito, mantida por quase três décadas, confirmada por relatos e evidências contemporâneos”.

Ninguém saberá a verdade. As pessoas que tendem a acreditar em Dylan deveriam pelo menos ler o relato em primeira mão feito pelo irmão mais velho dela, Moses Farrow. Assim como quem tende a acreditar em Woody Allen deveria ler a decisão do juiz Elliot Wilk quando negou a Woody Allen a guarda de Moses, Dylan e Ronan.

É isso o que exige a imparcialidade em uma sociedade livre: dar às duas partes o direito de apresentar seus argumentos, ouvir ambas com a mente aberta e estender o pressuposto de inocência a quem está sendo julgado, quer seja num tribunal de justiça ou no tribunal da opinião pública.

Fazer outra coisa não significa demonstrar respeito pelos sentimentos da vítima. Significa prejulgar, com base em informação incompleta, quem é a vítima real. Aliás, essa é uma via de mão dupla.

O livro de Allen alega que Mia Farrow não apenas promoveu a lavagem cerebral de Dylan para levá-la a acreditar que fora molestada assim como vitimou alguns de seus filhos adotivos física e psicologicamente. Alegações essas plenamente corroboradas por Moses e Soon-Yi. Certa vez, segundo Moses, Mia trancou seu filho adotivo deficiente Thaddeus “em um galpão fora de casa, devido a uma transgressão sem importância”.


Woody Allen lança seu livro de memórias de forma discreta

Se Mia, Dylan ou Ronan Farrow escrevessem um livro rebatendo as acusações de Allen, e se uma editora comprasse o livro e então desistisse de sua publicação no último instante, certamente haveria manifestações de indignação. E seriam justificadas. Então, por que tudo isso tem importância neste nosso momento dominado pelo coronavírus?

A resposta não é porque isso é censura. A Hachette é uma empresa e precisa levar o seu mercado em conta, enquanto Woody Allen tem a liberdade de oferecer seu livro a outra editora. (O livro foi lançado pela Arcade Publishing).

A resposta tampouco é que a autobiografia é algum tesouro literário de valor inestimável que simplesmente tem que ser levado a público. Por mais que eu tenha gostado, ela não o é.

Isso tudo tem importância porque a cultura do cancelamento ameaça nosso bem-estar coletivo de maneiras múltiplas e fundamentais: o isolamento imposto a pessoas impopulares, a recusa em examinar evidências que contrariam o que pensamos e a levar em conta pontos de vista opostos; o hábito de automaticamente traçarmos uma equivalência entre acusação e culpa, o encurralamento de pessoas encarregadas de preservar as instituições da cultura liberal; o poder crescente das turbas digitais e o medo que essas turbas atinjam qualquer pessoa que ouse se opor ao seu pensamento ou que se aventurem na expressão de ponto de vista heterodoxo.

Essas ameaças atacam a essência dos hábitos de uma sociedade livre. Visto por si só, o drama de Woody Allen não passa de uma confusão sem importância no meio de uma crise. Em termos das questões mais amplas que levanta, é um sintoma desalentador do estado atual de nossos valores.

Fonte: https://www.cartamaior.com.br/

segunda-feira, 20 de julho de 2020

“Memórias Póstumas de Brás Cubas” uma das mais expressivas obras de Machado de Assis, tem edição esgotada em um dia nos EUA


Memórias Póstumas de Brás Cubas faz sucesso nos EUA e ganha nova ...

Ao longo dos últimos 139 anos a distância linguística e outras barreiras culturais impediram o mundo de modo geral de conhecer Machado de Assis, um dos maiores escritores da história da literatura

Quis o destino que os americanos tomassem conhecimento de um dos mais expressivos escritores brasileiros através de um dos melhores e mais importantes romances já escritos. Pois aparentemente o resto do planeta está finalmente começando a descobrir que um dos grandes gênios da escrita no último século e meio era um homem negro nascido no Rio de Janeiro, onde viveu até o fim da sua vida, em 1908.

Os protestos contra a morte de George Floyd haviam acabado de completar sete dias nos Estados Unidos – e continuariam levando norte-americanos às ruas em cidades de todo o país por semanas – quando o livro do autor brasileiro foi lançado. Não era exatamente um lançamento pois o autor morreu há 112 anos e o romance foi publicado em 1879. Resultado: a edição de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, lançada nos EUA pela Penguin Classics esgotou-se em um dia. Nesta semana, já é possível comprar o livro no site da editora, tanto na versão impressa quanto na digital. 


Tradução de Machado de Assis nos EUA esgota em um dia - Folha PE

O Memórias Póstumas de Brás Cubas lançado pela Penguin Classics, ou The Posthumous Memoirs of Brás Cubas, como ficou a edição norte-americana, foi traduzido pela americana radicada no Brasil Flora Thomson-DeVeaux, que também assinou a introdução e é responsável pelas notas explicativas sobre o clássico de Machado. O livro tem prefácio assinado pelo escritor e editor David Eggers.

