sábado, 11 de janeiro de 2020

Obras na “Praça do Poeta” levam à descoberta das ruínas do Teatro São João da Bahia


Antiga Fotografia Theatro
As escavações das obras da Praça Castro Alves, no Centro, trouxeram à baila um dos maiores orgulhos do centro da Salvador antiga, o Teatro São João da Bahia

Voltando no tempo, é possível até imaginar as carruagens luxuosas deixando senhoras e senhores à porta. Mais de 200 anos depois da inauguração de um dos maiores espaços culturais que o Brasil já teve, eis que o esqueleto do Teatro São João da Bahia ressurge em forma de ruínas. Parte da fachada e as escadas que davam acesso ao foyer, depois que se ultrapassavam uma das suas três suntuosas portas. 


Segundo secretário de Cultura e Turismo de Salvador, estrutura aparenta ser de uma fonte do Teatro São João. Arqueólogos fazem pesquisa para confirmar a relação.  — Foto: Arquivo Pessoal

O único testemunho material da existência de um dos principais prédios da história de Salvador deve fazer parte de um projeto de adaptação da prefeitura, que realiza a obra desde a Avenida Sete de Setembro. A ideia da Fundação Gregório de Matos é criar um espaço que utilize a estrutura da antiga fonte encontrada em escavações no final de 2019 como um palco para pequenos shows. Além disso, um sítio arqueológico com as ruínas da fachada do São João, fariam parte do mesmo ambiente e estariam ali para serem tocadas e contempladas.

Ocaso da Praça Castro Alves
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Afora o Carnaval e alguns parcos eventos pontuais, a Praça Castro Alves é pouco utilizada, apesar da sua vista linda e privilegiada. “Nossa ideia é fazer um projeto que movimente este lugar”, afirma Nivaldo Vieira de Andrade, professor da Faculdade de Arquitetura da UFBA, que vai elaborar o projeto da prefeitura. “Vamos agitar esse lugar o ano inteiro. Não seria um espaço para mega shows. É um palco pequeno. Esse seria um uso adequado. Até porque o palco está ali, pronto”, diz presidente da Fundação Gregório de Matos (FGM), Fernando Guerreiro, apontando para a fonte descoberta antes da fachada. “Pensei em chamar palco dos poetas”.

Discussão


O uso que se pretende dar às descobertas não chega a ser uma unanimidade. O professor de Teoria, Crítica e Projeto de Arquitetura da UFBA, Márcio Campos, diz que não vê sentido em colocar os achados para contemplação. “Caso não sejam enviados a um museu, a melhor forma de proteger é cobri-los novamente, o que acontece com 90% dos achados arqueológicos do mundo. Salvador não é Roma”, pondera Marcio Campos.

Polêmicas à parte, a descoberta não deixa de ser uma joia rara e traz reminiscências daquilo que foi a Capital dos Baianos” no passado. Se vai para um museu, exposta para contemplação ou recoberta com terra novamente, é uma discussão para os entendidos, - ou não, como diria Caetano Veloso, - e para o público em geral resta aguardar o desenrolar dos acontecimentos.

Referência: Correio da Bahia

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