segunda-feira, 25 de junho de 2018

Nome de peso da moderna literatura portuguesa, Valter Hugo Mãe acaba de lançar o seu mais novo livro ‘Homens imprudentemente poéticos'


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Escritor, editor e artista plástico, Mãe cursou pós-graduação em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea na Universidade do Porto, possui livros publicados de poesia, contos e narrativa longa, destacando-se no panorama da literatura portuguesa pelo carisma e o ecletismo
A coincidência de completar 20 anos de carreira e ter um novo romance, 'Homens imprudentemente poéticos', poderia não ter acontecido pois foi um parto difícil para Valter Hugo Mãe. Ele fala sobre a inimizade de dois artesãos japoneses, um texto que recomeçou dezessete vezes: "Em algumas versões já tinha passado da página 100."

O esforço valeu a pena, pois este novo romance do autor é - mais uma vez - tão diferente que o torna uma das mais importantes vozes da literatura nacional, porque foge à vulgaridade do que a maioria dos autores da geração do terceiro milênio está a apresentar. Aliás, se já o tinha conseguido com a máquina de fazer espanhóis, por exemplo; se subira um grande degrau na busca e execução do romance que tem como cenário a Islândia, A Desumanização, volta a realizar uma escrita inesperada nesta narrativa japonesa. 

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Onde transporta o leitor de uma forma elegante e íntima para aquela parte do mundo sem o fazer passar por um voyeur de costumes. Mais, o registro encontrado para estes homens imprudentes surpreende por poder ser assinado por um escritor daquele país, tal é o modo como evita a confluência baralhada do olhar ocidental e se cinge à verdade da natureza - presença importante -, impondo-se o relato com uma reprodução de personagens que não desvirtuam as prováveis pessoas.

Estranha-se bastante a linguagem, "escangalhada" por um escritor que não se quer repetir e que ao teimar nessa meta entrega um dos muito poucos bons romances portugueses deste ano.

Em recente entrevista, foi-lhe perguntado: Ter um filho ou um livro. Qual é que lhe faz mais falta?

R - Como já escrevi sete romances o que gostaria era de ter um filho. Até digo mais, sabendo hoje o que sei trocava os meus sete romances por um filho. Quem não tem romance e tem filho, tem a obrigação de ser mais feliz do que eu.
‘Homens imprudentemente poéticos' chega às livrarias terça-feira, é surpreendente na reinvenção da língua portuguesa, no tema e cenário e aparece como promessa no mercado literário português em 2018.

José Dumont: o talentoso ator que é a própria cara do Nordestino


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Versátil e dotado de talento ímpar, José Dumont é um dos rostos mais emblemáticos do cinema brasileiro, que traduz tanto o operário, como o bandido pobre

Depois de superar a infância difícil numa família de modestos recursos, no interior da Paraíba e as dificuldades de um migrante na cidade grande, José Dumont teve que vencer, também, os obstáculos no mercado de trabalho e na produção cinematográfica brasileira, quase extinta nas décadas de 60, 70 e 80. Hoje é um ator premiado no cinema e na televisão, participando de filmes que ajudaram a levantar o cinema nacional.


Nascido na cidade de Belém de Caiçara, Paraíba, em 01/07/1950, José Dumont começou a atuar no teatro ainda nos anos 70 e já participou de mais de trinta filmes, entre eles: Lúcio Flávio — O Passageiro da Agonia, Gaijin, O Homem Que Virou Suco, O Baiano Fantasma, Avaeté, Tigipó, A Hora da Estrela, Brincando nos Campos do Senhor, Kenoma e Abril Despedaçado.


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Na TV, além do clássico Morte e Vida Severina, José Dumont fez novelas e séries como: Terra Nostra, Brava Gente, Mandacaru, Tocaia Grande, Guerra Sem Fim, Amazônia, Rosa dos Rumos, Pantanal, Olho por Olho, Carmem, Grande Sertão Veredas, De Quina Pra Lua, Corpo a Corpo, Padre Cícero, Bandidos da Falange, Lampião e Maria Bonita (fez Zé Rufino) e o premiado Plantão de Polícia.

