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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Para onde caminha a nossa música popular brasileira?


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Caros leitores que nos acompanham aqui no Artecultural. Navegando nos sites que falam de MPB, vi o artigo abaixo que compartilho aqui no nosso espaço. Vale salientar que o ponto de vista do autor não necessariamente bate com o que pensamos, mas achamos algo diferente no posicionamento de Rodrigo Teixeira e resolvemos compartilhar. Boa leitura a todos!

Euriques Carneiro
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O cenário atual da música brasileira ‘enche o saco’

Ok, isso é um belo de um vespeiro.

Eu deveria ficar com minha boca fechada, pra não arrumar confusão. Mas não aguento, então gostaria apenas de pontuar que, daqui pra frente, é opinião, opinião e opinião. Não sou nem um crítico gabaritado, sou somente um sujeito de gosta de música. Beleza?

Críticos gostam de falar de cenários. O cenário atual do pop, o cenário atual do Rock. A cena do underground. Bom, se a analogia é com artes cênicas, eu creio que a música nacional está passando pelos dias de teatro do absurdo. Por um lado, temos uma indústria totalmente profissional, movimentando montanhas de grana pra produzir merda. Seria como o Gerald Thomas on drugs produzindo uma versão teatral de Chaves. E do outro, lado atores profissionais interpretando Hamlet, mas com cenários produzidos pelas tias do Colégio Primário Toquinho de Gente.

Quando eu era moleque, 80% do que a gente ouvia vinha de fora. E os músicos reclamavam, nos chamavam de colonizados, de alienados, de vendidos aos ianques. Pois corta pra 2016, e hoje mais de 70% do que se ouve é nacional. Bom, né?

Será?

Não vou entrar em juízo de valor. Talvez o caminho seja esse mesmo. 50 anos tentando descobrir quais seriam nossas impressões digitais musicais para chegar a conclusão de que aquilo que nos representa mesmo são duplas de sujeitos gritando com vozes agudas, calças apertadas e chapéus de vaqueiro. Mas como isso cansa.

Eu me encontro bem de ‘mau’ com a música nacional. Não tenho saco, não tenho paciência, tudo me causa náusea, sono, revolta ou os três juntos, o que é quase um daqueles episódios de Pokemon que despertavam epilepsia.

Não aguento ouvir falar de mais uma música sertaneja cujo refrão é alguma expressão idiomática levemente modificada, ou alguma onomatopeia. Não aguento mais saber que eles gostam tanto de cerveja, mulher e alguma outra coisa aleatória, estou ‘cagando’ para o fato de que eles levaram um chifre e estão tristes, mas vão superar e dar a volta por cima. Não quero mais mistura de guitarra com sanfona.

Não consigo acreditar que ainda existam variações de temas para cantar como Salvador no Carnaval é bom. Que existam formas novas de falar “tererê-tê-TÊ-rê-RÊ!” em axés, nem maneiras físicas de “sair do chão” e “quero ver as mãos” que a lei da gravidade e da anatomia permitam.

Por outro lado, grande parte da chamada Nova MPB me dá sono. Primeiro, porque tudo que eu falei até o momento deveria ser MPB, já que é popular, e bem, infelizmente é brasileiro, mas como não faz parte desse clube de gente chique e com cara de quem acordou e não penteou o cabelo, fica de fora. Mas me falem a verdade, as pessoas precisam ter nascido com uma ‘paciência de Jó’ para aguentar a quantidade absurda de “iáiás e iôiôs” e “shimbalauês” dessa galera. É muita fofinhice, muito complexo de ‘emoticon’, muita bundamolice. A MPB séria perdeu os dentes, e vive cantando o quanto sopa de água com amor é lindo. 

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Aliás, gente, que tanto amor é esse? Ok, como diria o Paul McCartney, eu gosto de tanto de “tolas canções de amor” quanto qualquer um, mas pra tudo há um limite. Eu não sei o que se esgotou, se foi o assunto, a coragem para falar dele ou a minha paciência. Mas sinto que essa galera ‘supernhóim’ não quer muito ficar colocando o dedo em feridas que podem desagradar uns e/ou outros. E dessa forma, vai ficar difícil alguém escrever um novo “Como nossos pais”, ou um “De Frente pro Crime”. É tudo gostosinho, melódico, suave e brocha.

