domingo, 10 de junho de 2018

“Amor sem Fronteiras” | Quinze anos de um filme que poderia ter marcado época


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Em um raro momento em que a indústria cinematográfica americana se esforçou tanto para retratar um tipo de tragédia social além-fronteiras dos EUA, “Amor sem Fronteiras” merece ser revisto mesmo quando o longa despenca para o romance água com açúcar

Logo no início de Amor Sem Fronteiras, o médico Nick Callahan, interpretado por Clive Owen, invade uma festa beneficente com o objetivo de protestar contra a hipocrisia de seu organizador, que havia cancelado, por motivos políticos, a verba destinada à ajuda humanitária na Etiópia. 


O forte discurso de Callahan provoca um impacto visível na socialite Sarah Jordan (Angelina Jolie), que decide doar 40 mil libras em alimentos para o acampamento chefiado pelo médico – os quais ela resolve entregar pessoalmente, partindo para a África sob os moderados protestos do marido. Lá, Sarah se depara com uma realidade desesperadora e conhece a tragédia da fome, que transforma seres humanos em esqueletos semi-vivos atormentados pela dor constante – e a aparência assustadora de uma criança à beira da morte (numa recriação da premiada fotografia tirada no Sudão por Kevin Carter, em 1993) demonstra a coragem da produção em chocar o espectador com imagens que, mesmo verdadeiras, parecem ter saído de um filme de terror. 

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Poucas vezes, aliás, um projeto hollywoodiano se esforçou tanto para retratar este tipo de tragédia social (provocada ou complicada por problemas políticos e/ou climáticos) com esta riqueza de detalhes – e, por isto, o roteirista estreante Caspian Tredwell-Owen foi, no mínimo, corajosa. Pena que resvalou para a pieguice quanto tira o foco da dura realidade e passa a mostrar um inverossímil romance entre Nick e Sarah.

Com essa virada da câmara, Amor Sem Fronteiras desperdiça a chance de se tornar um projeto relevante. Em alguns momentos, o filme parece disposto a discutir temas importantes, como a dificuldade em se levar ajuda a países cujos sistemas de governo desagradam aos Estados Unidos e os dilemas éticos vividos pelos voluntários das ONGs, que devem se abster de qualquer envolvimento com a política local (por mais revoltante que esta seja) para que não haja um comprometimento de seus trabalhos assistenciais – mas o roteiro logo descarta estes temas e retorna ao lado piegas do longa. 


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Depois de atuar nesta produção, Angelina Jolie decidiu adotar uma criança cambojana e se tornou Embaixadora da Boa Vontade da ONU – num claro indício de que suas experiências nas diversas locações utilizadas pelo projeto a afetaram sensivelmente. É lamentável, portanto, que o filme em si seja tão fútil, já que seus bastidores parecem ter representado uma forte experiência para todos os envolvidos.

Nesse contexto, fica empanado o brilho cênico do bom ator Owen, assim como as locações bem escolhidas pelo diretor de fotografia Phil Meheux. Quanto a Jolie, que depois desse filme se aproximou do altruísmo -, a atriz poderia esquecer essa atuação.

Após "Amor Sem Fronteiras" (2003), Angelina Jolie adotou seu primeiro filho, Maddox, durante as filmagens no Camboja. A atriz chegou a afirmar que o filme que ela gostaria de mostrar para ele, quando o menino tivesse idade suficiente para entendê-lo.

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