Autodidata, aprendeu a ler sozinho, através de folhetos de cordel que via em uma feira próxima a sua casa. Mais tarde, lá mesmo, na Paraíba, fez o curso primário e chegou até a 6ª série. Não pôde prosseguir por causa da pobreza tremenda. Brincalhão, costuma dizer que, de tão pobre, sua família fazia parte da classe miserável C, porque pobre A ele é hoje.

Mas, não se pense que Dumont parou de estudar no primário e ficou nisso. Ele lê muito e procura se informar. Está sempre inquieto e com um olhar aguçado para o mundo — o que, afirma, o ajuda a aprender a vida.

Absolutamente crítico, fala sem rodeios sobre o massacre que a cultura popular, democrática e nacional sofreu a partir da ditadura. De forma objetiva e direta explica o cinema brasileiro, hoje, e no futuro.

Na trilha de um ator popular
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Tudo começou quando, em 1972, o brasileiro nordestino José Dumont deixou a Paraíba para tentar ser marinheiro em Santos, SP, depois de concluir um curso na Marinha Mercante. Como não conseguiu embarcar, ficou em São Paulo e trabalhou como carteiro, coisa que durou dois anos e pouco. "Tenho um caminho do migrante comum. Minha história é como a de qualquer outro migrante, que vem para a cidade grande tentar escapar da miséria", define.

Como vivia isolado, solitário na cidade grande, em um contexto cultural bem diferente do seu, começou a frequentar a noite paulistana em busca de boas companhias, de amigos. Em um determinado dia, quando foi assistir a uma peça de teatro, sem que planejasse, travou amizades com pessoas do meio artístico. Por isso, foi convidado a participar de uma peça que iriam encenar. Aceitou, sem saber que começava, naquele momento, sua carreira de ator.

Morte e Vida Severina
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Fui “apresentado” no início da década de 80, através do especial escrito por João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina, que conta através de uma narrativa poética, a trajetória de um homem que migra da estéril caatinga para a cidade.

Em sua peregrinação atrás de uma vida melhor, o retirante Severino (José Dumont) – “filho de Maria e Zacarias, da serra da Costela, limites da Paraíba”, como ele mesmo se apresenta – percorre as mais diversas situações às quais está exposto o povo nordestino: o enterro da vítima de emboscada, o velório sob ladainhas, a busca por emprego, a presença da rezadeira, a morte do cortador de cana no latifúndio, os numerosos enterros de retirantes na cidade grande, os raros de usineiros.

A viagem termina na cidade grande, mais precisamente em Recife. Imerso em fome e desalento, Severino pensa em suicídio, mas decide seguir adiante ao testemunhar, à semelhança de um auto de Natal, um nascimento na favela à beira do mangue. O especial acabou vencedor do Emmy Internacional de 1982, e ainda hoje figura entre as mais destacadas produções da TV brasileira de todos os tempos, graças ao talento de João Cabral de Melo Neto e dos recursos cênicos dos atores que a estrelaram.

Euriques Carneiro, com referências da anovademocracia.com.br

segunda-feira, 18 de junho de 2018

80 ANOS APÓS SUA MORTE, PERSISTE A SAGA DE LAMPIÃO: INJUSTIÇADO OU BANDIDO?


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Como Mossoró rechaçou um ataque de Lampião em 13 de junho de 1927 e fez com que os filhos daquela terra se orgulhassem do feito e pudessem contar às novas gerações o que seus antepassados tiveram a coragem de fazer

Mossoró era uma das mais prósperas cidades do Rio Grande do Norte. O coronel Rodolfo Fernandes, o prefeito, já havia alertado, nos últimos dias, sobre o perigo do ataque do “'rei do cangaço'” ao município. A maioria dos habitantes, no entanto, parecia não acreditar.