Em recente entrevista, Flora disse que o prefácio pode ter contribuído para Memórias Póstumas ter se esgotado em um dia nos Estados Unidos em meio a uma pandemia e a protestos raciais. O prefácio de Eggers foi publicado, antes do lançamento da tradução, na prestigiosa revista “The New Yorker”, que já teve entre seus colaboradores autores como Truman Capote e J.D. Sallinger. Outro fator, na opinião de Flora, também é a vontade do leitor dos EUA em procurar autores não brancos e que não façam parte do cânone norte-americano.

Lições que a humanidade tirou com as epidemias ao longo da história


A história das doenças que assombram a humanidade

Há milênios, a humanidade convive com doenças infecciosas e tem resistido às crises que elas provocam com seus números e resultados catastróficos

O novo Corona vírus continua como o assunto mais comentado no mundo, seja por populares, ou pela comunidade científica. A pandemia já tirou a vida de aproximadamente 6.500 pessoas, com casos em todos os continentes do planeta. Escolas e universidades vêm cancelando aulas e aos poucos, trabalhadores passam a fazer home office para não precisar sair de casa.

No Brasil, o número de casos ainda pode ser considerado baixo em relação a outros países. Porém, o vírus é altamente contagioso, podendo ser transmitido com facilidade. Principalmente, se medidas de prevenção não foram cumpridas.

Ao longo da história a humanidade já sofreu com diversas epidemias, propagadas por vírus, bactérias, ou outros micro-organismos. Populações foram verdadeiramente dizimadas em tempos em que a medicina ainda não era avançada como nos dias de hoje. Estragos foram tão expressivos como grandes guerras, terremotos ou tsunamis.

Nesta matéria, vamos relembrar quais foram as maiores epidemias que já abalaram o mundo.

Peste Negra

A Peste Negra é considerada a maior epidemia da história da humanidade. Acredita-se que ao fim da Idade Média, no século XIV, o número de mortos por conta da doença tenha variado entre 75 e 200 milhões de pessoas. Estima-se que um terço da população do continente europeu tenha morrido por conta da doença. Parte da Ásia e o norte da África também foram regiões bastante atingidas.

A doença é causada pela bactéria Yersinia pestis, transmitida ao ser humano através das pulgas dos ratos e outros roedores. A Peste Negra foi sendo combatida na medida em que a higiene e o saneamento das cidades foram melhorando, causando uma diminuição na população de ratos urbanos.

A peste negra gerou vários impactos e consequências religiosas, sociais e econômicas, afetando drasticamente o curso da história europeia.

Gripe Espanhola
Geral - A Gripe Espanhola no RS e em Porto Alegre

Entre janeiro de 1918 e dezembro de 1920, a Gripe Espanhola matou pelo menos 50 milhões de pessoas. No Brasil, foi a responsável pela morte até do presidente da época, Rodrigo Alves. A pandemia foi uma das mais letais da história humana. A estimativa foi que cerca de 500 milhões de pessoas tenham sido infectadas pelo vírus influenza, o causador da doença.

A Gripe Espanhola recebeu esse nome porque a imprensa da Espanha, fora da Primeira Guerra Mundial, passou a noticiar que civis estavam adoecendo e morrendo em números alarmantes.

Todos os exércitos que se concentravam na Europa foram atingidos. Calcula-se que 80% dos soldados americanos em combate morreram devido à essa doença.

Tuberculose

Em seu auge, entre os anos de 1850 e 1950, o número de mortes por conta da tuberculose pôde ter chego a até um bilhão de pessoas. A doença infecciosa é causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis. Ela existe desde a Antiguidade e permanece ativa até os dias de hoje, sendo altamente contagiosa.

A transmissão ocorre de pessoa para pessoa, através das vias respiratórias. O pulmão é o principal órgão atacado. Os sintomas clássicos são tosse crônica com expulsão de sangue, escarro, febre, suores noturnos e perda de peso. A infecção de outros órgãos pode causar vários outros sintomas.

Atualmente, mais de 95% das mortes por tuberculose ocorrerem em países em vias de desenvolvimento, principalmente Índia, China, Indonésia, Paquistão e Filipinas. Em 2016, 1,3 milhões de infectados morreram no mundo.

Varíola

De 1896 a 1980, 300 milhões de pessoas morreram graças à varíola. A doença atormentou a humanidade por aproximadamente três mil anos, sendo erradicada nos anos 80 após uma campanha de vacinação em massa.

Nomes famosos como o faraó egípcio Ramsés II, a rainha Maria II da Inglaterra e o rei Luís XV da França foram vítimas da temida “bexiga”. O vírus Orthopoxvírus variolae era transmitido de pessoa para pessoa, geralmente por meio das vias respiratórias.

O naturalista e médico britânico Edward Jenner foi o criador da vacina, deixando um grande legado para a história.

AIDS

O vírus HIV foi identificado em 1981, para o espanto da sociedade. Desde então, se calcula que aproximadamente 21 milhões de pessoas tenham morrido depois de contrair essa doença.

