domingo, 7 de abril de 2019

Espetáculo Ovo, do Cirque du Soleil, tem brasileiros no elenco


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O espetáculo Ovo está em turnê pelo Brasil e estreou, em Brasília na última sexta-feira. A autoria, direção e coreografia de Deborah Colker guiam o tom brasileiro da obra

Além do título em português, o show guarda outros traços tupiniquins, como as músicas, embaladas por ritmos regionais tais quais o samba, carimbó, maracatu e funk. Tudo realizado ao vivo por músicos brazucas. No entanto, o protagonismo brasileiro vai além, esteja ele diante dos holofotes ou não.

Ladybug
Ovo conta a história de uma colônia de insetos. Eles estão em harmonia até a chegada de um forasteiro ao local. Não bastasse o jeitão atabalhoado do novato, ele — uma mosca — se apaixona pela Ladybug, interpretada pela capixaba Neiva Nascimento. A atriz é a primeira brasileira a ocupar o posto de personagem principal no Cirque e, além de envolver o pretendente, ela também encanta o público com suas tiradas bem-humoradas e postura empoderada.

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Filha de artistas, Neiva deu os primeiros passos no circo quando ainda era criança. É formada pela Escola Nacional de Circo e já esteve em algumas caravanas. Ela está em Ovo há cinco anos e se apresentou em 14 países. Um sonho que demorou uma década para se realizar. “Eu fazia um trabalho social em uma ONG, até que o Cirque chegou para realizar audições em 2004. Foi lá que eles me conheceram, mas não passei. Porém, em 2014, 10 anos depois, eles me ligaram para esse papel”, recorda.

“Quando entro no palco, eu entro me entregando. Passando toda a energia que nós brasileiros temos de sobra. Os próprios estrangeiros, meus colegas, ficam parados me olhando e querendo saber da onde vem tudo isso. A força vem da gente mesmo, temos problemas, mas eles não dominam a gente. Brasileiro sempre tenta mostrar que está feliz”, se orgulha Neiva, em sua primeira apresentação em casa. “É diferente de todos os lugares que eu já estive”, revela.

Líder nos bastidores
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Já imaginou estar à frente de todo o treinamento físico e técnico dos artistas? É preciso considerar que são habilidades distintas como acrobacias, equilibrismo e contorcionismo. Soma-se a isso que o grupo é formado por 50 pessoas de 25 países. A faixa etária também é variada. Parece complicado, né? A tarefa requer, além do conhecimento técnico dos números, habilidades sociais para manter o grupo em paz. O responsável por essa engenharia humana é o paulistano Emerson Neves.

“Eu comecei no Cirque em 2006. Fui atleta de saltos ornamentais, fiz treinamento para um show e fui artista do espetáculo Saltimbanco. Depois, passei a ser treinador, tive uma experiência fora daqui e retornei para o Ovo há três anos. Minha vontade era continuar como artista, mas a idade e as lesões chegam. Como estive no palco e nessa rotina, com a experiência de ter vivenciado isso, eu acho que esse é o diferencial que eu tenho”, explica.

Em regra, os espetáculos ficam entre 10 e 12 semanas na estrada. Então, alguns problemas de relacionamento são naturais. “Eu tenho uma sensibilidade maior para ver essas coisas. Tem uns mais extrovertidos, outros são mais quietos. No meu começo como artista foi difícil, nem sempre a gente leva uma piadinha numa boa. Mas com o tempo você entende a diferença de cultura. Nem sempre todo mundo se entende. É preciso ter muito jogo de cintura”.

Serviço:

Ovo - Cirque du Soleil

Ginásio Nilson Nelson (SRPN). De 5 a 13 de abril. Os preços das entradas inteiras variam de R$ 260 a R$ 900. Confira os horários e valores detalhados no site do Correio.


Fonte: Correio Braziliense

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