As notícias advindas da vizinha vila de São Sebastião, davam conta de que Lampião havia incendiado um vagão de trem cheio de algodão e depredado a estação ferroviária. Havia também arrasado a sede do telégrafo, uma modernidade sempre combatida pelo chamado por Virgulino, na tentativa de impedir que o seu paradeiro fosse sendo informado e ajudasse a polícia a persegui-lo.

A estratégia da prefeitura – que havia conseguido ajuda oficial em armas e munição, mas não em combatentes – era manter na cidade apenas os habitantes que estivessem armados. Assim, mandaram para Areai Branca a maioria de mulheres e crianças, acreditando que, quanto mais vazio o lugar, na avaliação do prefeito, maior a chance de repelir o bando de cangaceiros. 

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Para impor medo, Lampião enviou um bilhete chantageando a prefeitura. Nele, pedia a quantia de 400 contos de réis para não atacar o município, um valor pelo menos dez vezes superior ao que costumava exigir em ocasiões semelhantes. Na tarde de 13 de junho, feriado de Santo Antônio, ele e o bando já se encontravam nos arredores do município potiguar me como não teve resposta ao primeiro comunicado, já impaciente, bufando de raiva, manda um segundo aviso. 

Os termos do bilhete, que consta nos arquivos do jornal O Mossoroense (um dos mais antigos do país), eram muito diretos e recheados de erros de português: “Cel. Rodopho, estando eu aqui pretendo é drº (dinheiro). Já foi um a viso, ai pª (para) o Sinhoris, si por acauso rezolver mi a mandar, será a importança que aqui nos pedi. Eu envito (evito) de Entrada ahi porem não vindo esta Emportança eu entrarei, ate ahi penço qui adeus querer eu entro e vai aver muito estrago, por isto si vir o drº (dinheiro) eu não entro ahi, mas nos resposte logo”. Ele assinava “Cap. Lampião”.

O coronel Rodolfo Fernandes e seus homens disseram não a Virgulino, para surpresa do mais temido cangaceiro de todos os tempos. A cidade tinha o dinheiro, informou o prefeito. Mas Lampião teria que entrar para apanhá-lo. Às 16 horas daquele dia 13, caía uma chuvinha fina e havia uma neblina de nada sobre Mossoró. Foi quando os primeiros estampidos de bala ecoaram.
Sangue e areia 

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Lampião tinha 53 cangaceiros no seu bando. Não imaginava, porém, que iria enfrentar pelo menos 150 homens armados na defesa da cidade. O repórter Lauro da Escóssia estava lá, vendo tudo de perto. “Durante toda a noite, a detonação de armas em profusão. Parecia uma noite de São João bem festejada”, escreveu em O Mossoroense. Mas as mulheres que ficaram na cidade rezavam para outro santo junino, o Antônio festejado naquele dia.

No ataque, Lampião perdeu importantes cabras de seu bando. Colchete teve parte do crânio esfacelado por balas. E Jararaca, depois de capturado, foi praticamente enterrado vivo. Em menos de uma hora após o início da luta, o capitão do sertão ordenou então a retirada da tropa, para evitar a perda de mais homens e não manchar ainda mais sua reputação. “A partir desse momento a estrela do bando lentamente passaria a brilhar cada vez menos”, escreveu o historiador Pernambucano de Mello.

O mito do Lampião invencível caíra por terra, o que reanimou a força policial, que passou a enfrentar o rei do cangaço com menos temor. Era o começo do declínio da carreira de Virgulino. Por causa do desastre no Rio Grande do Norte, as deserções no grupo foram consideráveis. Mossoró, cidade conhecida por marcas pioneiras (como quando foi o primeiro município brasileiro a admitir o voto feminino, em 1934), passaria também à história por esse acontecimento que assombrou todo o Nordeste. Até hoje, os filhos daquela terra se orgulham do feito de braveza ao contar que seus antepassados “botaram Lampião para correr”. Os inimigos do cangaceiro, entretanto, ainda teriam que esperar mais 11 anos pela morte do capitão, assassinado somente em 1938, na chacina da gruta de Angicos, em Sergipe.

