terça-feira, 30 de junho de 2020

Aeroporto da Califórnia poderá deixar de ter o nome de John Wayne


Trump defende John Wayne após pedido para renomear aeroporto por ...

Em virtude de uma entrevista do ator de meio século atrás com afirmações carregadas de preconceito, uma resolução aprovada pelos democratas de Orange County na sexta-feira pede que o aeroporto deixe de ter o nome do astro do cinema

Democratas de Orange County, na Califórnia, entregaram uma resolução que pede a alteração do nome do Aeroporto John Wayne. Em causa está uma entrevista que o ator deu à Playboy há quase 50 anos (1971), na qual afirma acreditar na “supremacia branca”, criticando filmes “pervertidos” com cenas homossexuais e fazendo afirmações contra afro-americanos.

“O Partido Democrata de Orange County condena as declarações racistas e preconceituosas de John Wayne e pede que o nome e imagem de John Wayne sejam removidos do aeroporto de Orange County, e pede aos supervisores que seja reposto o seu nome original: Aeroporto de Orange County”, diz a resolução aprovada na sexta-feira. A decisão final caberá agora ao Conselho de Supervisores de Orange County.

“Enquanto alguns fora de Orange County podem não conhecer as crenças de John Wayne sobre a supremacia branca, muitos dos residentes de Orange County pedem a sua remoção há anos”, disse a presidente do partido do condado, Ada Briceño, em comunicado, citado pela CNN. “Estamos a ver pedidos renovados para isso agora, e é tempo de mudança”, acrescentou. 


Democratas querem mudar o nome do Aeroporto John Wayne - DN

A entrevista já se tinha tornado viral em fevereiro de 2019, mas os pedidos só agora surgiram com mais força. Nesse mesmo ano, em entrevista à CNN, o filho do ator garantiu que as afirmações do pai foram retiradas do contexto.

“Eles estão a tentar contradizer como ele viveu sua vida, e como ele viveu a sua vida era quem ele era. Portanto, qualquer discussão sobre a remoção do seu nome do aeroporto deve incluir uma imagem completa da vida de John Wayne e não se basear numa única entrevista isolada de há meio século”, afirmou numa altura em que se falava já na mudança do nome do aeroporto.

O Presidente dos Estados Unidos já reagiu à resolução dos democratas, utilizando a rede social Twitter para o fazer. “Conseguem acreditar que Princeton acabou de retirar o nome de Woodrow Wilson do seu respeitado centro de políticas. Agora os Não Fazem Nada Democratas querem retirar o nome John Wayne de um aeroporto. “Estupidez incrível! ”, escreveu.

O consagrado astro John Wayne protagonizou mais de 150 filmes em cinco décadas, a maioria deles do gênero western, tendo sido indicado para três Oscars, ganhando o prémio de Melhor Ator por “Tempering Steel”, em 1969.


Fonte: https://observador.pt/

domingo, 28 de junho de 2020

Em meio à pandemia, Vaticano ‘faz as pazes’ com José Saramago uma década depois


Oposição da Igreja Católica Saramago by bottelho Por ...

Dez anos após ter publicado um artigo crítico noticiando a morte do escritor José Saramago, o jornal do Vaticano já não é pessimista sobre a pessoa e a obra do Nobel português da Literatura. L"Osservatore Romano escolhe o romance Ensaio sobre a Cegueira para fazer as pazes

«Nada obstante o pessimismo de que muitas das suas obras estão imbuídas, prestando-se a vários níveis de leitura, no décimo aniversário da sua morte preferimos recordá-lo como um autor que, no entanto, procurou destacar o fator humano que se esconde por detrás dos acontecimentos mais díspares.»

É neste quadro que o jornal do Vaticano, “L’Osservatore Romano”, assinala o décimo aniversário da morte do escritor português José Saramago (16.11.1922 – 18.6.2010), primeiro na edição diária em italiano, e depois na edição semanal em português, esta com texto publicado a 23 de junho na internet.

O artigo, intitulado “Saramago e a miopia do mal”, começa por lembrar passagens do discurso que proferiu quando recebeu o prémio Nobel da literatura, em 1988, em particular a «homenagem deveras carinhosa ao seu avô materno, “o homem mais sábio que já conheci, embora não soubesse ler nem escrever”».

Depois de recordar que a cerimónia de atribuição do galardão coincidiu com os 50 anos da Declaração Universal dos Direitos do Homem, o texto vinca que «a denúncia da opressão e da iniquidade que corroem o espírito humano distinguiu grande parte da sua vasta produção, na qual ele frisa frequentemente que se perdeu o sentido de solidariedade, e que esta perda levou a sociedade contemporânea e as suas estruturas de poder a tornarem-se profundamente míopes».

Sérgio Suchodolak centra-se, depois, no «intenso romance» “Ensaio sobre a cegueira” (1995), no qual Saramago «faz uma análise lúcida da natureza humana», destacando, como «tema central por detrás dos acontecimentos absurdos e inexplicáveis» da narrativa, a «indiferença» e «egoísmo», denunciados «com veemência, como dura crítica à sociedade em geral». 


Historia do Cerco de Lisboa' de Saramago: Resumo e Análise Crítica

No ambiente para o qual os protagonistas são lançados, um hospício, «a solidariedade é completamente banida», e «o homem chega a anular a própria evolução biológica, cultural e comunitária»; neste contexto, vendo-se aprisionado «nas garras do medo do outro, somente a luta pela sobrevivência parece mantê-lo vivo».

«Partidário convicto do pessimismo antropológico, mas profundo conhecedor do espírito humano, o autor afirma “que nós não somos bons, e é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso”, se quisermos aspirar ao restabelecimento, e que a nossa reação em situações de impotência e abandono pode tornar-se impiedosa e perder qualquer sombra de objetividade, levando-nos ao verdadeiro desprezo pelo outro», aponta o jornalista da redação de língua portuguesa do jornal.

Na igreja em que entra uma das personagens, Saramago escreve que «todos os Santos estão vendados, e até Cristo na cruz, como se se quisesse afirmar que o próprio Deus já não merece ver: “Se os céus não veem, que ninguém veja”. Na verdade, é o homem que, sentindo-se abandonado ao seu trágico destino, não quer ser visto e culpa Aquele que, na sua opinião, não foi capaz de o salvar».