Incurável, essa Doença Sexualmente Transmissível (DST) possui tratamento para conseguir prolongar a vida do paciente. Os métodos de prevenção são bastante difundidos em todo o mundo, sendo o principal deles, o uso de preservativos nas relações sexuais.

À medida que a doença progride, ela interfere mais e mais no sistema imunológico, tornando a pessoa muito mais propensa a ter outros tipos de doenças, como infecções oportunistas e câncer.

Gripe Suína
A pandemia causada pelo vírus H1N1 teve um surto global, com os primeiros casos surgindo no México em março de 2009. No final do mês de abril, a OMS declarou Emergência de Saúde Pública em Âmbito Internacional.

Estima-se que até 1,4 bilhões de pessoas tenham contraído o vírus, mais de 20% da população mundial. Destes, 500 mil vieram a falecer.

Em agosto de 2010 foi anunciado o fim da pandemia, meses depois de a vacina passar a ser distribuída.

Ebola
OMS declara surto de ebola na RDC emergência internacional de ...
O primeiro caso de contaminação pelo Ebolavirus aconteceu em 1976, na República Democrática do Congo. Depois, ocorreram outros três grandes surtos, em 1995, em 2007, e mais recentemente, em 2014. Ao todo, mais de 12 mil pessoas perderam a vida, a imensa maioria na África Ocidental.

O vírus tem uma taxa de mortalidade de até 90%. Outros mamíferos também são contaminados. O vírus é adquirido através do contato com o sangue ou outros fluidos corporais de alguém infetado, seja ser humano ou animal.

Além do custo humano, o surto corroeu severamente as economias dos países afetados. Um relatório do Financial Times em 2014 sugeriu que o impacto econômico do surto poderia matar mais pessoas do que o próprio vírus.

Tifo

Mais de três milhões de pessoas morreram entre 1918 e 1922 devido a um surto de Tifo. A doença tem uma origem similar à Peste Negra, sendo transmitidas por pulgas de ratos infectados.

O ambiente pós Primeira Guerra Mundial deixou a Europa um lugar extremamente propício para a propagação de doenças. Muita miséria, falta de saneamento básico e detecção acabou por espalhar ratos por todo o continente.

As doenças do tifo são por tipos específicos de infecções bacterianas. Não existe vacina disponível no mercado. Hoje em dia os casos são raros, sendo mais presentes no sudeste asiático.




quinta-feira, 16 de julho de 2020

“007 – Sem Tempo para Morrer” tem estreia prevista para novembro


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O novo filme que narra as aventuras do espião britânico James Bond, que seria lançado em abril passado, teve a estreia adiada em virtude da pandemia do COVID19 e chega aos cinemas em novembro próximo

O filme teve o nome provisório de BOND 25, divulgou-se que seria “007 Sem tempo, irmão" e agora chegou-se à tradução literal do título em inglês, “007 Sem Tempo para Morrer”. As redes oficiais da franquia do espião britânico fizeram a revelação do título do próximo filme da saga, com um vídeo: No Time to Die (em tradução livre, Sem Tempo para Morrer) tem estreia prevista para novembro/2020. Daniel Craig volta ao papel do agente James Bond, sob a direção de Cary Fukunaga

A produção já teve problemas, com o próprio Craig sofrendo uma lesão na perna que o tirou de ação por algumas semanas. Recuperado, ele apareceu em fotos oficiais da filmagem ao lado de um carro tradicional na franquia, o Aston Martin. 
Bond 25: Sem Tempo para Morrer' termina filmagens - Tudo Geek

Em outro momento, Daniel Craig apareceu sendo dirigido por Cary Fukunaga (True Detective) na Jamaica, onde James Bond deve aparecer no começo do filme. Além de Craig, apareceram no vídeo Jeffrey Wright (Westworld), que reprisa o papel de Felix Leiter, visto pela última vez em 007 - Quantum of Solace; e Lashanna Lynch (Capitã Marvel), que interpreta uma nova personagem chamada Nomi.

O famoso espião James Bond (Daniel Craig) deixou o serviço e está vivendo de forma calma e pacífica na Jamaica. Como tudo que é bom dura pouco, quando o enigmático Safin (Rami Malek) aparece com uma tecnologia perigosa, seu amigo da CIA, Felix Leiter (Jeffrey Wright), pede ajuda. Então, o antigo 007 precisa abandonar seu novo modo de vida para ingressar na missão. Rami Malek (Bohemian Rhapsody) vai interpretar o vilão da vez.

Sem os shows ao vivo, as lives transformam a indústria da música no período de isolamento


Live Ivete Sangalo | Arraiá da Veveta #ArraiaDaVeveta - YouTube
Desde artistas que tocam em barzinhos até grandes nomes da indústria musical aderiram aos vídeos intimistas gravados em casa transformando-os em enormes produções com muito lucro envolvido


Nesse período de isolamento social, quase todos os brasileiros já viram alguma transmissão ao vivo – as chamadas lives – de algum cantor que você gosta nos últimos dias. Desde o início das medidas de distanciamento social decorrente da pandemia do novo Corona vírus, em meados de março, muitos artistas nacionais e internacionais começaram a usar suas redes sociais para fazer shows dentro de suas casas.