Crimes desmentidos

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Um dia depois do combate, quando o povo de Mossoró ainda temia o possível retorno de Lampião sequioso por vingança, um dos principais cangaceiros do bando, Jararaca, foi capturado se arrastando por um matagal. O que se deu a seguir foi um roteiro tragicômico, conforme a narrativa de Lauro da Escóssia, então repórter do jornal O Mossoroense. O nome do pernambucano Jararaca era José Leite de Santana. Ele tinha apenas 22 anos – nos registros policiais, contudo, aparece com 26. Mesmo com um rombo de bala no peito, conseguiu gargalhar durante uma entrevista na cadeia.

O cabra de Lampião dizia que era por causa das “lembranças divertidas do cangaço”. Entre as memórias que ouviu do preso, Escóssia descreve o dia em que Lampião teria invadido a festa de casamento de um inimigo e, com seu próprio punhal, sangrado o noivo. Já a noiva teria sido estuprada na caatinga pelos cabras do bando. Segundo o relato de Jararaca, Virgolino também ordenou que os convidados de um baile tirassem as roupas e dançassem um xaxado completamente nus.

Fato é que, na cadeia, Jararaca virou atração pública na cidade potiguar. Quando já apresentava alguma melhora do ferimento, mesmo sem ser medicado, ouviu que seria transferido para a capital, Natal. Era mentira. “Alta noite, da quinta para a sexta-feira, levaram Jararaca para o cemitério, onde já estava aberta sua cova”, relata Escóssia. Pressentindo a armação, Jararaca diz: “Sei que vou morrer. Vão ver como morre um cangaceiro!” O capitão Abdon Nunes, que comandava a polícia em Mossoró, relatou dias depois os momentos finais do capanga de Lampião: “Foi-lhe dada uma coronhada e uma punhalada mortal. O bandido deu um grande urro e caiu na cova, empurrado. Os soldados cobriram-lhe o corpo com areia”. Pelas circunstâncias da morte, o túmulo de Jararaca virou local de romaria. Até hoje as pessoas rezam e fazem promessas com pedidos ao cangaceiro executado. Na terra do Sol, Deus e o Diabo ainda andam juntos.

Vera Ferreira, neta de Lampião, vê muito folclore nesse tipo de história de crimes hediondos praticados por ou com a complacência do seu avô. Nega, a partir de suas pesquisas, que o cangaceiro tenha ordenado ou praticado estupros (ela é co-autora do livro independente De Virgolino a Lampião, que escreveu com o pesquisador Amaury Corrêa, dono de um dos maiores acervos sobre o rei do cangaço, em São Paulo). A neta do cangaceiro mantém um site oficial que contém inclusive o texto de uma longa entrevista concedida por Lampião em 1927: http://www.infonet.com. br/lampiao/

Referência: aventurasnahistoria.uol.com.br

sábado, 16 de junho de 2018

90 anos de Che Guevara o controverso revolucionário argentino, mas idolatrado em Cuba


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Argentino de nascimento, Cuba reúne um enorme rol de fãs e foram eles que comemoraram na quinta-feira os 90 anos do "insuperável soldado e revolucionário" Ernesto 'Che' Guevara (1928-1967)

A data contou com eventos em todo o país e o centro a cidade de Santa Clara, onde jazem os restos mortais do guerrilheiro cubano-argentino recebeu uma grande cerimônia no Mausoléu dedicado a ele. As comemorações começaram pela manhã com uma peregrinação do obelisco em homenagem ao herói independentista cubano Antonio Maceo até a praça do Mausoléu, na qual foi carregada uma estátua de mais de 16 metros que representa o Che com uniforme militar e com um braço em uma tipoia.