O romance, apesar da sua «visão distópica do mundo», pode fazer o leitor «refletir sobre os comportamentos humanos, especialmente nos momentos mais complexos e imprevisíveis da vida, se não se quiser mergulhar no absurdo».

«Ainda se pode esperar que para as trevas da razão haja um remédio eficaz, ou seja, o da compaixão. Um antídoto seguro contra a indiferença, o único que nos pode levar da cegueira e dureza de coração ao respeito pelo outro, matéria-prima fundamental para a construção da civilização do amor. Talvez semelhante àquela que povoava os sonhos do autor que, quando era criança, adormecia feliz com o seu avô debaixo de uma grande figueira», conclui o artigo.

Rui Jorge Martins
Fonte: L'Osservatopre Romano

Os atuais livros de cabeceira do Ministro do STF, Alexandre de Morais


Mais um plágio de Alexandre de Moraes

Reportagem da revista IstoÉ, de 26.06.20, traz uma reportagem sobre o ministro de STF Alexandre de Morais, onde ele afirma que, cumprindo o isolamento em seu apartamento, está lendo três livros ao mesmo tempo


Assim, se você que nos acompanha aqui no Artecultural, quiser ler (ou reler, para quem o fez), os livros citados pelo Ministro, buscamos as resenhas das obras, oriundas da livraria virtual Amazon. Vamos a elas: 

Marco Aurélio: O imperador filósofo

Um dos personagens mais complexos e fascinantes da história antiga.
Nesta que pode ser considerada sua biografia definitiva, o grande historiador francês Pierre Grimal, um apaixonado pela civilização romana, explica por que Marco Aurélio foi o maior dos imperadores - o mais humano, o mais sábio, o mais justo.

Conhecido como o imperador-filósofo, ele uniu os talentos de líder qualificado aos de político hábil, guerreiro, estrategista militar e administrador atencioso, capaz de gerenciar com firmeza e sabedoria um gigantesco aparelho de Estado. No entanto, esse poder imenso se refletia em uma solidão de tamanho equivalente, o que é ressaltado em suas lendárias Meditações, as formidáveis reflexões que Marco Aurélio escreveu para si mesmo inspiradas pelo estoicismo, elemento central em sua formação.

Para tratar da educação, das obras filosóficas e da carreira política deste que elege como o maior dos Césares, Grimal reconstrói com maestria o contexto histórico e cultural do Império Romano.

Obrigatório para historiadores, filósofos e estudantes do pensamento político, Marco Aurélio é leitura essencial para qualquer pessoa que deseje refletir sobre questões sempre atuais como a relação entre poder e prática política ou os deveres éticos do governante. 


Sermões do Padre Vieira: 




Jesuíta brilhante, cosmopolita, diplomata do Reino de Portugal, conselheiro de reis, polemista, perseguido pelo Santo Ofício, o Padre Antônio Vieira (1608-1697) foi múltiplo, às vezes, contraditório. Há consenso, entretanto, quanto à genialidade dos seus sermões, dos quais cerca de duzentos chegaram até os nossos dias. Estão reunidos neste livro o 'Sermão da Sexagésima', o 'Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda' e o 'Sermão do bom ladrão'. O primeiro, escolhido pelo próprio Vieira para abrir o volume de seus sermões compendiados, versa sobre a arte de pregar e de falar às multidões, além de apresentar a profissão de fé do pregador. O 'Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda', é talvez o texto mais conhecido de Vieira e certamente um dos mais impressionantes. Nele, o padre roga ao Deus católico que auxilie os portugueses contra os holandeses, que ameaçavam invadir a Bahia - e o faz em um inaudito tom agressivo e belicoso que chega às raias da heresia. Em 'Sermão do bom ladrão', Vieira - num lance profético que mostra o seu profundo entendimento sobre os problemas do Brasil - ataca e critica aqueles que se valiam da máquina pública para enriquecer ilicitamente. 


Fascismo: Um alerta
Fascismo: Um alerta por [Madeleine Albright, Jaime Biaggio]
O século XX foi definido pelo embate entre democracia e fascismo, uma luta que criou incerteza sobre a sobrevivência da liberdade e deixou milhões de inocentes mortos. Tendo em vista o horror desta experiência, podia-se imaginar que o mundo rejeitaria qualquer possível sucessor de Hitler e Mussolini. Em Fascismo: um alerta, Madeleine Albright questiona isso. Fascismo, explica Albright, não apenas perseverou, como hoje é a maior ameaça à paz internacional desde a Segunda Guerra Mundial. Em muitos países, aspectos culturais, econômicos e tecnológicos estão enfraquecendo o centro político e fortalecendo extremistas de direita e de esquerda. ‘Fascismo: um alerta’ é o livro para os nossos tempos que é relevante para todos os tempos. Best-seller nos vários países onde foi publicado, ele nos ensina as lições que precisamos aprender e as questões que devemos responder se queremos evitar que o mundo cometa os mesmos trágicos erros do passado.

As três obras podem ser adquiridas no site www.amazon.com.br

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Após relaxamento do isolamento, são reiniciadas as filmagens de Matrix 4 em Berlim


Matrix 4': Filmagens da sequência já recomeçaram! | CinePOP

A trilogia, que fez muito sucesso no fim dos anos 1990 e no começo dos anos 2000, ao trazer um futuro distópico no qual a realidade, como percebida pela maioria dos humanos, é, na verdade, uma simulação chamada "Matrix"

Após a paralisação por conta da pandemia do Corona vírus, as filmagens de Matrix 4 foram retomadas em Berlim, na Alemanha. Fotos do TMZ mostram Keanu Reeves (Neo), Neil Patrick Harris e Carrie-Anne Moss (Trinity) no set do novo longa.

Alguns dos membros da produção são vistos com máscaras, mas, como o país tem sido eficiente na luta contra a doença, os atores já aparecem sem proteção facial.

As filmagens do novo longa ocorriam em San Francisco, nos Estados Unidos, quando a Warner suspendeu a produção de todos os seus filmes e séries. Matrix 4 ainda passará por uma série de gravações na Europa, onde muitos países já começaram a relaxar as medidas de distanciamento social e permitir grandes filmagens.