O lado contrário disso é o funk, que, segundo algumas correntes ideológicas, eu deveria respeitar, porque é música do povo, pelo povo e para o povo, mas ‘catzo’, como eu acho ruim, primário, tosco. Pra mim o funk (a corrente carioca do funk, que fique claro) é uma piada que alguém levou a sério. As primeiras vezes que ouvi era quase uma atividade humorística. Alguém tinha um CD de proibidão para ouvir os caras gritando barbaridades como quem tem uma fita do Costinha ou do Manhoso no carro. Era zueira. Mas parece que alguém levou a sério, porque agora tem gente que ouve funk mesmo. Assim, direto, playlist com 200 músicas seguidas no celular, para ouvir no talo enquanto trabalha. Ou no ônibus, no alto falante do carro, em qualquer lugar, desde que todo mundo ouça junto, queira ou não.

Os temas são de uma diversidade de impressionar qualquer boteco. A julgar por essa produção cultural, a favela (desculpem se parece reducionista, mas todos os funks que eu ouço falam somente da favela) só quer saber de transar com as novinha, de usar droga e detonar a polícia. Nas vertentes femininas, a situação se inverte, mas não o teor. Há quem diga que é música do povo. Eu acho bem triste se for. Ver rico ouvindo essa música como se isso, por si só, fosse um movimento de contra cultura é apenas patético. Tenho saudade da época que qualquer pessoa precisava se curvar à genialidade de um Cartola. Sinto que esse espasmo de boçalidade possa estar eclipsando o aparecimento de novos talentos genuínos, indispensáveis.

Há pouco tempo eu assisti a uma velha entrevista do Cazuza num programa da Marília Gabriela, e fiquei pensando: que sujeito interessante. Quantas opiniões diversas, surpreendentes, que inteligência. Mesmo quando eu não concordava com ele, era admirável a facilidade e soltura que ele exprimia suas opiniões, com aquela cara de ‘foda-se se você não gostar’. Livre. Não era só ele: corra no Youtube, e assista qualquer entrevista de TV concedidas nos anos 80 e 90. Não é uma questão de nostalgia, parece que havia mais o que falar.

Hoje, quando vejo as musas da música nacional falarem mais de 3 frases, elas estão sempre sendo juradas de algum programa que premia quem canta mais tempo em contralto qualquer coisa com a entonação de uma Whitney Houston da Bahia, ou estão dizendo qual demaquilante ou creme antirrugas elas usam para deixar a pele como seda após os shows. Raro quando alguma declaração me faz parar por mais de cinco minutos para ouvir. 

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E os “musos” da música nacional? Quem são? Se alguém souber, me fala por favor. Mas tem que ser alguém que não vá comentar sobre plantação de tomate ou sobre o pôr do sol em Cuiabá. Me diz alguém como o Caetano, por favor. Alguém que tenha mais o que dizer.

Talvez porque eles só se pronunciem através dos assessores de Social Mediadeles. E só se vistam através dos Personal Stylists. Em entrevistas com pautas pré-decididas, com fotos grandes, em praias desertas. E mesmo assim, alguns desses gênios ainda conseguem dizer que “se pegassem tal repórter gostosinha, a quebraria no meio”. Que decepcionante isso vindo de um país que tinha um Vinícius de Moraes, que conquistava com suas namoradas com poesias. E olha só que coisa demodê (ainda se fala demodê?), casava com elas.

É triste perceber que até o momento não falei do rock. É que por decisão editorial, prefiro falar sobre quem ainda está entre nós. Os defuntos, esses é que não movem moinhos mesmo. De uma forma triste, o rock parece uma planta mais rara. Não consegue viver num cenário de desolação tão absoluta.

Mas pra não dizer que não falei das flores, é justamente dele que sinto mais falta. Na minha juventude, era do Rock que vinham as vozes que diziam o que eu não tinha maturidade pra dizer. Eram os Renatos Russos, Lobões, Leos Jaimes e Cazuzas que traduziam nossas angústias, fossem elas políticas, sexuais ou amorosas. Eram eles que sentiam o que eu não sabia em dar nome. Eles eram nossa voz. Hoje meu filho bem que procura, mas acaba encontrando seus temas nas mesmas vozes que eu encontrei há tanto tempo.

Curiosamente, o que (literalmente) movimenta os jovens de hoje é a música eletrônica, e seus festivais (literalmente) intermináveis, com horas e horas e horas de som ininterrupto batendo sem dó na cabeça do povo. Não que eu entenda, mas costumo ver os eletrônicos com mais simpatia, porque pelo menos parecem estar experimentando mais, brincando mais, se atirando de maneira menos corporativa e mais corajosa. Porém, veja que interessante, a grande maioria das músicas não tem nem letra.

A julgar pelo silêncio no horizonte da música popular, ou essa geração não tem problemas, ou nasceu muda. 

Rodrigo Teixeira Resultado de imagem para rodrigo teixeira - designer
Designer e desenhador. Apaixonado por filmes, séries, quadrinhos e livros. Sommelier de bolacha de maizena.

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