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domingo, 6 de maio de 2018

Guernica – A vila destruída que inspirou a obra prima de Picasso


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A data do horror é 26 de abril de 1937, quando aviões alemães e italianos miraram em civis numa vila do país Basco dando início à tétrica estreia do bombardeio de terror uma das maiores marcas da Segunda Guerra

Foram 24 aviões, pilotados por homens das aeronáuticas da Alemanha e da Itália. Lentamente, alternando formações, voando a menos de 200 metros de altitude, eles gastariam três horas e 15 minutos sobre Guernica, entre 16h30 e 19h45 de 26 de abril de 1937. Quando eles se foram, mais de 70% da área urbana estava arrasada. As fábricas de armas que existiam na região havia décadas ficaram intocadas. Nenhum canal de acesso estratégico, nenhum edifício governamental, industrial ou militar foi destruído. Na doutrina militar em vigor até então, uma ação inútil. 

O ataque massivo visava única e exclusivamente a população civil e os locais onde ela vivia - em grande parte, mulheres e crianças, já que os homens estavam fora, disputando a Guerra Civil Espanhola. Era um ensaio: na grande guerra que viria, realizar ataques massivos contra inocentes se tornaria prática corriqueira. Aconteceu em Londres, em Dresden, e, seu ponto culminante, em Hiroshima e Nagasaki. "O bombardeio de terror contra Guernica teve o objetivo de levar as lideranças bascas ao pânico e forçá-las a aderir ao general Franco", afirma o historiador britânico Paul Preston, professor da London School of Economics e autor de The Destruction of Guernica.
Dia de feira

O ataque foi realizado em um dia estratégico: todas as segundas-feiras, os agricultores da região se reuniam (e até hoje se reúnem) na praça principal para vender seus produtos. A vila recebia visitantes dos vilarejos vizinhos, interessados na feira. Nessas ocasiões, circulavam pelas ruas de Guernica 10 mil pessoas. Há controvérsias se o mercado foi realizado naquela data em específico, porque o governo local vinha restringindo as grandes concentrações de pessoas. Mas o fato é que quem escolheu a data conhecia a região e queria alcançar o maior número possível de civis.

Porque 26 de abril?
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E quem escolheu a data? Por muitos anos, essa não foi uma resposta óbvia, ao menos para os próprios espanhóis. O massacre foi seguido por anos de negativas de seus perpetradores. Em tempos de guerra, as informações eram escassas e, quando o conflito acabou, os vencedores omitiram quaisquer informações. "Eles queimaram a cidade inteira e depois culparam os comunistas. Minha irmã dizia: Não, os vermelhos não têm aviões", e as pessoas respondiam: "Sua comunista, vamos cortar seu cabelo". Não podíamos nem dizer quem era o verdadeiro culpado pelo ataque", conta a sobrevivente Josefina Odriozola em uma entrevista à BBC.

A dificuldade de lidar com aqueles tempos confusos é tão grande que ainda hoje não se sabe exatamente quantas pessoas morreram no episódio: as estimativas variam de 150 a 1.650. A conta mais aceita fica na casa de 300 vítimas fatais. "O número exato de vítimas nunca vai ser conhecido, porque as forças de Franco tomaram a cidade logo depois, não tiveram a menor preocupação de registrar os nomes das vítimas. Só começaram a reerguer a cidade depois de 1939", afirma Paul Preston.
Memória dolorosa

Fênix
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A vila de Guernica se recuperou do ataque e passou dos 5 mil habitantes, para 16 mil que tem hoje. Continua sendo referência para os bascos e a Gernikako Arbola continua de pé. A cidade mantém um Museu da Paz, que se dedica a debater os efeitos pavorosos dos conflitos militares. Mas não abriga, curiosamente, a obra de arte que a consagrou no imaginário popular e transformou o bombardeio numa agressão impossível de esquecer.
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A Guernica de Pablo Picasso nasceu em 1937, na França. Entre 1939 e 1981, foi abrigada pelo Museu de Arte Moderna de Nova York, a partir de onde viajou o mundo inteiro, incluindo o Brasil, na década de 1950. Só voltou para a Espanha depois do estabelecimento da democracia - Picasso havia exigido que a obra só tocasse sua terra natal quando o país deixasse de ser uma ditadura. Desde 1991 permanece no Museu Rainha Sofia, em Madri. Os moradores de Guernica tentam há décadas, sem sucesso, ficar com a guarda do trabalho que eternizou seu sofrimento.

Se não conta com a obra-prima de Picasso, Guernica sobrevive sobre escombros e cadáveres insepultos. "O governo espanhol nunca procurou pelos corpos soterrados pelos escombros da cidade", afirma a professora Helen Graham. "Guernica se reergueu sobre os corpos nunca resgatados."

Referência: aventurasnahistoria.uol.com.br

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