Desde 1999
Matrix 4: Keanu Reeves aparece como Neo em gravações no set - TecMundo

O primeiro Matrix foi lançado em 1999. Junto com as sequências, Matrix Reloaded e Matrix Revolutions, ambas de 2003, a franquia faturou US$ 1,6 bilhão nas bilheterias mundiais. A estreia de Matrix 4 está prevista para 1 de abril de 2022.

De acordo com o anúncio, Matrix 4 traz de volta Keanu Reeves e Carrie-Anne Moss em seus papéis como os protagonistas Neo e Trinity. A direção e o roteiro do novo filme vão ficar nas mãos de Lana Wachowski, que foi a responsável por escrever e dirigir a trilogia. 


Sobre esse retorno de Lana, Toby Emmerich declara: "Nós não poderíamos estar mais animados para voltar a entrar em Matrix com a Lana". Ele ainda acrescenta: “Lana é uma verdadeira visionária - uma cineasta criativa singular e original - e estamos entusiasmados por ela estar escrevendo, dirigindo e produzindo este novo capítulo no universo Matrix”.

Minerador tanzaniano encontra duas enormes pedras de Tanzanita e apura R$ 17,6 milhões com a venda


Pai de 30 filhos vira milionário após encontrar pedra preciosa de ... 

O minerador da Tanzânia, Saniniu Kuryan Laizer, encontrou duas grandes pedras de tanzanita e alcançou a cifra de R$ 17,6 milhões com a venda

As pedras foram encontradas nas montanhas de Mererani, no norte da Tanzânia. Uma das tanzanita pesa 9,27 kg e a outra 5,1 kg, e foram vendidas por 7,7 bilhões de xelins, cerca de 17,6 milhões de reais. A tanzanita é uma pedra preciosa de cor entre azul e púrpura que é exportada principalmente para a Índia.

Doto Biteko, ministro da Mineração da Tanzânia, anunciou que essas são as maiores tanzanitas já encontradas no país. O governo informou que as pedras ficaram no museu nacional.

Saniniu Kuryan revelou que seu objetivo é ajudar sua comunidade com o dinheiro que conseguiu. "Planejo construir um centro comercial em Arusha e uma escola perto da minha casa."

Ouro azul
Dez pedras azuis de pirar o cabeção | Pedras e minerais, Pedras ...
A Tanzanita é uma variedade do mineral zoisite, que só existe nos Montes Merelani, no norte da Tanzânia, tendo sido descoberta em 1967, próximo da localidade de Arucha.

Em 2017, o chefe do Estado tanzaniano iniciou um braço-de-ferro com as multinacionais estrangeiras que operam na Tanzânia, acusadas de ter subavaliado a sua produção de ouro, de diamante e da tanzanita, nomeadamente causando uma perda de receitas em impostos, de milhares de dólares para o país, e de taxas, desde 1998, segundo as autoridades tanzanianas.

Dessa forma, falando na região de Mererani, Magufuli o mandatário ordenou às Forças Armadas a começar a construir o muro com câmaras de vigilância em torno de toda a zona mineira, insistindo para que o trabalho se faça rapidamente.

O Presidente Magufuli deseja também a venda da tanzanite pelos grossistas seja feita em Mererani, sob o controle do Banco Central tanzaniano. Até então, a venda era feita em Arusha e em Nairobi.

Chamado "Tingatinga" (bulldozer em swahili), o Presidente Magufuli marcou os espíritos desde que foi empossado Presidente da República, em 2015, mostrando-se inflexível no combate à corrupção.

Ainda em 2017, o governo tanzaniano anunciou a nacionalização dos diamantes no valor de 29,5 milhões de dólares, depois de ter acusado a empresa diamantífera, Petra Diamonds, proprietária da mina, de ter subavaliado o seu valor.

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Restauro desastroso de uma obra de arte deixou a Virgem Maria irreconhecível


Opera Mundi: O retorno de Ecce Homo: Restaurador de móveis ...

Mais uma restauração de arte desastrosa viralizou na internet nos últimos dias, quando um restaurador de móveis, que estava acostumado a cuidar de objetos e espelhos, deixou o rosto da jovem retratada inteiramente desfigurado

Um colecionador de obras no município de Valência, na Espanha, contratou, segundo o site local eldiario.es divulgou nesta segunda-feira (22), um restaurador de móveis por 1.200 euros para limpar uma cópia da famosa pintura Imaculada do pintor barroco espanhol Bartolomé Esteban Murillo. O resultado foi trágico.

O quadro de Bartolomé Esteban Murillo mostrava a Virgem Maria mas ficou irreconhecível depois do restauro feito por um amador. Especialistas pedem legislação mais apertada para conservação do patrimônio.

Um colecionador de arte de Valência, em Espanha, terá pago 1200 euros a um restaurador de móveis para limpar e recuperar um quadro com a imagem da Virgem Maria. No entanto, quando o quadro da Imaculada Concepción de Los Vunerables lhe foi entregue, o rosto que tinha sido pintado pelo famoso artista barroco Bartolomé Esteban Murillo (1617-1682), estava irreconhecível. E mesmo depois de duas outras intervenções foi impossível recuperar a pintura original.

As imagens da desastrosa intervenção estão correndo o mundo e lembram outros casos semelhantes, também ocorridos em Espanha. Em 2012, o restauro por parte de uma paroquiana idosa de um fresco Igreja do Santuário da Misericórdia em Borja (Aragão) teve resultados desastrosos.
Autora da polêmica restauração 'Ecce Homo' ganha exposição na ...

E em 2018 a escultura em madeira de São Jorge, que era uma das atrações da igreja de Estella, perto de Navarra, ficou irreconhecível, com uma camada de pintura que é "um desastre".

Perante estes exemplos, os especialistas em conservação em Espanha pedem uma legislação mais apertada, que impeça amadores e curiosos de tentarem fazer um trabalho de restauro que deveria ser qualificado.

Don Giovanni |Um mito universal ou o predador que nasce livre para se autodestruir


Mozart's DON GIOVANNI From London's Royal Opera House Arrives In ...

