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domingo, 13 de agosto de 2017

Palestra da escritora Conceição Evaristo causa comoção e inspiração na Flipelô


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No segundo dia de atividades abertas para o público, um dos casarões do Centro Histórico de Salvador pareceu pequeno para a plateia que assistiu, na noite da sexta-feira (11), à palestra da escritora mineira Conceição Evaristo


Ela que é uma das principais convidadas para a primeira edição da Festa Literária Internacional de Salvador, a Flipelô, em pouco mais de uma hora, falou sobre gratidão, reconhecimento, resistência, negritude, racismo e militância, sem deixar de lado a arte que a consagrou como uma figura premiada e reconhecida internacionalmente: a literatura. 

Aos 71 anos, Conceição Evaristo, reconhece que seus esforços foram válidos para que chegasse onde chegou. No entanto, fez questão de agradecer aos presentes e às mulheres negras em geral, por a terem lido e levado suas obras a espaços sociais, como coletivos de militância, escolas, universidades e livrarias.

O anfiteatro do Sesc Pelourinho lotou, a ponto de uma parte do público ser direcionada à arena externa do espaço, onde o bate-papo foi transmitido, por meio de um telão, em tempo real. Entre frases e palavras de incentivo e de resistência, Conceição Evaristo arrancava aplausos dos presentes e elogios dos mais diversos. Ovacionada do início ao fim da apresentação, a escritora - que dá voz a histórias da mulher negra por meio de seus personagens – arrancou, também, risadas com seu bom humor e pitadas de ironia.

Personagens inspirados em conhecidos
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obre suas obras, Conceição Evaristo disse que muitas personagens foram inspiradas em pessoas com as quais conviveu desde que saiu da periferia de Belo Horizonte e foi para o Rio de Janeiro, onde se graduou em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela contou ao público o processo pelo qual passou, quando escreveu Insubmissas Lágrimas de Mulheres, atribuindo a enfermidade que enfrentou, durante o doutorado, à “crueldade da academia”.

A autora ainda revelou que pretende lançar um novo livro de contos, cujo modelo se assemelha a Insubmissas Lágrimas de Mulheres. O título da obra inspirou o nome do projeto independente Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras, cujo primeiro ciclo encerrou-se na noite desta sexta-feira, no Pelourinho.

Às mulheres negras presentes, ou que pensam em começar no mundo da literatura, Conceição Evaristo aconselhou que leiam os textos umas das outras, que compartilhem obras de mulheres negras e se inspirem no mundo da literatura, para que o reconhecimento seja coletivo, assim como foi o dela, que atribui sua trajetória ao movimento negro, com o qual ainda convive. Apesar disso, ela criticou o machismo que ainda existe por parte dos homens, negros ou não, e a ausência das mulheres negras como referências ou citações desses pensadores.

Conselho às mulheres negras
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“Eu acredito que, o dia em que os homens negros perceberem que eles precisam ser nossos aliados, que na maioria das vezes nós somos o amparo para as fragilidades deles, eles talvez nos citem. Os homens negros foram os primeiros a crescer academicamente e as mulheres cuidaram dos filhos. Em muitas situações os homens negros não nos citam e não valorizam o nosso trabalho, mas essa falta de cumplicidade, na verdade faz com que eles fiquem, muitas vezes, sozinhos”, disse.

Conceição Evaristo é mestre e doutora em literatura, atuante na defesa das mulheres negras e publicou seis livros, além de ser publicada em antologias. Atualmente é professora visitante da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ao fim da palestra, ela destacou a importância da literatura como ferramenta de reflexão e resistência.

“Hoje eu vejo que a literatura, a academia, é um lugar de militância. Se um texto literário for capaz de promover uma reflexão e uma ação, principalmente, eu acho que, mesmo minimamente, essa literatura faz sentido como signo de resistência, de esperança, de denúncia”.

Referência: EBC

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