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terça-feira, 17 de abril de 2018

57 anos da Invasão da Baía dos Porcos: um dos grandes fiascos americanos


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Há 57 anos, ataque supostamente ultrassecreto — anunciado antes pelo New York Times e pela Rádio Moscou —terminava com 1202 presos e um rotundo fracasso dos EUA

No dia 17 de abril de 1961, a agência de notícias UPI divulgou ter recebido uma nota do embaixador argentino em Cuba, Julio Amoedo, sobre uma força invasora que havia desembarcado no sul da ilha de Fidel Castro.

Há 20 anos, em 22 de fevereiro de 1998 foi divulgado pelo Arquivo Nacional de Segurança dos EUA, que a operação militar havia começado a ser planejada pela CIA (Agência Central de Inteligência) em agosto de 1959, por ordem do presidente Dwight Eisenhower. A ideia inicial era preparar exilados cubanos para se infiltrarem em Cuba e organizarem uma dissidência anticastrista. Para tanto, a CIA lançou, em março de 1960, seu Programa de Ação Encoberta Contra o Regime de Castro, com um orçamento previsto de US$ 4,4 milhões.

O documento de 150 páginas, escrito em fins de 1960 pelo almirante Lyman Kirkpatrick, revela que, em setembro de 1960, passou a dominar a ideia de um ataque armado. A CIA estava convencida de que poderia derrubar Fidel Castro, da mesma forma como havia deposto o governo reformista de Jacobo Arbenz, na Guatemala, em 1954. A agência de espionagem garantia que o povo cubano, farto de entrar em filas, esperava um sinal de rebelião. O objetivo estratégico dos EUA, no entanto, era conter um alastramento do comunismo na América Latina.
Rebelião interna simulada 


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Para executar a invasão, exilados cubanos e herdeiros das empresas norte-americanas nacionalizadas pelo governo de Fidel Castro formaram o Exército Cubano de Libertação, com armamentos norte-americanos e bases de treinamento no Panamá e na Guatemala. Para simular uma rebelião interna do exército cubano, os aviões dos EUA envolvidos na invasão foram camuflados com a estrela da força aérea de Cuba.

Castro soube do ataque com antecedência e já esperava a invasão na ilha. Che havia passado a informação a ele. Acredita-se que algum dos exilados treinados pelos EUA era um espião que passava informações ao governo cubano. Quando as forças invasoras chegaram à Baía dos Porcos, as tropas de Fidel, treinadas e equipadas pela União Soviética, derrotaram os exilados em três dias.

Não que Fidel precisasse da ajuda de Che. A Rádio Moscou havia anunciado o ataque quatro dias antes. “O problema para a CIA era criar uma força invasora poderosa o suficiente para vencer... mas não tão forte a ponto de revelar o apoio americano. A invasão, em essência, tinha que ser cubanizada – feita para parecer amadora.” Nesse ponto, a agência fez um belo trabalho: em três dias, os 1202 rebeldes que escaparam da morte estavam na prisão em Havana.


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