segunda-feira, 1 de junho de 2020

Por motivos diferentes, atos e protestos antifascistas eclodem nos EUA e no Brasil

A história perdida dos Antifas, o popular movimento antifascista ...

Os protestos que vem convulsionando os Estados Unidos desde 25 de maio como reação à morte de George Floyd, mais um cidadão negro executado sumariamente pela polícia branca do país, trazem de volta à cena política o Antifa

Nascido na Europa dos anos 1930, o movimento suprapartidário se espalha pelo mundo como resistência aos governos de extrema-direita e tem sua história contada por Mark Bray em Antifa – O manual antifascista.

O livro foi lançado em agosto de 2017, quando manifestações de supremacistas brancos deixaram uma militante antifascista morta e mais de 30 feridos em Charlottesvile, na Virginia.

“Os fascistas chegaram ao poder pelas vias legais”, diz a primeira lição do livro, que foi publicado em português ano passado pela Autonomia Literária. O símbolo do movimento dominou os protestos que, no domingo, 31 de maio, tomaram a Avenida Paulista em favor da democracia. No mesmo dia, Donald Trump tuitou: “OS EUA classificarão o Antifa como grupo terrorista”.

Alguns fatos merecem uma visão mais acurada, tais como a marcha de Mussolini em Roma, que foi só uma encenação com o ob­jetivo de legitimar o convite anterior para que ele for­masse um governo. O Putsch de Munique de Hitler, em 1923, fracassou completamente. Sua ascensão final ao poder veio quando o presidente Hindenburg o nomeou chanceler. A lei que lhe concedeu plenos poderes foi aprovada pelo parlamento.

Antifa (Estados Unidos) – Wikipédia, a enciclopédia livre

Para os militantes antifascistas, esses fatos históri­cos põem em questão a fórmula liberal de oposição ao fascismo. A essência dessa fórmula é a crença no debate racional para se contrapor às ideias fascistas, na polícia para se contrapor à violência fascista, e nas instituições republicanas para se contrapor às tentativas fascistas de tomar o poder. Sem dúvida, essa fórmula funcionou algumas vezes. Mas em outras tantas não funcionou.

Onde quer que tenha havido revolução, houve con­trarrevolução. Para cada Tomada da Bastilha, houve um Termidor. Depois da Comuna de Paris, cente­nas foram executadas e milhares foram presos e de­portados. Mais de cinco mil presos políticos foram assassinados e 38 mil pessoas foram detidas após a fracassada Revolução Russa de 1905, quando tam­bém ocorreram 690 pogroms antissemitas, que ma­taram mais três mil judeus.7 Os radicais europeus e as minorias étnicas conhecem bem a violência rea­cionária tradicional.

No entanto, o fascismo representava algo novo. Suas inovações ideológicas, tecnológicas e burocrá­ticas abriram as portas para que a Europa promo­vesse em seu próprio território as guerras de exter­mínio que ela havia exportado para todo o mundo por meio do imperialismo e do genocídio.

Brasil 2020

Torcidas organizadas criam 'linha de frente' na resistência ...
Desde o início da quarentena imposta pela pandemia de Corona vírus, o Brasil assiste semanalmente manifestações de apoio ao governo eleito em 2018, mas nenhuma havia gerado tanto barulho nas ruas como o ato convocado por torcidas antifascistas na avenida Paulista, no último domingo. 

Torcedores esqueceram a rivalidade no campos futebolístico e deram-se as mãos em defesa da democracia, coletivos originários do futebol também realizaram protesto coordenado em pelo menos outras 15 cidades, a exemplo de Belo Horizonte, Porto Alegre e Rio de Janeiro, onde torcedores dos principais clubes cariocas engrossaram não só empunhando a bandeira do antifascismo mas também em uma marcha contra o racismo que vem ceifando vidas, notadamente nas comunidades mais pobres das grandes cidades.

A articulação do movimento partiu de grupos identificados com o antifascismo, embora lideranças de torcidas organizadas como Gaviões da Fiel e Torcida Jovem do Santos, tenham apoiado e participado dos atos. Também endossou os protestos a Associação Nacional das Torcidas Organizadas (Anatorg), que conta com mais de 200 afiliadas e faz questão de frisar que a manifestação “não é de direita ou esquerda”, mas em oposição a movimentos ultraconservadores, supremacistas e fascistas.

A oposição ao governo federal não é consenso nas torcidas organizadas e gerou desconforto entre membros que preferem evitar a associação a movimentos antifascistas. Uma das maiores organizadas do São Paulo, a Dragões da Real afirmou que, embora se considere uma organização antifa, não pretende orientar seus sócios a seguirem uma orientação política específica. “O que nos une é o São Paulo Futebol Clube. Fora disso, cada um que escolha seu caminho. Não se pratica democracia com ato antidemocrático.


Referência:
 MARK BRAY

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