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domingo, 6 de agosto de 2017

Prêmio ajuda na preservação de sítio arqueológico da memória da escravidão


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O Prêmio de Expressões Afro-Brasileiras, concedido desde 2009 sob o patrocínio da Petrobras, contemplou este ano, na categoria especial de preservação de bens culturais, o Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos, que abriga o Cemitério dos Pretos Novos 

O Pretos Novos integra o Circuito Histórico e Arqueológico da Celebração da Herança Africana, na zona portuária do Rio de Janeiro, e do qual faz parte também o Cais do Valongo, espaço que conquistou este mês o título de Patrimônio Mundial Cultural, concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Com o prêmio, entregue na última segunda-feira (31) em cerimônia no Teatro Rival Petrobras, o instituto receberá uma verba de R$ 100 mil para a conservação de seu patrimônio, considerado de valor inestimável e ameaçado pela falta de recursos. Entre 1772 e 1830, no denominado Cemitério dos Pretos Novos eram enterrados os escravos que, debilitados pelas horrendas condições das longas viagens nos navios negreiros, morriam nos primeiros dias de chegada ao Brasil.

Estima-se que entre 20 mil e 30 mil escravos tenham sido enterrados no local. Em 1996, o casal Merced e Petruccio Guimarães, novos proprietários do casarão, resolveram fazer uma reforma no imóvel. Ao escavarem o chão da casa, descobriram ossadas pertencentes aos negros ali enterrados, quando o local fazia parte do grande mercado de escravos que constituía essa parte da região portuária carioca.

Foram encontrados mais de 5 mil fragmentos arqueológicos no local, e os ossos não cremados encontrados permitiram identificar 28 corpos, a maioria deles de homens com idade entre 18 e 25 anos. Pontas de lança, argolas, colares, contas de vidro, artefatos de barro, porcelanas e conchas também fazem parte do acervo.

Além de local de estudos e pesquisas arqueológicos, o IPN, criado e dirigido por Merced Guimarães, funciona como centro de informação cultural e artística, com uma galeria de arte e uma biblioteca, ambas com o nome de Pretos Novos. Para se manter, a instituição recebia, até o ano passado, um aporte da prefeitura do Rio, por meio da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região Portuária (Cdurp), de R$ 85 mil por ano.
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Mesmo enfrentando dificuldades financeiras, os arqueólogos do Museu Nacional que atuam no instituto realizaram, recentemente, a descoberta sem precedentes da ossada completa de uma jovem africana de cerca de 20 anos. Batizada de Bakhita pela equipe chefiada pelo arqueólogo Reinaldo Tavares, a ossada encontra-se em bom estado de conservação e é considerada única também por ser de uma mulher, já que a maior parte dos africanos sepultados no local era formada de homens.

Coordenador do grupo de trabalho encarregado da candidatura do Cais do Valongo a Patrimônio da Humanidade, o antropólogo Milton Guran considera o sítio arqueológico que o IPN abriga o testemunho vivo da perversidade da sociedade escravocrata. “Nós chamamos de cemitério, mas, na verdade, esse local era um aterro sanitário, em que corpos de seres humanos eram jogados junto com corpos de animais, cacos de lixo urbano, pedaços de bois e tudo o mais”, enfatizou Guran, durante a manifestação realizada em abril deste ano na sede do IPN, em solidariedade à instituição e à sua luta por recursos financeiros que assegurem a manutenção.


Referência: EBC

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