À medida em que o mundo se ajusta à nova realidade em quarentena, o cancelamento de turnês, festivais, viagens promocionais e gravações em estúdio vem se tornando cada vez mais recorrente. Segundo pesquisa realizada em março pelo Data SIM, mais de 8 mil apresentações foram canceladas ou remarcadas no Brasil em 2020. É seguro dizer que o impacto da pandemia na indústria musical foi avassalador não só para o público, como para artistas e produtores do ramo. 

Paul McCartney Freshen Up in France 2020 - YouTube

Apesar de estádios e casas de shows estarem vazios, o isolamento social inspirou um novo jeito do público se conectar ao seu artista preferido: live stream. O que começou como uma proposta despojada para entreter os fãs, em pouco tempo transformou-se em grandes eventos patrocinados. A pandemia pode ter fechado as coxias para artistas de todo o mundo, de Zezo Potiguar a Paul McCartney, mas a música continua para aqueles que têm acesso a um computador ou smartphone.

Apesar do sucesso, nem todo mundo virou fã da proposta. Matty Healy, vocalista da banda The 1975, recentemente foi alvo de críticas por postar na rede social Twitter um comentário (tweet) que parecia zombar desse tipo de iniciativa. O tweet, já deletado, dizia: “Pare de dizer às pessoas para apoiar você, nós não queremos seu pacote de EP e zine agora, Laura, nós vamos morrer [sic]”.

Posteriormente justificado como uma piada, o tweet despertou uma série de críticas sobre a posição financeira privilegiada de artistas maiores como The 1975 em meio à pandemia. Embora esses músicos também sejam afetados, para artistas menores, cujo meio de vida depende de turnês e que não têm grandes economias ou outras receitas com as quais recorrer, é essencial descobrir uma maneira de lucrar com suas performances, durante o isolamento

Um novo modelo de negócio
Onde assistir WorkShow Live: Festival de lives reúne Zé Neto &amp ...
Enquanto a maioria dos shows é oferecida gratuitamente ou a partir de doações, teme-se a desvalorização do trabalho do artista no momento em que performa sem remuneração em redes sociais. A tendência é que essa iniciativa abra caminho para um novo modelo de negócio.

Com patrocínio de marcas de bebida e recordes de audiência no Youtube, as super lives brasileiras apostam em uma produção sofisticada, com direito à equipe de filmagem, cenografia e iluminação. Segundo informações, o sertanejo Gustavo Lima, pioneiro na categoria, arrecadou em poucas horas mais de R$ 500 mil em dinheiro e suprimentos para o combate ao Corona vírus. 

Live de Roberto Carlos: Saiba como assistir online neste domingo ...

Mas há quem cobre pelo acesso. A dupla Anavitoria anunciou, no último dia 22, um pacote de lives com ingressos a R$ 95. A arrecadação viabilizaria o pagamento dos profissionais envolvidos na turnê “O Tempo É Agora”. Apesar da boa intenção, a proposta não agradou aos fãs. E é provável que a modalidade com cobrança de ingresso para apresentações virtuais não tenha adesão mesmo entre os fãs mais ardorosos da atração.

Pode levar algum tempo até que a indústria volte a entregar música ao vivo como era antes, e um tempo ainda maior para que nos adaptemos a essa nova experiência de entretenimento, mas uma coisa é certa: após a pandemia e o consequente isolamento social, estaremos diante de uma nova era para o consumo de música.


Referência:
http://portaldonic.com.br/


terça-feira, 14 de julho de 2020

A inacreditável jornada de Asia Bibi, de nove anos em solitária à vida nova no Canadá


Asia Bibi lança livro sobre sua história – Rádio Trans Mundial

Já publicamos matéria aqui no Artecultural sobre a saga de Asia Bibi, quando ela ainda estava no corredor da morte, aguardando apenas a data da sua execução

Asia Bibi deixou a casa que dividia com o marido e os filhos e foi trabalhar em uma fazenda na aldeia de Ittanwala, a cerca de 60 km de Lahore, cidade importante do Paquistão. O local onde trabalhava é cercado de campos verdes e árvores frutíferas.

Asia trabalhou como agricultora como muitas mulheres da aldeia. Era um dia de junho de 2009 e os trabalhadores, exaustos após horas colhendo frutas sob o sol escaldante, pararam para descansar. Alguém pediu que Asia fosse pegar um pouco de água em um poço próximo.

Ela saiu de jarro na mão e, quando voltou, bebeu um pouco de água antes de servir seus colegas muçulmanos. Eles ficaram furiosos. Asia é cristã, e no Paquistão muitos muçulmanos conservadores não gostam de comer ou beber junto de pessoas de outras religiões. Para eles, quem não acredita em Alá é impuro.

