terça-feira, 19 de maio de 2020

100 anos de João Paulo II o Papa mais “pop” da história


Processo de beatificação dos pais de São João Paulo II poderá ser ...
Polonês, Karol Jósef Wojtyla foi eleito Papa e rompeu uma tradição de papas italianos que vinha de mais de 450 anos atrás já que, antes dele, o último papa não italiano havia sido Adriano 6º (1459-1523), holandês
Quando João Paulo I, o “Papa do Sorriso”, foi sufragado pelo Conselho de Cardeais em 1978, os analistas viam a igreja católica em um processo de continuísmo com mais um Papa italiano e que, pelo histórico, nada aconteceria de novo nos dogmas dos seguidores de Pedro, o 1º Papa. Eis que o destino quis que o papado de Albiano Luciani (seu nome de nascimento), durasse efêmeros 33 dias e o mundo voltasse à expectativa de eleição de um novo ocupante do trono papal em um prazo tão curto que abalou as finanças do Vaticano.

Quando a fumaça branca surgiu na chaminé revelou a escolha de um novo Papa, mas novo na real acepção da palavra; apenas 58 anos, ainda guardando traços do seu histórico de atleta, que mesmo depois de eleito continuou usando um relógio a quartzo bastante simples e que trouxe avanços significativos para a Igreja Católica, se levarmos em conta que estamos falando de mais de quatro décadas atrás. 


Após JPII, Papa Francisco visita Suíça em peregrinação ecumênica ...

Evidentemente que, se o compararmos com o atual Francisco, João Paulo II seria um retrógado de carteirinha, mas o papa argentino é um ponto fora da curva e está em outro nível de humildade e avanços na condução do seu rebanho e dos destinos do catolicismo.

São João Paulo, - foi santificado em 2014, - além das facetas acima citadas como ser um papa polonês, depois de um longo período de papas italianos, era originário de um país com regime comunista, o que causou enorme surpresa e trouxe um punhado de esperanças. O cardeal arcebispo de São Paulo, Odilo Pedro Scherer, disse em recente entrevista, "Ele teve um papel decisivo nas mudanças políticas havidas no Leste europeu e foi muito ativo e influente nos processos de diálogo para a superação de conflitos e o estabelecimento da paz. Foi um batalhador pela dignidade humana e por maior justiça social e econômica no mundo."

Guerra Fria

O período em que João Paulo II exerceu seu papado foi marcado como um momento em que o mundo vivia uma forte divisão entre ocidente e oriente, com Estados Unidos e União Soviética na disputa conhecida como Guerra Fria. Era época e lugar para o debate entre mundo capitalista e mundo socialista. Ao mesmo tempo, ele herdou uma Igreja intensamente empenhada em seu papel social, sobretudo após o concílio Vaticano 2º (realizado entre 1962 e 1965) — e foi essa guinada à esquerda que ele procurou conter. Nesse particular, uma faceta também do Papa Francisco, mas com outra nuance.

Um viajante

Ao longo de seu papado, João Paulo 2º realizou 104 viagens internacionais e 146 dentro da Itália, conforme dados do Vaticano. Um recorde absoluto na história da Igreja. Sua terra natal, a Polônia, foi visitada nove vezes. Os Estados Unidos e a França, sete vezes cada. Foi um missionário por excelência.

João Paulo 2º era poliglota. Além de polaco, sua língua materna, expressava-se em italiano, inglês, português, alemão, francês, espanhol, ucraniano, russo, servo-croata, esperanto, grego e latim.

Visitas ao Brasil
O dia em que o Brasil parou para acompanhar João Paulo II

O Brasil ainda vivia os anos de chumbo da ditadura quando, em 30 de junho de 1980, João Paulo II tornou-se o primeiro sumo pontífice a visitar o Brasil. Foi uma longa viagem com paradas em diversas localidades, como João Paulo costumava fazer quando ainda tinha vigor para tais maratonas. Percorreu 13 cidades em apenas 12 dias: Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Aparecida, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Belém, Teresina, Fortaleza e Manaus.

Em seus pronunciamentos, ele defendeu reforma agrária, liberdade sindical, justiça social e direitos humanos — isso em plena ditadura militar. Por outro lado, criticou a Teologia da Libertação e enfatizou a condenação católica ao aborto. 


Homilia de São João Paulo II, em missa na Basílica, há 34 anos ...

João Paulo 2º voltaria ao Brasil já redemocratizado em 12 de outubro de 1991, dia da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. Em nove dias de viagem, esteve em dez cidades — Natal, São Luís, Brasília, Goiânia, Cuiabá, Campo Grande, Florianópolis, Vitória, Maceió e Salvador. Na capital baiana, visitou a religiosa Irmã Dulce (1914-1992), canonizada no ano passado pelo Papa Francisco.

Entre 2 e 6 de outubro de 1997, João Paulo 2º esteve no Brasil pela última vez, resumindo a jornada apenas ao Rio de Janeiro. "Se Deus é brasileiro, o papa é carioca", afirmou ele. João Paulo 2º pisou em território nacional também em 11 de junho de 1982. Em escala para uma viagem à Argentina, discursou no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro.

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