terça-feira, 15 de maio de 2018

Mostrando que continua sendo o velho e bom Spike Lee, o diretor se refere ao presidente Trump como um grande FDP


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Numa altura em que a imprensa cannoise já está histérica a prever a Palma de Ouro, o novo filme de Spike Lee, BlacKkKsman, chega com estrondo de um trovão

Um regresso aos seus dias de aclamação com uma obra que se passa nos anos 1970 mas que remete para a escalada de racismo nesta América de Trump (o filme acaba com imagens reais de Charlotte e da marcha de ódio do ano passado).

Inspirado no caso real de um detetive negro da polícia do Colorado que conseguiu enganar o líder do Ku Klux Klan e tornar-se membro da organização, Spike Lee faz um filme engagé, uma lança política que denuncia um dos piores flagelos americanos, a organização racista. Há uma militância orgânica que aqui é agilizada com um humor que é certeiro na caricatura dos assassinos racistas do KkK.

— Nós temos um sujeito na Casa Branca, eu não vou dizer o nome dele, que no momento decisivo, não apenas para a América, mas para o mundo, teve a chance de dizer: 'Nós estamos do lado do amor, não do ódio'. E aquele filho da puta não denunciou a maldita (Ku Klux) Klan, os extremistas de direita e os nazistas filhos da puta. Ele poderia ter dito ao mundo: "Nós somos melhores do que isso".  Resultado de imagem para spike lee BlacKkKsman 2018


Extremamente correto, repleto de ideias de cinema e com uma lavra de ensaio sobre a linguagem e a palavra, BlaKkKsman não hesita em seguir as pisadas do modelo do policial. Um documento dos nossos dias para a América refletir sobre o mal e as suas vozes cada vez mais vivas. A sua ovação de pé no Palais durante muitos minutos diz muito sobre este acontecimento cinematográfico.

Mas "Acontecimento" é também The House That Jack Built, de Lars von Trier, retrato de um serial killer americano encarnado com afinco por Matt Dilon. Passou fora da competição na seleção oficial e há relatos de revolta de um público indignado. Um belo filme de um cineasta que está com dons provocatórios cada vez mais requintados, embora, por vezes, se perca num certo exibicionismo teórico.

Fonte: https://www.dn.pt

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