Os colegas de Asia disseram que ela era "suja" e não era digna de beber no mesmo copo que eles. Houve discussão, e termos fortes foram ditos por ambos os lados. Cinco dias depois, a polícia invadiu a casa de Asia e a acusou de insultar o profeta Maomé, principal símbolo do Islã, acusação feita também por um clérigo da aldeia.

Reunida em frente à residência de Asia, uma pequena multidão começou a agredi-la diante dos policiais, e ela acabou presa sob acusação de blasfêmia. Durante o julgamento, em 2010, ela se disse inocente, mas acabou sentenciada à morte.

Blasfêmia 


Tribunal confirma pena de morte para mulher cristã, Asia Bibi

No Paquistão, a punição por blasfêmia contra o Islã e seu profeta pode ser a prisão perpétua ou a morte. Mas muitas vezes essas acusações são utilizadas como forma de vingança por conflitos pessoais. Acusados de blasfêmia, juntamente com as famílias, sofrem represálias e ataques mesmo antes de irem a julgamento.

Asia passou os últimos nove anos de sua vida no corredor da morte, em confinamento solitário, em condições desumanas, sem alimentação adequada e tendo que conviver em um exíguo espaço, em meio aos seus próprios excrementos e sem direito a visitas regulares, nem mesmo da família.

Sua execução foi por várias vezes adiadas, em virtude de uma gigantesca mobilização social advinda de todas as partes do planeta. Tamanha pressão levou o governo paquistanês a recuar após 8 anos e ela conseguiu reverter a sentença, sendo absolvida em outubro de 2018.

Ainda assim, custou a ganhar a liberdade. Foi mantida num lugar secreto por meses por causa de ameaças de morte. Atualmente, ela vive em segurança no Canadá, mas ainda convive com o medo que extremistas do seu país atentem contra a sua vida.

Perdão
Pakistani Christian Asia Bibi receives invite to live in France ...
A cristã paquistanesa concedeu entrevista, na véspera de seu encontro com o presidente francês Emmanuel Macron. Condenada à morte por blasfêmia e absolvida após muita luta, Asia Bibi relembra o argumento que causou sua prisão, bem como as provações sofridas nos dez anos que passou na prisão no Paquistão. Agora exilada, ela espera "voltar um dia" em seu país e pediu ao primeiro-ministro do Paquistão, Imran Khan, que revogasse a lei de blasfêmia do Paquistão. 

'Perdoei todos aqueles que me machucaram'

 (Asia Bibi)

A trajetória de Luiz Gonzaga é resumida em mais um livro

A vida e obra do NORDESTINO DO SÉCULO XX, o cantor e compositor Luiz Gonzaga, é abordada em mais um livro, de forma mais sucinta, mas que faz um apanhado do nascimento à morte do sanfoneiro mais famoso de todos os tempos


Acabei de ler O JOVEM LUIZ GONZAGA, livro de 143 páginas, de autoria do mineiro Ronivaldo Jatobá, com a 3ª edição lançada em 2012, pela editora Nova Alexandria. Até pela pequena quantidade de páginas, a obra não se arvora a ser uma espécie de biografia de Gonzagão, mas traz informações interessantes e algumas curiosidades sobre a trajetória do sanfoneiro de Exu.

Para mim, que estudo Luiz Gonzaga há quase três décadas, não trouxe nenhum fato novo, nada que não tivesse sido abordado em livros mais completos como Vida de Viajante: a Saga de Luiz Gonzaga, de autoria de Dominique Dreyfus, ou Gonzaguinha & Gonzagão, de Regina Echeverria, essas, as obras mais completas sobre a biografia do Rei do Baião.

“O Jovem Luiz Gonzaga” é uma leitura agradável, notadamente para quem é fã do homenageado, com muitas fotos de Gonzaga e de locais onde ele viveu, todas em preto e branco e propositalmente algo desfocadas, exatamente como foram feitas, com os parcos recursos técnicos da época. 


Uma peculiaridade bastante interessante na narrativa de Jatobá são pequenos textos explicativos na lateral de algumas páginas, prestando valiosas informações sobre personagens da música e da política, citadas no texto. Essas citações são bastante elucidativas para que o leitor que não tiver conhecimento das pessoas e/ou fatos citados, possam se inteirar do assunto e melhor compreender o contexto.

Em tempos de pandemia, o livro pode ser adquirido via web, pelos sites especializados, com custo inferior a R$ 40,00 já incluído valor do frete. 



Texto e fotos: Euriques Carneiro

domingo, 12 de julho de 2020

Após 37 anos, Sudão autoriza consumo de álcool aos não muçulmanos


Sudão autoriza consumo de álcool aos não muçulmanos - Mundo - SÁBADO
No sábado, 11, o ministro da Justiça, Nasredin Abdelbari, anunciou a supressão do artigo artículo 126 do Código Penal sobre a apostasia, que punia o consumo de álcool com a pena de morte

O Sudão acaba de autorizar o consumo de álcool aos não muçulmanos, que estava proibido desde 1983 naquele país africano, onde a legislação conservadora continua de pé mais de um ano após a queda do ex-Presidente Omar-al-Bechir. A emenda “autoriza os não muçulmanos a consumir álcool sem ser em público, desde que não provoquem distúrbios”, afirmou, numa entrevista à televisão pública sudanesa.