Mesmo tendo supostamente seduzido uma lista interminável de mulheres, Don Giovanni fracassa em suas investidas junto a Donna Anna, a Zerlina e à criada de Donna Elvira, mas no espetáculo ele é apresentado como um mitômano, que recorre mais ao poder, à intimidação e à força do que à sedução

Marcando o regresso aos espetáculos, a casa de ópera do Gran Teatre del Liceu, em Barcelona, teve lotação esgotada, mas com um público pouco comum: 2292 plantas. Os espetadores humanos, esses, tiveram de se contentar em assistir ao Concierto para el bioceno através de vídeo.

Don Giovanni, sedutor em série e narcisista obsessivo-compulsivo, apesar de violar as regras sociais acaba se traindo: acompanhado pelo sofisticado servo Leporello, vivemos seus casos de amor e perseguido pelo fantasma do homem morto na primeira foto. Jantando com ele e ele será instado a se arrepender, mas ele recusará. Parafraseando Carmen, do trabalho de mesmo nome de Bizet, "livre ele nasce e livre ele vai morrer".

Resultado da segunda colaboração bem-sucedida entre Mozart e Lorenzo da Ponte (depois de Figaro e antes de Così), Don Giovanni é um título ousado que conquistou o público desde a sua estreia em 1787. 


Don Giovanni

Juntamente com Dom Quixote e Faust, Don Joan faz parte dos mitos essenciais que construíram a Europa e o arquétipo sobre o qual retornar com novas idéias. Assim, na era do #MeToo, a ópera Don Giovanni representa o predador sexual a sangue frio, mas também a oportunidade de colocar a sociedade na frente de um espelho para mostrar a natureza generalizada do comportamento misógino.

Situado entre tragédia e comédia, este drama poderoso combina música cativante com um personagem central sedutor que fascina com sua complexidade psicológica. No palco, Christof Loy assina esta atraente produção da Ópera de Frankfurt, na qual o interior dos personagens é enfatizado e onde Don Giovanni começa uma caçada de 24 horas. Um anti-herói desesperado e solitário agora, incapaz de ter sucesso.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Leilão da guitarra de Kurt Cobain alcança a cifra de 6 milhões de dólares


Guitarra de Kurt Cobain utilizada no álbum "Unplugged" vendida por ...

Raro instrumento foi usado na gravação do álbum "MTV Unplugged in New York", em 1993, e foi vendida a um empresário australiano

A guitarra utilizada por Kurt Cobain na gravação do célebre álbum "Unplugged" dos Nirvana, em 1993, foi vendida no sábado, nos EUA, por seis milhões de dólares, um recorde para uma guitarra, indicou a leiloeira Julien's, Auctions.

O comprador é o empresário australiano Peter Freedman, fundador da empresa de microfones Rode Microphones, que participou fisicamente no leilão de objetos de ícones da música, realizado em Beverly Hills, na Califórnia, pela Julien's.

As licitações para a venda abriram em um milhão de dólares (quase 895 mil euros) e atingiram os seis milhões (quase 5,4 milhões de euros) com taxas e comissões, ultrapassando largamente as estimativas da leiloeira.

Até agora, a guitarra mais cara da história era uma Fender Stratocaster utilizada pelo guitarrista David Gilmour, do grupo britânico Pink Floyd, que rendeu 3,975 milhões de dólares (3,55 milhões de euros) durante uma venda organizada pela casa Christies's, em junho de 2019. 
Violão de Kurt Cobain é leiloado por R$ 31 milhões, um recorde | ND

A guitarra semiacústica, vendida com o estojo personalizado por Cobain, é um raro modelo D-18E, fabricado em 1959 pela empresa norte-americana Martin, que fez apenas 302 exemplares.

O álbum "MTV Unplugged New York" foi gravado num concerto em Nova Iorque a 18 de novembro de 1993, no auge dos Nirvana, o grupo de rock mais marcante da década de 1990 e representante do movimento musical grunge. O concerto decorreu menos de seis meses antes do suicídio, em 5 de abril de 1994, de Kurt Cobain, com uma depressão e viciado em heroína.

O guitarrista e cantor não assistiu ao lançamento de "Unplugged", que chegaria à liderança das tabelas de vendas quando foi lançado, em novembro de 1994. 
Outras preciosidades

Na sexta-feira, 19, no mesmo leilão, uma guitarra personalizada utilizada por Prince no auge da sua carreira, em 1980 e 1990, foi vendida por 563,5 mil dólares (504 mil euros), uma pequena quantia em relação à de Cobain, mas mesmo assim acima dos 100 mil a 200 mil dólares (89,5 mil a 179 mil euros) que a leiloeira esperava.

No mesmo dia, um cinto de macramé que Elvis Presley usou cerca de 30 vezes em palco conseguiu 298 mil dólares (266 mil euros), cerca de 10 vezes mais do que a estimativa, e um vestido cor de marfim usado por Madonna no seu vídeo "Vogue", de 1990, foi vendido por 179,2 mil dólares (160 mil euros).
Fonte: https://www.dn.pt/

As músicas de forró com letras de duplo sentido fizeram bastante sucesso nas décadas de 70 e 80


Live Ivete Sangalo | Arraiá da Veveta :: 19 News - LTV. Brasil ...
As letras do forró com duplo sentido, começaram a surgir no início dos anos 70, ainda de forma mais brejeira do que beirando a pornografia, mas elas foram se apimentando e algumas delas se tornaram mais explícitas do que subliminares

A cantora baiana Ivete Sangalo fez uma live no último sábado, 20, com um ótimo repertório de forró, com apenas duas escorregadas com músicas da rainha do sertanejo, Marília Mendonça. A certa altura do “Arraiá da Veveta”, mostrando sempre seu lado irreverente, ela interpretou duas músicas com letras de duplo sentido, que fizeram muito sucesso na década de 80, "Peguei no grilo dela" e "Centavos Novos”.

