segunda-feira, 25 de junho de 2018

José Dumont: o talentoso ator que é a própria cara do Nordestino


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Versátil e dotado de talento ímpar, José Dumont é um dos rostos mais emblemáticos do cinema brasileiro, que traduz tanto o operário, como o bandido pobre

Depois de superar a infância difícil numa família de modestos recursos, no interior da Paraíba e as dificuldades de um migrante na cidade grande, José Dumont teve que vencer, também, os obstáculos no mercado de trabalho e na produção cinematográfica brasileira, quase extinta nas décadas de 60, 70 e 80. Hoje é um ator premiado no cinema e na televisão, participando de filmes que ajudaram a levantar o cinema nacional.


Nascido na cidade de Belém de Caiçara, Paraíba, em 01/07/1950, José Dumont começou a atuar no teatro ainda nos anos 70 e já participou de mais de trinta filmes, entre eles: Lúcio Flávio — O Passageiro da Agonia, Gaijin, O Homem Que Virou Suco, O Baiano Fantasma, Avaeté, Tigipó, A Hora da Estrela, Brincando nos Campos do Senhor, Kenoma e Abril Despedaçado.


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Na TV, além do clássico Morte e Vida Severina, José Dumont fez novelas e séries como: Terra Nostra, Brava Gente, Mandacaru, Tocaia Grande, Guerra Sem Fim, Amazônia, Rosa dos Rumos, Pantanal, Olho por Olho, Carmem, Grande Sertão Veredas, De Quina Pra Lua, Corpo a Corpo, Padre Cícero, Bandidos da Falange, Lampião e Maria Bonita (fez Zé Rufino) e o premiado Plantão de Polícia.

Autodidata, aprendeu a ler sozinho, através de folhetos de cordel que via em uma feira próxima a sua casa. Mais tarde, lá mesmo, na Paraíba, fez o curso primário e chegou até a 6ª série. Não pôde prosseguir por causa da pobreza tremenda. Brincalhão, costuma dizer que, de tão pobre, sua família fazia parte da classe miserável C, porque pobre A ele é hoje.

Mas, não se pense que Dumont parou de estudar no primário e ficou nisso. Ele lê muito e procura se informar. Está sempre inquieto e com um olhar aguçado para o mundo — o que, afirma, o ajuda a aprender a vida.

Absolutamente crítico, fala sem rodeios sobre o massacre que a cultura popular, democrática e nacional sofreu a partir da ditadura. De forma objetiva e direta explica o cinema brasileiro, hoje, e no futuro.

Na trilha de um ator popular
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Tudo começou quando, em 1972, o brasileiro nordestino José Dumont deixou a Paraíba para tentar ser marinheiro em Santos, SP, depois de concluir um curso na Marinha Mercante. Como não conseguiu embarcar, ficou em São Paulo e trabalhou como carteiro, coisa que durou dois anos e pouco. "Tenho um caminho do migrante comum. Minha história é como a de qualquer outro migrante, que vem para a cidade grande tentar escapar da miséria", define.

Como vivia isolado, solitário na cidade grande, em um contexto cultural bem diferente do seu, começou a frequentar a noite paulistana em busca de boas companhias, de amigos. Em um determinado dia, quando foi assistir a uma peça de teatro, sem que planejasse, travou amizades com pessoas do meio artístico. Por isso, foi convidado a participar de uma peça que iriam encenar. Aceitou, sem saber que começava, naquele momento, sua carreira de ator.

Morte e Vida Severina
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Fui “apresentado” no início da década de 80, através do especial escrito por João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina, que conta através de uma narrativa poética, a trajetória de um homem que migra da estéril caatinga para a cidade.

Em sua peregrinação atrás de uma vida melhor, o retirante Severino (José Dumont) – “filho de Maria e Zacarias, da serra da Costela, limites da Paraíba”, como ele mesmo se apresenta – percorre as mais diversas situações às quais está exposto o povo nordestino: o enterro da vítima de emboscada, o velório sob ladainhas, a busca por emprego, a presença da rezadeira, a morte do cortador de cana no latifúndio, os numerosos enterros de retirantes na cidade grande, os raros de usineiros.

A viagem termina na cidade grande, mais precisamente em Recife. Imerso em fome e desalento, Severino pensa em suicídio, mas decide seguir adiante ao testemunhar, à semelhança de um auto de Natal, um nascimento na favela à beira do mangue. O especial acabou vencedor do Emmy Internacional de 1982, e ainda hoje figura entre as mais destacadas produções da TV brasileira de todos os tempos, graças ao talento de João Cabral de Melo Neto e dos recursos cênicos dos atores que a estrelaram.

Euriques Carneiro, com referências da anovademocracia.com.br

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