terça-feira, 25 de setembro de 2018

Rennan Mendes: um talento raro que mescla sofisticação com o melhor do forró tradicional


A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, tocando um instrumento musical
Rennan Mendes: uma agradável surpresa ao participar do evento especial, a Conexão Uauá / Feira, no espaço Cúpula do Som, em Feira de Santana
O cartaz ressaltava como atração Rennan Mendes & Banda, até então um desconhecido para mim.

Aceitamos com prazer o convite dos amigos e fomos ao agradável espaço que tinha como fundo musical forró autêntico e uma canção em especial me fez prever que teríamos uma noite de musicalidade da melhor espécie. Estou falando de “Tributo a Zé Marcolino”, de Ton Oliveira que foi gravada pelo autor em parceria com Flávio José. Trata-se de uma música que dificilmente toca em rádios e só um público restrito tem conhecimento dela.

Por volta das 22:30 horas, abriram-se as cortinas e tem início o show da noite com Rennan Mendes trazendo no peito uma bela sanfona preta de 120 baixos, acompanhado de zabumba, triângulo e contrabaixo. Foram quase 3 horas de agradabilíssima apresentação com o Renan dando um show particular. 


O jovem sanfoneiro toca tudo de Dominguinhos sem esquecer de beber na fonte suntuosa de Gonzagão e outros nomes consagrados do forró como o maior compositor vivo de forró, Petrúcio Amorim, Maciel Melo e Flávio Leandro. Mas ele vai além e toca seresta, música baiana, - só as de qualidade, - e capricha no regionalismo da musicalidade da sua terra natal: Uauá. Como o ambiente estava repletos de uauaenses, cada canção que exaltava aquele pedaço do Nordeste levava o público a um estado de êxtase.

História
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Natural da conhecida “Terra do Bode”, Rennan está atualmente radicado em Juazeiro, tendo feito apresentações recentes em Angola, ao lado do consagrado sanfoneiro, cantor e compositor, Targino Gondim. Com raro talento, Rennan mistura o melhor do tradicional com pitadas de sofisticação, criando um ambiente para todas as tribos com qualidade e leveza incontestáveis.

Filho do também sanfoneiro Veinho de quem herdou o talento, ele tem influências musicais que vão além dos nomes consagrados, tendo como inspiradores Cavachão, Eugênio Cruz, Zé Manoel, Nilton Freitas, Maciel Melo, Maviael Melo, João Sereno, Sivuca, Adelmário Coelho, Trio Nordestino, Flávio José, Alcymar Monteiro, Amelinha, Acyoli Neto, Djavan, Zé Ramalho, Caetano Veloso, Villa Lobos, Tom Jobim, Gilberto Gil e muitos, muitos outros, além dos sons que vagam ao ar, poesias, causos, contos, jornais, revistas e notícias do cotidiano. 

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O que mais chamou a minha atenção no músico foi a sua intimidade com a sanfona. Mesmo quem não toca nenhum instrumento como eu, percebe a simbiose entre ele a sua companheira que traz colada no peito. Ele não faz qualquer esforço para tocar pois a música flui com incrível naturalidade. 

Prova disso foram as 3 horas ininterruptas de show sem aparentar qualquer cansaço. A impressão que eu tive é que ele tocaria mais 3 horas, pegaríamos o sol com a mão, com diz o verso da célebre canção de Luiz Gonzaga e ficaria inteiro como se tivesse começado a tocar há meia hora.

Um talento nato, desses que só aparecem de quando em vez. Esse é o Renan Mendes que ainda vai dar muito que falar no universo da música nordestina.

Euriques Carneiro

Um comentário:

  1. Um artista completo, parabéns Renan Mendes vc merece tudo isso e muito mais susseso

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