As primeiras músicas representantes dessa “moda”, duplo sentido, mas não escancaradas, foram “Ovo de codorna” e “Capim Novo”, gravadas por Luiz Gonzaga, além de “Procurando tu” e “Você tá boa”, grandes sucessos do repertório do Trio Nordestino. 
Logo depois, até mostrando uma nova face do país que saía dos grilhões da censura da ditadura de 64, outros artistas aproveitaram esse filão e fizeram muito sucesso. Eram letras maliciosas e, quase sempre, com cunho sexual, ainda que de forma disfarçada, mas cujas rimas deixavam claro o objetivo das composições.

Vejamos abaixo alguns representantes desse movimento e como alcançaram o sucesso no mundo da música.

Zé Duarte
Zé Duarte - Coletânea de Sucessos - 02 - YouTube
Intérprete de sucessos como “Velho Careca” e “Fede, mas é Gostoso”, Zé Duarte fez sucesso nos anos 80 com músicas de duplo sentido e ficou muito famoso no Nordeste. Hoje, o artista mora em São Paulo e adota uma linha de forró mais eclética.

Clemilda
Vinil Lp - Lote 5 Discos - Clemilda - Forró - R$ 55,50 em Mercado ...
A alagoana Clemilda, morta em 2014, aos 78 anos, foi um dos ícones do Forró de duplo sentido. Seus principais sucessos foram “Forró cheiroso” e “Prenda o Tadeu”. A cantora, que chegou a ganhar dois discos de ouro, gravou algumas versões remix dos seus principais sucessos e ficou na ativa até os últimos dias de vida.

Zenilton
Zenilton, O Grill Dela - R$ 49,90 em Mercado Livre
Ainda na ativa, aos 77 anos, mas um pouco sumido do cenário forrozeiro, o cantor Zenilton fez bastante sucesso nos anos 70 e 80 e gravou 19 discos ao longo da carreira. “Comilho Cru” e “O Gato da Rosinha” foram as suas canções mais executadas.

Sandro Becker
Sandro Becker - Julieta ( versão original ) - YouTube
Atualmente se dividindo entre a Bahia, Pernambuco e o Rio Grande do Norte, Sandro Becker fez muito sucesso nos anos 80 com músicas “Julieta” e “Gatinho Angorá”, que ganhou inúmeras versões. Seu forte era a rima a gargalhada presente em todas as faixas dos seus mais de 30 discos. Com cerca de 40 anos de carreira, Sandro se apresenta todas as quintas-feiras no bar Cubanakan, em Salvador, capital baiana.

Genival Lacerda
Genival Lacerda – músicas e álbuns : Vivo Música by Napster
Com 66 anos de carreira e 84 de idade, Genival Lacerda é um fenômeno da música nordestina. Ainda na ativa e fazendo shows por todo o Brasil, o artista é irreverente e possui um estilo singular. Atualmente, mistura antigos sucessos de duplo sentido com ritmos genuínos como xote, xaxado e baião. Dentre seus principais sucessos da carreira, podemos destacar “De quem é esse jegue”, “Mate o veio”, “Radinho de Pilha” e “Chevete da Menina”.

Texto: Euriques Carneiro

domingo, 21 de junho de 2020

“O Limite da Traição” é um drama sem grandes pretensões, mas que merece ser visto


O LIMITE... DA MINHA PACIÊNCIA | Crítica "O Limite da Traição ...
Isolamento há 3 meses, pandemia ainda grassando o país, a hastag #FiqueEmCasa continua em alta, então os filmes continuam sendo uma ótima opção para passar o tempo e esquecer um pouco o retiro forçado

As opções na TV aberta são escassas, mas nos canais por assinatura e, principalmente na Netflix, o cardápio é variado e para todos os gostos. Dos filmes de ação com muitos tiros e pancadaria até os clássicos do faroeste, há películas em todos os segmentos da sétima arte.

Um dos filmes do gênero drama, é O Limite da Traição, onde Grace Waters (Crystal Fox) é o pilar de longa data de sua comunidade na Virgínia, que enfrenta com classe a mudança de seu ex-marido e sua amante. Um dia, com a ajuda de sua melhor amiga, Sarah (Phylicia Rashad), ela tenta se colocar em primeiro lugar e conhece um novo interesse amoroso. Entretanto, Grace seu novo marido consegue destruir sua vida profissional e, principalmente, seu emocional. Trancada em uma cela, ela aguarda pelo seu julgamento por um assassinato, tendo como sua única esperança de vingança uma defensora pública inexperiente chamada Jasmine Bryant (Bresha Webb).

Enredo
O Limite da Traição Netflix filme - Filmes-Online.pt
Na trama, a inexperiente advogada Jasmine Bryant (Bresha Webb) se torna a encarregada de um caso de Grace Waters, que está em evidência na mídia. A personagem, uma mulher mais velha que aparentava não ter defeitos, é acusada de assassinar brutalmente o marido (Mehcad Brooks) e sumir com o corpo. 
A resolução parece ser simples, principalmente quando Grace assume a autoria do crime e aceita que um acordo seja feito para que ela fique encarcerada perto da família. É aí que Jasmine, mesmo contra a vontade do chefe, resolve investigar um pouco mais e, bem, nem tudo é o que parece.

O espectador conhece a história de Grace narrada por suas memórias e aprende que Shannon, o falecido, é tão charmoso quanto pilantra. Em poucos minutos, vamos do golpe dado pelo amante nem-tão-bonzinho-assim à jovem que quer se provar como profissional e salvar a sua cliente.

Não se trata de nenhuma obra de arte do cinema, mas quem o assiste, não fica imune ao drama de Grace e aguardando o desfecho da história, que tem seu melhor momento nas reviravoltas do terceiro ato. Não crie muitas expectativas, mas vale a pena ver o filme.

Charles Richard Patterson, o primeiro e único negro proprietário de montadora de automóveis


Nos Tempos da Administração Científica
A empresa por ela criada, a C.R. Patterson & Sons, fechou as portas em 1939, devido a problemas financeiros causados pela Grande Depressão, mas a sua história está preservada pelo Museu Nacional da História e Cultura Afro-Americana, do Instituto Smithsonian

Charles Richard Patterson nasceu em 1833, numa plantação, no estado da Virgínia. Charles se libertou entre 1840 e 1861, indo se estabelecer na cidade de Greenfield, no estado de Ohio, onde aprendeu o oficio de ferreiro e adquiriu notoriedade entre os comerciantes de carruagens.