O túmulo de Che e de seus companheiros de luta em Santa Clara foi visitado por mais de 4,5 milhões de pessoas desde que seus restos mortais chegaram ao país em 1997, e serviu de sede central em outubro para a celebração nacional dos 50 anos da morte do guerrilheiro.

Trajetória
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De criança asmática e semi-moribunda a um dos principais líderes da Revolução Cubana. Leitor insaciável de Goëthe e Baudelaire, mas também atleta, inventor e médico oncologista pesquisador de plantas amazônicas. Mais do que el Comandante, o argentino Che Guevara construiu em seus parcos 39 anos de vida uma trajetória meteórica, num jogo de espelhos fascinante entre seus vários personagens. A exposição Le Che à Paris, em cartaz na Prefeitura de Paris, recupera sua estreita ligação com a capital francesa.

E na histórica capital francesa, ele cumpria um ritual específico: descer a pé a longa avenida de Champs Elysées até o Museu do Louvre para passar longas horas em frente ao quadro “A Nau dos Loucos”, de Jérôme Bosch. O motivo dessa excursão simbólica de Ernesto Che Guevara, quando em Paris, remonta a um ancestral do poeta revolucionário. Felipe Guevara, nobre de Flandres, defendeu [com sucesso] o célebre pintor do século 15 das acusações de “satanista” por parte da Inquisição.

Personagem controverso
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Um dos maiores críticos de Che, Humberto Fontova publicou o livro “O Verdadeiro Che Guevara” que, apesar declarar estar alicerçado em um levantamento de fatos históricos e testemunhas diretas do período revolucionário, ele é tão veementemente anti Che Guevara que o seu livro perde grande parte da credibilidade. Ao lutar tão ferozmente para desmistificar a imagem de um dos ícones políticos mais controversos do século XX, ele se perde em misto de raiva e até mesmo falta de educação ao estampar como sub título “e os idiotas úteis que o idolatram”. Faz lembrar inclusive as palavras carregadas de fel com as quais o jornalista de ultra direita Aloísio Nunes se refere a um certo ex-presidente do Brasil.

Fazendo um contra ponto com a narrativa de Fontova, um crítico escreveu: “Mas qual o interesse dos cérebros reaças de enlamear Che Guevara? Será que é porque não tem nenhum ídolo do lado de lá para servir de modelo aos jovens a não ser torturadores, generais ditadores e exploradores da miséria do mundo?”

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Como é da nossa linha, o Artecultural não emite juízo de valor. Deixamos as informações para análise e reflexão dos nos acompanham.


domingo, 10 de junho de 2018

“Amor sem Fronteiras” | Quinze anos de um filme que poderia ter marcado época


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Em um raro momento em que a indústria cinematográfica americana se esforçou tanto para retratar um tipo de tragédia social além-fronteiras dos EUA, “Amor sem Fronteiras” merece ser revisto mesmo quando o longa despenca para o romance água com açúcar

Logo no início de Amor Sem Fronteiras, o médico Nick Callahan, interpretado por Clive Owen, invade uma festa beneficente com o objetivo de protestar contra a hipocrisia de seu organizador, que havia cancelado, por motivos políticos, a verba destinada à ajuda humanitária na Etiópia. 


O forte discurso de Callahan provoca um impacto visível na socialite Sarah Jordan (Angelina Jolie), que decide doar 40 mil libras em alimentos para o acampamento chefiado pelo médico – os quais ela resolve entregar pessoalmente, partindo para a África sob os moderados protestos do marido. Lá, Sarah se depara com uma realidade desesperadora e conhece a tragédia da fome, que transforma seres humanos em esqueletos semi-vivos atormentados pela dor constante – e a aparência assustadora de uma criança à beira da morte (numa recriação da premiada fotografia tirada no Sudão por Kevin Carter, em 1993) demonstra a coragem da produção em chocar o espectador com imagens que, mesmo verdadeiras, parecem ter saído de um filme de terror. 

