domingo, 17 de maio de 2020

Em “O Livro dos Insultos” Mencken mostra porque é tido como um dos maiores conhecedores da língua americana


H. L. Mencken e a arte do insulto para um país de bunda-moles ...
Durante a primeira metade do século XX, H. L. Mencken foi o mais franco defensor da liberdade nos Estados Unidos, chegando a gastar milhares de dólares desafiando as restrições à liberdade de imprensa


Mencken tinha coisas interessantes a dizer sobre política, literatura, culinária, saúde, religião, esportes e muito mais. Ninguém sabia mais da nossa língua americana

O Livro dos Insultos, que teve sua primeira tiragem em 1988, foi relançado com novo projeto gráfico da Companhia das Letras. Mencken pode não ser um grande filósofo, mas estão lá, igualmente, suas opiniões filosóficas. Não gostava de música popular, mas quase plagiou Vinicius de Moraes quando afirmou que "a paixão é o mais perigoso de todos os inimigos da suposta civilização.
Como fora uma demonstração ideal, afirmou que o "artista livre" seria "o homem que ganha a vida, sem nenhum patrão, fazendo coisas que lhe agradam, e que continuaria fazendo mesmo sem pressões econômicas". Mencken soa hoje mais inteligente e engraçado do que literário e profundo. Mas suas observações, de tão verdadeiras, ficam impregnadas em nós. Quando, por exemplo, diz que o camponês que vem para a cidade precisa se alienar, para não se sentir constantemente esmagado e explorado; ou quando conclui que ninguém está imune às opiniões e aos preconceitos de sua própria mulher; ou, ainda, quando prova que toda autobiografia sincera é uma contradição em termos.

No prefácio, Ruy Castro diz que o Mencken foi. Escrevendo, ele foi de tudo um pouco, mas acima de tudo foi um iconoclasta, ou seja, uma pessoa para quem nada é digno de culto ou reverência. Assim, ele escreve - sempre criticamente - sobre homens, mulheres, religião, moral, morte, economia, psicologia, governo, democracia, literatura, música, etc.


Todos os homens são fraudes. A única... H. L. Mencken

Basta ver o enorme índice do livro para se ter uma ideia da prolixidade de sua escrita. Na maior parte do tempo ele é engraçado. Algumas vezes é filosófico, irônico, preconceituoso ou alonga-se demais num assunto. Também não dá para concordar com tudo o que ele pensava (e o mundo mudou muito de sua época para nossos dias). Mas de todo modo, Mencken é sempre um pensador talentoso, irreverente e criativo – isso não se pode negar.

Mencken atira seus insultos contra tudo e contra todos, nada ou ninguém escapa. Mas em alguns tópicos dispara sua metralhadora mais intensamente ainda contra as instituições sociais e políticas. Como demonstram seus escritos sobre governo (parece até que está escrevendo sobre o nosso):

"Todo governo é composto de vagabundos que, por um acidente jurídico, adquiriram o duvidoso direito de embolsar uma parte dos ganhos de seus semelhantes." Ou ainda: "O governo [pode ser] visto não como um comitê de cidadãos escolhidos para tocar os negócios comuns a toda a população, mas como uma corporação separada e autônoma, devotada em primeiro lugar a explorar a população em proveito de seus próprios membros." Poxa, como isso é verdadeiro no caso brasileiro!

H. L. Mencken - História
Livro: O Livro dos Insultos - H L Mencken | Estante Virtual

Durante a primeira metade do século XX, H. L. Mencken foi o mais franco defensor da liberdade nos Estados Unidos. Ele gastou milhares de dólares desafiando as restrições à liberdade de imprensa. Denunciou audaciosamente o presidente Woodrow Wilson por estimular o fervor patriótico para entrar na Primeira Guerra Mundial, o que custou o seu emprego como colunista de jornal.

Embora fosse intensamente controverso, Mencken chegou a ser respeitado como o maior jornalista e crítico literário dos Estados Unidos. Estima-se que ele tenha produzido dez milhões de palavras: cerca de 30 livros, contribuições a mais de 20 livros e milhares de colunas para jornais. 


Escreveu cerca de 100 mil cartas, algo entre 60 e 125 por dia de trabalho. Catava milho com os dois indicadores para formar cada palavra – por anos, usou uma pequena máquina de escrever Corona, que era mais ou menos do tamanho de uma caixa de charutos.

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