Em 1873, se tornou sócio de um empresário branco chamado J.P. Lowe e juntos fizeram grande sucesso na construção de veículos com tração equina. No ano de 1893, Patterson comprou a parte de Lowe e fundou a C.R. Patterson & Sons Company, a primeira e única montadora de veículos terrestres fundada e gerida por afro americanos.

A empresa desenvolveu 28 modelos de carruagens para uso pessoal e profissional, sendo capaz de empregar algo por volta de 15 funcionários. Seu bom desempenho comercial tornou a família Patterson rica e respeitada.

Como ex-escravo e filho se tornaram os primeiros negros donos de ...

Charles morreu em 1910, deixando a empresa para seu filho Frederick, um jovem estudioso e atleta talentoso, que logo deixou as charretes de lado para entrar no mercado de automóveis. No início, a companhia trabalhava apenas com reparos e melhorias, mas em 1915 montou seu primeiro carro, o Patterson-Greenfield, com capacidade para cinco passageiros, custando US$ 685,00.

A quem diga que o produto dos Pattersons era superior ao Modelo T de Ford, mas C.R. Patterson & Sons nunca foi capaz de produzir em larga escala. Estima-se que a empresa produziu 150 veículos até 1918, quando abandou a produção e voltou ao ramo dos reparos.

Em 1920, passou a produzir carrocerias para ônibus e caminhões, se mantendo lucrativa até 1929, quando a Grande Depressão comprometeu as vendas. Sob a direção dos filhos de Frederick, o negócio sobreviveu até 1939, quando foi à bancarrota. 

Como ex-escravo e filho se tornaram os primeiros negros donos de ...

Não é um final feliz, mas organizações são como seres vivos, elas nascem, vivem e morrem. Sabemos que a Ford ainda está ativa, mas a C.R. Patterson foi fundada no século XIX, por um negro que fugiu da escravidão. Charles superou todos os obstáculos, que a sociedade colocou no seu caminho, e abriu a empresa que sustentou sua família por quatro décadas. Atualmente no Brasil, a maioria das empresas não passa dos cinco anos.

O inédito feito de Patterson e seus filhos está preservado no Museu Nacional da História e Cultura Afro-Americana, mas a instituição não tem registro de unidades preservadas do pioneiro Patterson-Greenfield. Porém, a história da família que emergiu da escravidão para comandar um negócio que perdurou por gerações está aí para ser contada, admirada e seguida.
Referência:
https://blackbluebusiness.blogspot.com/


sábado, 20 de junho de 2020

As aventuras narradas pelo Barão de Münchausen, de tão mirabolantes, assemelham-se às histórias de pescador


Barão de Münchhausen – Wikipédia, a enciclopédia livre
Tal barão de fato existiu, serviu ao exército russo e contava causos, que se transformaram em contos populares até ganharem o formato de livro, em 1785, por obra do cientista e bibliotecário alemão Rudolf Erich Raspe


São narrativas mirabolantes. É cadela que dá à luz no meio de uma perseguição, é um cavalo cortado ao meio que permanece vivo, são habitantes de três pernas em uma ilha de queijo… enfim, haja imaginação. O vocabulário é hermético, então sugiro para leitura compartilhada de 6 a 8 anos ou a partir daí para crianças já acostumadas com obras mais complexas.

Karl Friedrich Hieronymus von Münchhausen (1720-1797) foi um nobre e militar alemão que, por ter participado em duas campanhas contra os turcos, ao serviço do exército russo, foi promovido a capitão de cavalaria em 1751. As campanhas só duraram dois anos (1740/41), mas quando Karl se retirou para a sua propriedade em Bodenwerder, em 1760, renderam-lhe muitas histórias contadas a amigos e hóspedes ocasionais. Histórias exageradas, muitas delas inacreditáveis, mas que chegavam a parecer convincentes. 

Inevitável: acabaram por ser publicadas, escritas por outrem mas atribuindo-lhe a autoria. Primeiro na Alemanha, no Vade-Mécum para Alegres Companheiros, em 1781-1783; depois em Inglaterra, em 1785, traduzidas (e acrescentadas, já agora) por um alemão, Rudolf Erich Raspe, um bibliotecário endividado que se serviu da edição para "compor" o seu pecúlio. No ano seguinte, 1786, um outro alemão, Gottfried August Bürger, traduziu o livro de Raspe para o editar em Berlim; e acrescentou-lhe mais umas fantasias a seu gosto. O barão, ainda vivo, enfureceu-se com o epíteto que lhe haviam dado: "O barão das mentiras". Mas era tarde demais. A tal ponto que, em 1951, o médico britânico Richard Asher atribuiu o nome de Münchhausen a uma síndrome que levava os pacientes a mentirem e a criarem fantasias sobre o seu estado de saúde; e a revista alemã Der Spiegel chama Münchhausen-Check à sua secção de "fact-checking", onde se avalia o grau de veracidade, fantasia ou mentira de declarações públicas.

Morto o barão, as suas "histórias" (muitas criadas já por outros) passaram da literatura para o cinema. Em 1911, Méliès foi o primeiro a dedicar-lhe um filme. É uma curta-metragem muda a preto e branco, com 10m31s, intitulada As Alucinações do Barão de Münchhausen (é um dos seus últimos filmes e está no quinto DVD da edição integral e restaurada das obras de Méliès, lançada em 2012 pela editora espanhola Divisa). Depois, foi a vez dos alemães. Em 1941, em pleno Terceiro Reich e no fragor da II Guerra Mundial, os nazis acharam boa ideia ter um filme-espectáculo que mostrasse que podiam rivalizar com Hollywood. Goebbels, ministro da propaganda de Hitler, encarregou-se de garantir que nada faltaria aos estúdios para cumprirem a tarefa. 