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Poucas vezes, aliás, um projeto hollywoodiano se esforçou tanto para retratar este tipo de tragédia social (provocada ou complicada por problemas políticos e/ou climáticos) com esta riqueza de detalhes – e, por isto, o roteirista estreante Caspian Tredwell-Owen foi, no mínimo, corajosa. Pena que resvalou para a pieguice quanto tira o foco da dura realidade e passa a mostrar um inverossímil romance entre Nick e Sarah.

Com essa virada da câmara, Amor Sem Fronteiras desperdiça a chance de se tornar um projeto relevante. Em alguns momentos, o filme parece disposto a discutir temas importantes, como a dificuldade em se levar ajuda a países cujos sistemas de governo desagradam aos Estados Unidos e os dilemas éticos vividos pelos voluntários das ONGs, que devem se abster de qualquer envolvimento com a política local (por mais revoltante que esta seja) para que não haja um comprometimento de seus trabalhos assistenciais – mas o roteiro logo descarta estes temas e retorna ao lado piegas do longa. 


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Depois de atuar nesta produção, Angelina Jolie decidiu adotar uma criança cambojana e se tornou Embaixadora da Boa Vontade da ONU – num claro indício de que suas experiências nas diversas locações utilizadas pelo projeto a afetaram sensivelmente. É lamentável, portanto, que o filme em si seja tão fútil, já que seus bastidores parecem ter representado uma forte experiência para todos os envolvidos.

Nesse contexto, fica empanado o brilho cênico do bom ator Owen, assim como as locações bem escolhidas pelo diretor de fotografia Phil Meheux. Quanto a Jolie, que depois desse filme se aproximou do altruísmo -, a atriz poderia esquecer essa atuação.

Após "Amor Sem Fronteiras" (2003), Angelina Jolie adotou seu primeiro filho, Maddox, durante as filmagens no Camboja. A atriz chegou a afirmar que o filme que ela gostaria de mostrar para ele, quando o menino tivesse idade suficiente para entendê-lo.

terça-feira, 5 de junho de 2018

2018 MARCA OS 83 ANOS DO “LEBENSBORN”, O INSANO PROGRAMA NAZISTA DE REPRODUÇÃO HUMANA


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Em mais uma aberração nazista, “As crianças de Hitler” tentou criar gente 'ariana' com o programa 'Lebensborn' que, entre outras atrocidades, arrancou crianças dos braços de seus pais para encontrar os genes 'desejáveis'

Algumas histórias que estão nos escritos históricos, de tão loucas e inadmissíveis parecem ficção fruto do imaginário dos escritores, mas chega a ser aterrorizante saber das atrocidades que certos seres humanos são capazes de cometer. E a realidade nesse caso, é mais cruel do que podemos imaginar.

Durante a Alemanha nazista, sob o controle da SS (organização militar nazista) e do de Heinrich Himmler, foi criado um programa secreto chamado ‘Lebensborn’, “fonte de vida” em alemão. 


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Em um arroubo de loucura que só poderia sair da mente doentia dele, surgiu o rumor sobre a intenção de Adolf Hitler de criar uma raça perfeita finalmente se tornava um fato; estava convencido de que apenas os arianos puros deveriam ser os governantes do mundo. Deste modo, adaptou um laboratório SS para realizar os experimentos com a nova geração pertencente à elite nazista.

O ‘Lebensborn’ era um programa contrário ao Holocausto, pois aqui o objetivo principal era, a todo custo, preservar a pureza da raça ariana, independentemente dos meios para alcançá-lo.

Como a narrativa é bastante longa, resumimos abaixo os pontos principais do programa com seus dados mais relevantes, evidenciando outra faceta cruel da era nazista.

