terça-feira, 10 de setembro de 2019

Em Portugal, a apoteose estrondosa de 'Jojo Rabbit'


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Uma comédia com Hitler como amigo imaginário foi ovacionada de pé no Festival de Toronto. Chama-se Jojo Rabbit, de Taika Waititi, e é mais um filme no congestionamento da antecâmara dos Óscares, juntamente com Le Mans '66: O Duelo e Knives Out

Alemanha, durante a Segunda Guerra Mundial. Jojo (Roman Griffin Davis) é um jovem nazista de 10 anos, que trata Adolf Hitler (Taika Waititi) como um amigo próximo, em sua imaginação. Seu maior sonho é participar da Juventude Hitlerista, um grupo pró-nazista composto por outras pessoas que concordam com os seus ideais. Um dia, Jojo descobre que sua mãe (Scarlett Johansson) está escondendo uma judia (Thomasin McKenzie) no sótão de casa. Depois de várias tentativas frustradas para expulsá-la, o jovem rebelde começa a desenvolver empatia pela nova hóspede.

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Ocaso mais sério do TIFF foi e vai ser até ao final Jojo Rabbit, de Taika Waititi, com Scarlett Johansson e Sam Rockwell. O tal filme sobre um menino nazi na Alemanha da Segunda Guerra Mundial que tem como amigo imaginário Adolf Hitler (interpretado pelo próprio Taika Waititi) é também uma história de amor e amizade entre o menino fã da suástica e uma rapariga judia escondida no seu sótão. 


Farsa antiódio com comicidade de gozo puro à crueldade do III Reich, Jojo Rabbit é das coisas mais originais e provocadoras de humor que um filme de uma major americana (a Fox) teve coragem de lançar. Humor que contagia, mas que também arrepia, um pouco como também acontecia com A Vida É Bela, de Benigni. Mas nesta sátira há o nonsense contemporâneo muito ao estilo do humor de Waititi (quem tiver visto o último Thor ou What We Do in the Shadows vai compreender...), capaz de aplicar coordenadas pop ou o disparate mais absurdo. 

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Jojo Rabbit situa-se entre os limites do humor correto e a fina linha que pode ofender. É óbvio que está do lado do universo judeu e do seu próprio código de humor, mas também recorre aos Beatles e a David Bowie (na sua versão alemã de Heroes) para baralhar tudo. O resultado é uma montanha-russa de gargalhadas e de momentos para nos deixar em pele de galinha. 


Uma ode à coragem de todas as mães e ao espírito de resistência de quem já foi vítima de opressão. Não poderia ser o objeto mais atual para estes dias, mesmo quando, paradoxalmente, homenageia o espírito das comédias dos ZAZ (em especial Top Secret - Ultra Secreto) e a tradição de Mel Brooks.

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