O filme, o quarto a ser filmado a cores na Alemanha, foi uma extravagância chamada apenas Münchhausen e serviu ainda para celebrar os 25 anos dos estúdios UFA. Realizado por Josef von Báky, húngaro, teve como principal estrela (no papel do barão) o galã alemão Hans Albers, casado com Hansi Burg uma actriz... judia. Na febre da "obra", o Reich fingiu ignorar. Mas mais tarde Hansi teve mesmo de fugir do país, vindo a reunir-se ao marido já depois da vitória dos Aliados e reentrando na Alemanha (dizem) vestida com um uniforme britânico. Restaurado, o filme foi editado em DVD pela britânica Eureka em 2003 na versão média: 101 minutos dos 134 originais com cenas recuperadas e juntas à versão corrente de 88min.
As Aventuras do Barão Munchausen - Filme - Cinema10.com.br

Finda a guerra, vieram mais "barões": a Alemanha pôs Werner Jacobs a dirigir Münchhausen em África; na Checoslováquia, em 1961, o realizador checo Karel Zeman estreou Baron Prásil, a sua versão da história (há edição em DVD, legendada em inglês e espanhol); os russos (então soviéticos) fizeram cartoons em 1974/75 e uma grande metragem em 1979, dirigida por Mark Zakharov; e o inglês Terry Gillian, um honorável Monty Python, fez a versão mais arrojada, estreada em 1988 sob o título As Aventuras do Barão Munchausen (nome "britanizado", sem trema nem duplo H). Uma odisseia e quase uma batalha, como se fica a saber pelo extenso documentário incluído na versão em Blu-ray editada em 2008, pelo 20.º aniversário do filme.

Temos, assim, uma história alemã recriada em Inglaterra mas também filmada por franceses, alemães, russos, checos, reeditada em livro em muitos países e línguas e que, no caso do filme de Terry Gillian, envolveu uma produção tumultuosa com choques constantes entre ingleses, italianos (foi filmado na Cinecittà) e um produtor... alemão. Com fantasia, batalhas, diversão e muitas mentiras à mistura, não será Münchhausen a própria Europa?
Fonte: www.publico.pt


sexta-feira, 19 de junho de 2020

A encantadora Bruges com seu milênio de história, parece ter saído de um conto de fadas



Com seu charme que se mantém intacto como se estivéssemos passeando pela Bélgica de séculos atrás, tem-se a impressão que os relógios pararam de marcar o tempo em Bruges

Uma majestosa praça central iluminada por grandes candelabros, carruagens indo e vindo, ruelas estreitas com calçamento de pedras e canais bucólicos emolduram essa cidade medieval, romântica por natureza. Linda, como num conto de fadas. Tanto que seu centro histórico foi merecidamente tombado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco, em 2000 e logo depois, em 2002 ganhou o título de Capital Europeia da Cultura.

Quando comparamos com o Brasil e seus pouco mais de 500 anos de descobrimento, tem-se a real dimensão da longeva história de Bruges. O anonimato em que a cidade viveu durante mais de quatro séculos, fez dela uma das cidades medievais melhores conservadas do mundo. Até o século XV, Bruges foi uma das cidades mais prósperas do continente. Sua rede de canais, que a levou a ser comparada muitas vezes com Veneza, fez dela um importante centro comercial do norte da Europa.

No final do século XV, quando o rio Zwin sedimentou, a cidade passou a viver uma época de decadência. No início do século XX, quando a cidade estava muito abandonada e submersa na pobreza, foi alvo de uma profunda restauração, tornando-se um importante destino turístico.

Atualmente, mais de 3 milhões de viajantes visitam suas ruas de pedras a cada ano, fazendo dela a cidade mais visitada da Bélgica, à frente de Bruxelas. Bruges é a capital da região de Flandes Ocidental e, desde 2000, é Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. 


O que ver em Bruges
Embora Bruges seja uma cidade pequena e seja difícil perder algum detalhe, alguns dos monumentos que o turista deve visitar são os seguintes:
Praça Maior: Também chamada de Markt, essa praça é o coração de Bruges. Todos os sábados sedia um tradicional mercado.
Belfort: Está na praça anterior e é a torre mais característica de Bruges. Da parte mais alta, a 83 metros de altura e depois de subir 365 degraus, você terá as melhores vistas da cidade.
Burg: Segunda praça mais importante da cidade. Compete com a anterior pelo posto de mais bonita de Bruges.
Stadhuis: O edifício mais característico do Burg é, sem dúvida, a Prefeitura. Sua fachada data de finais do século XIV.
Onze Lieve Vrouwekerk: A Igreja de Nossa Senhora é a igreja mais famosa de Bruges e sua torre de 122 metros é a mais alta da Bélgica.

Para quem aprecia museus, há dois que vale a pena destacar: o Museu Gruuthuse, uma mansão medieval que nos faz voltar 5 séculos, e o Museu Groening, o museu de arte mais importante de Bruges. Se tiver tempo suficiente, não descarte um passeio de barco pelos canais.
Quanto tempo dedicar a Bruges

Bruges é uma cidade encantadora, mas suficientemente pequena para que muita gente acabe ficando entediada estando mais de meio dia. Muitos preferem pernoitar, mas normalmente faz-se uma visita de um dia, retornando no fim da tarde. 

Curiosidades Bruges
Curiosidades Bruges - O Que Visitar

  • No fim do século XV, Bruges era uma potência comercial e industrial, tendo na época o dobro de habitantes de Londres.
  • Por volta do século XIX os moradores da cidade tampavam as janelas com tijolos para pagar menos impostos já que as taxas das casas eram calculadas de acordo com o número de janelas.
  • No mês de maio há uma procissão em que os moradores da cidade se vestem com roupas históricas e encenam a chegada do conde de Flandres com esta relíquia católica.
  • Os aeroportos mais próximos de Bruges são: o aeroporto Internacional de Ostende (28km do centro da cidade) e Aeroporto Internacional de Bruxelas (105km do centro da cidade).
  • Na Basílica do Sangue Sagrado encontra-se uma relíquia do cristianismo: uma garrafa preservada com o sangue de Jesus e que é mostrada ao público todas as sextas-feiras durante a missa.
  • O campanário de Bruges (Belfry) foi construído em 1240 e abriga nada mais que 47 sinos.
  • Na igreja de Nossa Senhora (Onze Lieve Vrouwekerk) é possível encontrar uma madona feita por Michelangelo.
  • Entre maio e setembro é proibida a venda de bebidas alcoólicas das 23h até as 7h da manhã em lojas de conveniência.
  • “Huis ter Beurze” em Bruges foi a primeira bolsa de valores do mundo.