Gestação 


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A entrada de mulheres grávidas no programa foi condicionada a características raciais rígidas e específicas: deviam ter fundamentalmente olhos azuis, cabelos loiros, pele branca e alta estatura. Também foi necessário verificar a identidade do pai (da mesma fisionomia) e verificar que não apresentavam problemas genéticos.

Himmler encorajou a procriação de seus oficiais da SS com mulheres qualificadas para o programa, buscando o nascimento de crianças arianas mais puras.

Expansão de Lebensborn
Devido à escassez de crianças classificadas como arianas puras na Alemanha, o regime nazista ampliou o programa Lebensborn aos países ocupados no norte e oeste da Europa, principalmente na Polônia e na Noruega.

Os vikings
A origem da raça ariana se deu na Noruega. Os antigos vikings eram considerados progenitores da “raça perfeita”. Himmler afirmou que os escandinavos possuíam a aparência física ideal da raça ariana, bem como o sangue mais puro. Eles criaram clínicas exclusivas para o nascimento de bebês de mães norueguesas e militares alemãs.

Finalmente, quando a guerra terminou, essas “crianças de Hitler” tiveram que suportar atos discriminatórios, já que foram consideradas “filhos do inimigo”.

Crianças raptadas
Milhares de crianças que apresentavam características de um ariano puro foram sequestradas de seus lares com o objetivo de serem enviadas para a Alemanha e criadas por famílias nazistas. Em abrigos especiais, receberam nomes alemães, aprenderam a língua, a cultura, os costumes e foram induzidos a ideologia nazista.

Extermínio de “impuros”
As crianças sequestradas que não cumpriram as condições de pureza foram levadas a campos de concentração e, em seguida, exterminadas, impedindo, assim, a propagação de seus “genes impuros”.

Sem identidade
Entre os anos 1936 e 1945, as clínicas alemãs produziram cerca de 8 mil nascimentos. Por se tratar de um programa secreto, muitas dessas pessoas não foram oficialmente registradas, nunca conheceram sua origem, nem sua identidade, muito menos a de seus pais.

Retorno dos raptados
Após o fim da guerra, em 1947, as crianças sequestradas pela SS foram procuradas e questionadas se deveriam ou não retornar para suas famílias. A maioria deles já se consideravam alemães, porém não se lembravam do passado e temiam ser separados de suas famílias adotivas. Apenas 3% retornaram aos seus países de origem.

Germanização
Estima-se que existiram dez clínicas Lebensborn na Alemanha e nos países ocupados, e cerca de 25 mil crianças foram sequestradas e levadas para a Alemanha para “germanização”.

Fim do programa
Não se sabe quantas crianças foram sequestradas. Ao perceberem que iriam perder, os nazistas trataram de queimar os arquivos.

Estimativas feitas pelo governo polonês sugerem que 10 mil crianças foram tomadas e menos de 15% devolvidas a suas famílias biológicas. Já estimativas feitas pelo historiador australiano Dirk Moses sugerem que esse número é o dobro. A maioria dessas crianças não teve a (duvidosa) sorte de Matko em descobrir seu passado.

Quanto às mulheres que participaram do programa, foram escorraçadas pela sociedade. Tinham o cabelo raspado, as roupas rasgadas, foram espancadas e desfiladas pela cidade - por uma população que, dias antes, ainda jurava fidelidade ao Fuhrer. Certamente alguns deles ainda cuidando de crianças tomadas de longe. 


Referência: http://www.editoracontexto.com.br/



domingo, 3 de junho de 2018

Cruz das Almas BA | São João 2018 só com atrações ligadas ao forró


Na contramão da maioria dos municípios da Bahia que promovem festejos juninos, Cruz das Almas repete 2017 e só tem forró autêntico no seu tradicional São João

No afã de agradar gregos e troianos, até festejos com décadas de história como Caruaru PE e Campina Grande PB, há muito já abandonaram as tradições e passaram a incluir na grade de atrações nomes do sertanejo, do axé e até o arrocha. Uma grande parte da população se indigna, mas outra parcela gosta dessa diversidade, ainda que isso descaracterize o autêntico festejo junino que homenageia os santos Antonio, João e Pedro.

