terça-feira, 28 de agosto de 2018

Brilho de Anjo: A bactéria que salvou soldados da guerra civil americana


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Enquanto o sol se punha após a Batalha de Shiloh em 1862, durante a Guerra Civil, alguns soldados notaram que suas feridas estavam brilhando em um azul fraco e esses foram os que sobreviveram de forma inexplicável

Os dois dias de conflito na Batalha de Shiloh, em abril de 1862, durante a Guerra Civil Americana, resultaram em 3 mil mortos. Esses foram os sortudos: nos dias seguintes, 16 mil feridos agonizavam no campo de batalha. Como acontecia em toda a guerra (e ainda acontece), os que sobreviveram tiveram que lidar com os ferimentos causados por balas e cortes com baionetas num terreno imundo e caótico. Microrganismos ainda não eram bem compreendidos e os antibióticos só viriam muito depois. Os grandes matadores não atendiam por canhão ou fuzil, mas gangrena e choque séptico.

Pareceu, então, realmente um milagre o que aconteceu em Shiloh. Na espera por ajuda, os combatentes ficaram sentados na lama por dois dias e duas noites. No primeiro anoitecer, algo horripilante e jamais ouvido: as feridas infeccionadas brilharam num tom azul-claro. Quando os soldados finalmente receberam tratamento, os médicos tiveram de abandonar seu ceticismo ao notar que os que relataram brilho em suas feridas se recuperaram melhor que os não “abençoados” pela luminosidade – apelidada então de Angel's Glow (“Brilho do Anjo”). 


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O episódio permaneceu um mistério até 2001, quando Bill Martin, um garoto de 17 anos, visitou o local onde ocorreu a batalha. Após ouvir sobre a história dos “soldados que brilharam no escuro”, Martin e o seu amigo John Curtis realizaram experimentos para descobrir se havia alguma conexão entre a cura das feridas e as bactérias bioluminescentes que vivem no solo. Sua mãe era uma microbióloga e já havia estudado esse tipo de microrganismo.
Bactérias brilhantes

Ao pesquisarem sobre as condições de clima e solo durante a Batalha de Shiloh, os dois descobriram que as luzes eram as bactérias Photorhabdus luminescens, que vivem nas vísceras de nematoides, vermes do solo. Eles invadem corpos de insetos e se fixam em seus vasos sanguíneos.

Ao infectarem esses animais, as “bactérias brilhantes” são liberadas no fluxo sanguíneo deles e produzem toxinas, que matam o inseto hospedeiro e expulsam ou dizimam outros microrganismos que estejam ali. As toxinas não funcionam em humanos. A outra parte é basicamente um antibiótico. Havia um buraco na teoria: as bactérias Photorhabdus luminescens não são capazes de sobreviver à temperatura do corpo humano. Como, então, teriam se infiltrado nas feridas dos soldados em 1862?

Os garotos descobriram que, no começo de abril daquele ano, a temperatura teria sido tão baixa que os soldados, à espera de ajuda médica, quase sofreram de hipotermia durante a noite. O frio tornou o corpo dos combatentes favorável ao microrganismo. O milagre, assim, atingiu quem esteve mais perto da morte.

Esses tiveram suas feridas tomadas pela Photorhabdus, que eliminou os organismos responsáveis pelas necroses. Como a bactéria não é adaptada para atacar humanos, o sistema imunológico dos soldados não teve dificuldade em eliminá-la. Resultando numa chance maior de sobreviver que a de quem não passou por hipotermia.

Referência: aventurasnahistoria (Thiago Lincolins)


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