Catedral de Brasília | O primeiro monumento a ser criado em Brasília rendeu o Prêmio Pritzker a Oscar Niemeyer


Catedral de Brasília, um clássico de Niemeyer - Tô Pensando em Viajar
A Catedral teve sua estrutura pronta em 1960, onde apareciam somente a área circular de setenta metros de diâmetro, da qual se elevam dezesseis colunas de concreto (pilares de secção parabólica) num formato hiperboloide, que pesam noventa toneladas


A Catedral Metropolitana é um monumento criado na capital do país, Brasília, e foi projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer. O edifício é considerado uma obra de arte por dentro e por fora. Foi graças a este projeto que Niemeyer recebeu o prêmio máximo da arquitetura (o Prêmio Pritzker, em 1988).

A Igreja encontra-se situada na Praça de Acesso, ao lado da Esplanada dos Ministérios, local sugerido pelo urbanista Lúcio Costa, e foi inaugurada no dia 31 de maio de 1970.

Seguindo o estilo modernista, a construção possui dezesseis colunas de concreto que convergem num círculo central. A padroeira de Brasília (e, consequentemente da Catedral) é a Nossa Senhora Aparecida, também padroeira do Brasil. O templo conta com uma réplica original da santa, que se encontra em Aparecida (São Paulo). 
História Central de Imagens - Catedral de Brasília
O nome oficial da Igreja projetada por Niemeyer é Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida. O templo de Brasília teve a sua pedra fundamental lançada no dia 12 de setembro de 1958. A estrutura ficou pronta cerca de dois anos depois, em 1960. A inauguração, de fato, aconteceu dez anos mais tarde, em 31 de maio de 1970.

A igreja tem capacidade para receber quatro mil pessoas. Até a chegada da pandemia de Corona vírus, o templo funcionava plenamente, contando com missas diárias entre terças a sextas-feiras (às 12h15), sábados (às 17h) e domingos em três horários (8:30h, 10:30h e 18h).

Quem assinou o cálculo estrutural que permitiu a construção da catedral idealizada por Niemeyer foi o engenheiro Joaquim Cardozo. O edifício é um dos ícones do modernismo que celebra uma profusão de curvas e a liberdade da forma.

Do lado de fora da Igreja foram instaladas quatro esculturas de bronze, com 3 metros de altura, de autoria de Alfredo Ceschiatti, que representam os evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e João. O artista Dante Croce também colaborou com o trabalho. Como os evangelistas foram os primeiros a registrarem a história de Jesus Cristo na Terra, nas estátuas eles carregam pergaminhos nas mãos.

A Catedral de Brasília foi eleita pelos habitantes como a maravilha número um da cidade, sendo um dos principais pontos turísticos da capital do país.

O edifício foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no dia 19 de novembro de 1991.
Fonte: https://www.culturagenial.com/catedral-de-brasilia/
Por: Rebeca Fuks
        Doutora em Estudos da Cultura

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Correspondência de Van Gogh e Gauguin vendida por 210 mil euros


Carta de Van Gogh e Gauguin sobre bordéis é vendida por R$ 1,2 ...


A única carta conhecida escrita a quatro mãos por Vincent van Gogh e Paul Gauguin, onde são contadas as suas visitas a bordéis franceses, foi vendida por mais de 210.000 euros (237.000 dólares) num leilão em Paris

Como humildes mortais, os artistas narram as suas aventuras em bordéis franceses em correspondência que foi escrita na cidade francesa de Arles, onde o pintor holandês vivia desde fevereiro de 1888. Endereçada ao pintor Émile Bernard, figura-chave do movimento pós-impressionista, a carta foi escrita à mão pelos dois artistas e tem quatro páginas. Foi escrita em novembro de 1888, logo após Van Gogh divulgar algumas das suas obras mais conhecidas, incluindo "Bedroom in Arles", "Van Gogh's Chair" e grande parte da sua célebre série "Sunflowers".

A mensagem começa com as impressões de Van Gogh sobre Gauguin, descrevendo-o como uma "criatura intocada com os instintos de um animal selvagem". "Com Gauguin, sangue e sexo têm uma vantagem sobre a ambição", afirmava Van Gogh, antes de contar algumas das viagens com Paul Gauguin.

"Fizemos algumas excursões nos bordéis e é provável que acabemos indo para lá com frequência para trabalhar", escreveu Van Gogh. "Atualmente, Gauguin está a pintar uma tela sobre o mesmo café noturno que já pintei, mas com figuras vistas nos bordéis. Promete tornar-se uma coisa bonita", frisa.

Van Gogh também discute a intenção de criar uma associação de artistas, bem como referenciar estudos pictóricos que estava a trocar com o destinatário da carta, Émile Bernard. Gauguin continua com uma mensagem mais curta na terceira e quarta páginas. "Não dê ouvidos a Vincent", escreveu, "como você sabe, ele é propenso a admirar e diz ser indulgente".

Carta de Van Gogh e Gauguin vendida por mais de 210 mil euros

Van Gogh era conhecido por visitar regularmente bordéis. Além de retratar cenas ocorridas dentre dos estabelecimentos, o pintor holandês completou retratos de várias prostitutas, incluindo Sien Hoornik, uma costureira com quem teve um relacionamento no início da década de 1880.

Há registo de mais de 900 cartas escritas por ou para Van Gogh, embora a maioria seja entre o artista e seu irmão Theo. Os historiadores de arte usaram essa correspondência para entender melhor a vida conturbada do pintor, como ele costumava usar o meio para discutir assuntos pessoais, desde problemas financeiros a influências literárias.

No catálogo de vendas, a casa de leilões francesa Drouot Estimations declarou que, apesar da "fragilidade" da carta, o item é "excecional devido ao encontro extraordinário de dois imensos pintores, mas também pela lucidez e certeza de que a sua pintura revolucionará a arte das futuras gerações".

O leilão também contou com outra correspondência escrita por Gauguin, incluindo cartas para sua esposa e um amante desconhecido.

Fonte: https://www.dn.pt/