Mas um município da Bahia resolveu desde o ano passado que o seu afamado São João teria apenas atrações ligadas ao forró de verdade. O prefeito da cidade já anunciou a sua decisão de contratação exclusiva de bandas e artistas de Forró para os festejos juninos de Cruz das Almas, um dos mais tradicionais do estado.

De acordo com o prefeito, a proposta visa resgatar a tradição do São João, que sempre foi marcada pelos passos do forró, mas que ultimamente vem sendo cooptada por artistas de outros ritmos, principalmente axé, arrocha e sertanejo. A medida logo virou polêmica nas redes sociais.

Enquete publicada na página do São João da Bahia, questionou internautas sobre a validade da medida e advinha o resultado? Sim! A maioria concorda que o São João em Cruz das Almas deve ter somente bandas/artistas de Forró Resultado positivo também para enquete lançada pelo prefeito no Facebook.

Trabalho de 10 artistas é atração de nova exposição do Museu de Arte da Bahia - MAB


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Com programação multi artística que reúne bate-papos poéticos, pinturas, esculturas e outras expressões artísticas contemporâneas, MAB recebe visitantes desde o sábado 02.06

Um programa diferente onde você pode ir ao museu conhecer o trabalho de dez artistas contemporâneos e depois pegar uma van para circular por seus ateliês com direito a muitos bate-papos. Tudo isso sem precisar levar nada – nem dinheiro – além da vontade de ouvir e participar. É a partir dessa experiência que a arte itinerante e a interatividade tomam o Museu de Arte da Bahia desde o último sábado (02), através da exposição intitulada de Arte de Passagem.

Na mostra, os artistas expõem trabalhos que tratam de temas relevantes para a sociedade, como intolerância à escolha sexual e/ou preconceitos diante de certos tipos de arte. As exibições contam com pinturas, esculturas e outras expressões artísticas, que são marcadas pela interação entre artistas e público. 

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Com papos intimistas, os criadores prometem abrir os corações, das 13h às 19h, e contar sobre os processos criativos de cada obra presente. Para os encontros, que acontecem apenas aos sábados, uma van sai do MAB para circular pelos espaços, que ficam nos bairros do Rio Vermelho, Barra, Centro e Calçada.

"Ao receber em seus ateliês, o Coletivo Arte de Passagem borra as fronteiras do pensar e fazer artístico, constituindo-se em um exercício contemporâneo que dialoga com práticas inclusivas e acolhedoras, contrapondo-se dialeticamente a um manto de intolerância e ódio que ameaça tomar o país", analisa Pedro Arcanjo, diretor do MAB. 

A exposição coletiva é composta apenas por obras de artistas visuais da capital baiana. Entre eles, estão nomes como: Willyams Martins, Ana Paula Pessoa, Beth Souza, Daniela Steele e Sandro Pimentel. “É uma temporada que serve como metáfora para falar de subjetividades e sobre como elas produzem células estéticas”, explica Willyams Martins, um dos expositores.

O Museu



Fundado em 1918, o Museu de Arte da Bahia é considerado o mais antigo museu da cidade e destaca pinturas de mestres da arte sacra baiana, datadas dos séculos 18 e 19, como José Joaquim da Rocha e seu discípulo, José Theófilo.

Em seu acervo estão peças de porcelanas europeias e orientais, joias, moedas, fotografias, manuscritos e prataria. O Governo do Estado da Bahia incentivou uma campanha de popularização e simplificação dos nomes de peças antigas, para facilitar a compreensão dos visitantes. O local passou a oferecer também apresentações de música, teatro e poesia para atrair um público diversificado.

Serviço:

MAB (Corredor da Vitória).
De terça a domingo, das 13h às 19h. até 7/7.
Itinerâncias com van gratuita: todos os sábados.

Referência: Ibahia.com