O consumo de álcool continua a ser proibido aos sudaneses muçulmanos, que representam cerca de 97% da população do país, de acordo com os números oficiais, tal como acontece desde 1983. O ex-Presidente Bechir, que chegou ao poder em 1989 após um golpe de estado apoiado por islamitas, foi destituído em abril do ano passado, quatro meses após eclodir um movimento de contestação popular desencadeado pelo aumento do preço do pão.

A decisão de permitir parcialmente o consumo de álcool faz parte de uma série de alterações progressistas aprovadas na sexta-feira pelo Conselho soberano do Sudão, a par da proibição da excisão.

Cultura & curiosidades
Exposição: O vale do Rio Omo | Folha

A cultura do Sudão é influenciada pelo Islão, que trouxe uma língua e uma religião comum às populações do que é agora o Sudão. Mas esta uniformidade é um pouco ilusória: o Sudão é habitado por 570 tribos e a sua população fala 145 línguas diferentes. A cultura árabe é importante, mas não exclusiva.

Situado no norte da África localizado próximo ao Egito e Etiópia, é atravessado de norte ao sul pelo rio Nilo. O nome oficial do país é República do Sudão. A palavra Sudão é de origem árabe e significa “terra dos negros”.

O Sudão é o terceiro maior país da África em território, superado somente pela Argélia e República Democrática do Congo. Detalhe: ele já foi o maior país do continente, antes da separação do Sudão do Sul, em 2011. Com 40 milhões de habitante em 2018, o Sudão é o décimo país mais populoso da África. 


Fotos de Cartum - Sudão | Paises da africa, Sudão, Cartum

A capital sudanesa é Cartum, segunda maior cidade do país. A maior é Ondurmã, com 2,3 milhões de habitantes (temos que lembrar que Cartum e Ondurmã são vizinhas e formam com outras cidades próximas uma região metropolitana com mais de 4 milhões de habitantes).

A diversidade humana é impressionante. Só para se ter uma ideia, são em torno de 600 grupos étnicos, que falam mais 400 idiomas e dialetos. A maior parte da população segue a vertente sunita da religião islâmica. Os cristãos da igreja copta representam 10% dos sudaneses.
Países do Rio Nilo - Egito e Sudão - Parte 2 - Uma viagem na ...

O maior rio é o Nilo, cujos afluentes se encontram na região metropolitana de Cartum e a partir de então formam um único rio. O Sudão passou por duas grandes guerras civis nas últimas décadas, sendo uma delas em Darfur. Esse conflito começou em 2003 e uma contagem estimada aponta entre 200 e 400 mil vítimas, além do deslocamento de 2 milhões de pessoas.

Enquanto o norte do país é desértico, com predominância do deserto do Saara, o sul é tropical, com maior abundância de chuvas. O ponto culminante é o monte Deriba, com 3.042 metros de altitude. Uma informação muito interessante: também chamado de “Caldeira Deriba”, trata-se de um vulcão inativo com um enorme lago em sua caldeira.
Próxima Parada: Sudão — conheça melhor este país repleto de ...

Na antiguidade a região que hoje compreende o Sudão era conhecida como Reino de Cush. Muitos historiadores acreditam ser essa civilização mais antiga do que a Egípcia. Difícil acreditar, mas existem mais pirâmides no Sudão do que em todo o Egito. Só na localidade de Meroé, no norte do país, são encontradas mais de 200.

O Índice de Percepção Internacional sobre corrupção classificou recentemente o Sudão como o quarto país mais corrupto do mundo. A maior parte dos sudaneses vive da pecuária e agricultura de subsistência. O Sudão perdeu 25% do seu território com a independência do Sudão do Sul.

Importantes invenções produzidas no período das grandes guerras


10 invenções de guerra que você usa até hoje - Segredos do Mundo
Os eventos como as grandes guerras sempre marcam o surgimento de invenções, entre elas algumas que se tornam de suma importância para a sobrevivência da raça humana



Como essas invenções ocorrem em época de grandes conflitos, a grande maioria tem como objetivo eliminar o adversário do outro lada da trincheira as existem aquelas que são benevolentes, necessárias para manter os soldados saudáveis, melhorar os sistemas de comunicação, entre outras. E mesmo algumas, originalmente com fins bélicos, acabaram virando aliadas da humanidade e fundamentais para facilitar a vida no pós guerra.

Exemplo da Primeira Guerra Mundial:

5 invenções mais surpreendentes da 1ª Guerra Mundial - Fatos ...

