segunda-feira, 25 de março de 2019

Mantendo uma tradição do seu Estado, Flávio Leandro firma-se como um dos maiores nomes da música Nordestina


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Sempre que me perguntam sobre os maiores compositores de forró de todos os tempos e eu costumo separar em dois grupos: os que já estão em outra dimensão e os que, graças a Deus, ainda estão entre nós, produzindo, cantando e encantando os apreciadores da boa música

Entre os que já partiram, não se pode deixar de fora, Humberto Teixeira, Zé Dantas e um compositor que foi importantíssimo na retomada da carreira de Gonzagão, quando este vivia um certo ostracismo após movimentos musicais como a Bossa Nova, o Tropicalismo e a Jovem Guarda. Estou falando do pernambucano João Silva, autor de canções que levaram Luiz Gonzaga a vender cerca de 500 mil cópias de um só disco. 
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No outro grupo, eu destaco um outro pernambucano de Caruaru e que tem um extenso rosário de músicas de sucesso: Petrúcio Amorim. Talvez, fora do seu Estado, a maioria das pessoas só conheçam suas musicas na voz de outros cantores, com destaque para o paraibano de Monteiro, Flávio José, que gravou quase todas as composições de Petrúcio. 
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Maciel Melo é outro ícone do forró, também nascido em Pernambuco, na cidade Iguaraci e, assim como Petrúcio, autor de inúmeros sucessos gravados por ele e por outros intérpretes. Lembro-me que na década de 90 eu chegava em um bar onde reuniam-se vários amigos e presenciei uma discussão sobre quem era o autor da música “Caboclo Sonhador”. Um grupo afirmava que era de Flávio José e outro contra argumentava que era Fagner, já que ambos gravaram a canção. “E aí, Euriques, qual dos dois é o autor? ”. “Sinto decepcioná-los, mas nenhum dos dois é o compositor e sim, Maciel Melo.

Perceberam que, dos compositores acima citados só um não é pernambucano? Pois é, o Humberto Teixeira é cearense de Iguatu. E para não fugir à regra, vamos abordar mais amiudemente a carreira de um outro pernambucano, - ô terra de cabra bom de forró... – este natural de Bodocó, Francisco Flávio Leandro Furtado, ou simplesmente Flávio Leandro, que também escreve seu nome nos anais da música nordestina, com canções que falam de amor, do sofrimento do povo da sua terra e de protesto por este mesmo povo viver ao desamparo de políticas públicas em todos os níveis.

Compositor precoce 
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Com apenas 13 anos de idade já começou a rabiscar suas primeiras composições e, em 1985, participou pela primeira vez de um festival, o Sementes da Terra, com o qual se apresentou cantando composições suas. Em 1987, ficou classificado em um dos primeiros lugares no Festival Estudantil da Canção, na cidade de Crato (PE).

Em 2004, recebeu o “Título de Cidadão Exuense”, na cidade natal de Luiz Gonzaga, Exu (PE), e, em agradecimento ao título, gravou o CD "Na casa do rei", interpretando canções do Rei do Baião. No ano seguinte, gravou a coletânea “Feliz da vida”. Em 2006, lançou seu primeiro DVD, “Dez léguas de Forrobodó”; dois anos depois, lançou mais um CD "Xô aparreio!". Em 2011, lançou mais um CD “Cheiro de nós”. Na mesma época, lançou seu segundo DVD.

Sempre privilegiando o forró pé-de-serra, ao longo da carreira teve composições suas gravadas por artistas como Elba Ramalho, Flávio José, Adelmário Coelho, Santanna O Cantador, Jorge de Altinho, Waldonys, Cristina Amaral, Maciel Melo e Petrúcio Amorim.

Realizou, em média, 150 apresentações por ano, em quase todas as regiões do país. Em 2012, participou da coleção tripla de CDs "Pernambuco forrozando para o mundo - Viva Dominguinhos!!!", produzida por Fábio Cabral, cantando a música "De mala e cuia", dele mesmo. Essa mesma canção foi um dos grandes sucessos da carreira de Flávio José, hoje um dos maiores intérpretes do gênero.

Outra grande composição de Flávio Leandro é “Oferendar”, canção na qual ele lançou sua filha Sarah Lopes nos palcos da vida. “Oferendar” foi gravada com uma linda roupagem pela paraibana Elba Ramalho e já faz parte dos grandes sucessos da carreira e Flávio Leandro.

Dentre as canções onde o compositor clama pela situação do povo nordestino é “Chuva de Honestidade”, que teve uma gravação histórica ao lado de Cícero Mendes e Chico Justino. A canção tem um refrão bastante sugestivo e retrata o momento que o país vive, com alguns bandidos de colarinho branco presos e a maioria solta e rindo da cara do cidadão brasileiro:

Eu sei que a chuva é pouca e que o chão é quente

Mas, tem mão boba enganando a gente, secando o verde da irrigação

Não! Eu não quero enchentes de caridade, só quero chuva de honestidade

Molhando as terras do meu sertão” 

Euriques Carneiro