1. Papéis toalhas sanitários e os lenços de papel, para higiene pessoal;

2. Lâmpadas de sol: para o tratamento de ossos fracos (soldados precisam estar com a estrutura óssea saudável e a vitamina D é também produzida a partir da radiação solar em contato com a pele, sendo essencial para a calcificação dos ossos);

3. Horário de verão: com a falta de carvão, usado como combustível na guerra, economizar energia era fundamental, principalmente na Alemanha;

4. Saquinhos de chá: muito usados pelos soldados pela comodidade;

5. Relógio de pulso: antes artigos de luxo, os relógios foram popularizados e encolhidos para o uso das tropas, além de ganharem um laço de fixação nos pulsos, ficando prático as sincronizações de ordens militares e outros esquemas programados;

6. Salsichas vegetarianas: inventadas para substituir itens escassos durante os longos conflitos (como a carne) com o objetivo de, pelo menos, iludir a população faminta;

7. Zíperes nas calças e roupas: criados pela rapidez em fechar o vestuário, algo essencial em momentos de desespero que requeriam prontidão imediata;

8. Aço inoxidável: usado, principalmente, para os talheres de comida dos soldados e instrumentos médicos no campo de batalha, onde o aço comum enferrujava com maior facilidade, propagando doenças e contaminação cirúrgica;

9. Torre de comando para a comunicação entre os pilotos aéreos: antes dessa guerra, os pilotos não conseguiam se comunicar uns com os outros ou com as pessoas no chão. E não é preciso dizer os problemas gerados nesta situação.

10. Absorventes: primeiro criados para absorver e estancar o sangue de feridos em batalha, eles eram feitos, no início, do bagaço de cana e serviam como ´bandagens´ muito mais baratos e úteis do que o algodão. Não demorou muito para as pessoas perceberem a utilidade deste invento para aliviar as mulheres durante os períodos de menstruação, otimizando o acessório até chegarem no que temos hoje no mercado.

Inventos da Segunda Guerra Mundial:
Confira 8 curiosas invenções da Primeira Guerra Mundial | HISTORY


1. Penicilina: com este poderoso antibiótico, os soldados, que antes morriam em porcentagens absurdas por causa de feridas de guerra, começaram a ter grandes esperanças de recuperação e as vidas salvas são incontáveis. A penicilina já havia sido descoberta décadas antes, mas só começou a ser usada de fato no meio da Segunda Guerra, inicialmente como teste em pesquisas de campo. Hoje, a resistência bacteriana é tão alta, que o composto original praticamente já não tem efeito algum no tratamento de doenças.

2. Galões modernos de combustíveis (aqueles de plástico duro): usados para armazenar óleo motor e gasolina, eles foram aperfeiçoados pelos alemães para facilitar o manuseio, otimizar a quantidade de líquido armazenada e permitir que duas delas fossem levadas em uma única mão pelos soldados;

3. Cabine de ar pressurizado: para pilotar os jatos e aviões em grandes altitudes é necessário manter pressão, temperatura e quantidade de oxigênio normais para o piloto, em uma área onde os três estão em níveis muito baixos. As cabines pressurizadas, junto com as máscaras de gás, revolucionaram a aviação neste período;

4. Navegação por rádio: orientar os voos de bombardeio e pousos eram tarefas bastante complicadas antes desta invenção. Sem a ajuda dos nosso modernos GPS, os pilotos ficavam como baratas tontas no ar.

5. Radar: a determinação de objetos e suas dimensões extrapoladas só foram possíveis depois do aperfeiçoamento do uso dos sinais de rádio durante a guerra;

6. Borracha sintética: devido ao controle dos suplementos de borracha natural pelo Eixo Nazista, os Aliados tiveram que correr atrás de um material parecido e acabaram conseguindo obter diversos polímeros com a mesma natureza e até com melhores propriedades mecânicas. A grande parte deles era originária do petróleo e continua sendo até hoje na fabricação dos pneus modernos, entre outros;

7. Os mísseis V2: mesmo sendo extremamente destrutivos e uma das armas mais mortais da Segunda Guerra, os V2 foram fundamentais para o início da corrida espacial, onde os foguetes de lançamento tiraram suas bases de funcionamento desses mísseis. Os V2 possuem o visual daqueles clássicos mísseis de desenho animado;

8. Turbina à jato: primeiro inventada pelos ingleses, para depois ser aperfeiçoada pelos alemães, as turbinas a jato revolucionaram o poder das aeronaves de guerra e são extremamente importantes hoje, tanto no campo militar quanto no comercial.

9. Poder nuclear: infelizmente, a fissão nuclear foi usada primeiro para a destruição em massa, onde as cidades japonesas Hiroshima e Nagasaki foram dizimadas pelos EUA. Mas hoje, ela gera uma enorme quantidade de energia que abastece diversas regiões do globo, principalmente na França, onde mais de 70% da energia elétrica vem das usinas nucleares. Além disso, a fusão nuclear ainda é a grande esperança futura no campo das soluções energéticas;
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10. O primeiro computador: longe de ser esta maravilha de máquina que conhecemos hoje, o famoso equipamento criado por Alan Turing foi a primeira, e brilhante, base para a construção dos computadores modernos. Ela foi utilizada pelos Aliados para decodificar as transmissões criptografadas do exército alemão, as quais eram produzidas pela potente máquina de código de Lorenz. O filme ´The Imitation Game (O Jogo da Imitação), aborda a criação deste equipamento por Turing e vale a pena ser visto.

Referência: BBC

sábado, 11 de julho de 2020

Consumo de vinhos aumentam na quarentena impulsionado pelas vendas online


Tendências de consumo no mercado de vinhos em 2020
Com as medidas do isolamento e campanha do #FiqueEmCasa, as vendas online de vinhos subiram 40% desde o início da quarentena

Para uma análise do mercado brasileiro sobre o consumo per capta de vinhos, vale uma analogia com aquele vendedor de sapatos em uma localidade onde todos andam descalços. O fato é que essa análise é um pouco mais complexa do que isso.

A carência de bons dados de mercado sempre foi um desafio em nosso país, visto que a informação errada leva ao diagnóstico errado, e este ao tratamento errado. Uma pesquisa divulgada recentemente, apresentou um estudo sério sobre o consumo per capta no Brasil.

Os dados são interessantes e revelam que o consumo per capta no Brasil em 2018 atingiu 1,93 litros por habitante acima de 18 anos de idade. Este número engloba vinhos nacionais e importados de uvas vitis viníferas e vinhos de mesa.

Apesar do crescimento de 27% no consumo per capta de vinhos finos entre adultos nos últimos cinco anos, o estudo revela que este número está abaixo do 0,8 litro alardeado pelos “experts”. Em 2014, o consumo per capta de vinho fino entre adultos era de 0,56 litro e em 2018 chegou a 0,71 litro.

Aumento durante a quarentena
Um Guia para o setor vinícola vencer a crise do coronavírus ...

Desde a decretação da quarentena, houve alta de 136% nas vendas de bebidas alcoólicas, em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Compre&Confie, empresa de inteligência de mercado focada em comércio eletrônico.

Em lojas focadas apenas em vinho, o aumento também foi bem expressivo. Na Evino, por exemplo, o número de pedidos totais subiu 20% entre fevereiro e março em relação ao mesmo período de 2019. Já a quantidade de novos clientes cresceu 72% no mesmo intervalo.

Na Wine, que trabalha como clube de assinaturas, o número de novos clientes cresceu 40%. As assinaturas podem ser mensais, de seis meses ou um ano. O preço médio das garrafas mais vendidas varia de R$ 35 a R$ 40.

“As lojas de vinho trabalham com estoques para três, seis meses. Por isso, a alta recente do dólar ainda não está se refletindo no preço dos vinhos agora. Mas no segundo semestre, haverá aumentos de preços”, diz Marcelo D’Arienzo, presidente da Wine, onde o vinho mais vendido é o Toro Loco, por R$ 31,90.

A empresa, segundo ele, congelou o preço de 200 rótulos para poder vender mais durante a pandemia. Ele entende que, nessa época de pouco entretenimento, a missão social da companhia é ajudar as pessoas a ter um tempo bom para si, em casa.

“As pessoas antes reuniam os amigos, iam a restaurantes para beber um bom vinho. Agora, elas não podem mais fazer isso. Mas o vinho pode chegar a até elas”, diz ele. 


Dá tempo para beber tudo
Tudo bem combinado: escolher o vinho certo faz a diferença ao ...

Diante da nova realidade, muita gente, está mudando seus hábitos de consumo de vinho. Com o trabalho em casa e as pessoas passando mais tempo em suas residências, muita gente até perde a noção do tempo. E, antes da pandemia, as pessoas diziam: não vamos abrir uma garrafa agora, porque vai sobrar, não vai dar tempo beber tudo. Hoje o tempo sobra e se tem tempo para tomar tudo e até mais de uma garrafa.

Mas como vinho bom quase nunca é barato, o desafio de encontrar bons rótulos a preços camaradas virou um passatempo para os consumidores em isolamento. Comprar vinho caro e bom é fácil, mas o desafio é descobrir os bons e baratos e encontrar boas ofertas. Aí entra uma outra vertente do mercado de vinhos que é a quantidade de cursos on line que auxiliam como identificar os bons vinhos sem que eles custem necessariamente os olhos da cara. Há ainda os blogs gratuitos de enólogos e sommeliers que contam as suas experiências advindas de estudos e visitas, que podem dar um norte sobre onde encontrar vinhos de qualidade a preços acessíveis.

Os sites especializados usam algoritmos que identificam o gosto de cada cliente e já enviam mensagens com as ofertas de acordo com a preferência de cada consumidor e isso facilita para lojas e clientes.

O prazer de tomar a bebida a dois ou com os familiares que residem na mesma casa, também aumentou durante a pandemia e a busca pelos vinhos bons e baratos é uma tarefa a ser dividida com quem vai degusta-los. E está garantido o programa da noite. 


Tin, tin!