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sábado, 26 de agosto de 2017

105 anos de Nelson Rodrigues, um dos autores mais importantes do Brasil


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Se estivesse vivo, Nelson Rodrigues, dramaturgo, jornalista, cronista esportivo, autor de folhetins e romancista, teria completado 105 anos na última quarta-feira, 23 de agosto

Reacionário, revolucionário, pornográfico, obsceno, brilhante. Por mais de uma vez, cada uma destas palavras foi usada para descrever o jornalista, dramaturgo, escritor e cronista #Nelson Rodrigues. Dono de opiniões polêmicas e de obras ainda mais controversas, Rodrigues é frequentemente lembrado como um dos principais nomes da cultura brasileira até hoje. Nesta terça-feira, dia 23, o controverso escritor estaria completando 105 anos de idade.

Autor de dezessete peças de teatro, nove romances e diversos contos, crônicas, matérias e artigos, Nelson Rodrigues virou uma lenda no imaginário popular brasileiro também através das centenas de adaptações de suas obras em montagens teatrais, telenovelas e filmes.

Nascido no Recife, mas criado desde novo no Rio de Janeiro, descrevia a si mesmo como “um anjo pornográfico”, numa referência nada discreta do erotismo e das análises e divagações sobre a vida sexual dos brasileiros que permeavam a maior parte de suas obras.

“Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico (desde menino)”, afirmou certa vez, criando a alcunha que anos mais tarde batizaria uma de suas biografias, assinada pelo escritor e jornalista Ruy Castro.

Filho do ex-deputado federal e jornalista Mário Rodrigues, proprietário dos jornais A Manhã e Crítica, Nelson cresceu no ambiente jornalístico fluminense. Apaixonado pelo time do Fluminense e fascinado por histórias policiais, teve na crônica esportiva sobre o futebol e em histórias semi-eróticas de crimes e paixões os maiores alicerces de suas criações.

Não faltaram também na vida de Nelson Rodrigues dramas pessoais, contradições e muitas críticas. Em 1929, seu irmão Roberto foi baleado na redação do jornal Crítica pela jornalista e escritora Sílvia Serafim Thibau, que invadiu a redação do periódico no dia seguinte à publicação de uma matéria que afirmava que ela estava traindo seu marido. Então com 17 anos, Nelson Rodrigues assistiu ao crime de dentro da redação, e o evento o marcaria profundamente dali pra frente.

Além de tirar a vida de seu irmão, o crime da redação do Crítica levou à família Rodrigues a uma espiral de tragédias. Pouco após a morte de Roberto, o pai de Nelson faleceu, deprimido. No ano seguinte, o jornal foi tomado durante os acontecimentos da Revolução de 30. Apenas dois anos depois, Nelson descobriu ter tuberculose, o que requereu um longo tempo de recuperação.

Foi neste período que Rodrigues se aproximou do jornalista Roberto Marinho, que o abriu espaço na redação do jornal O Globo e o auxiliou durante a recuperação da enfermidade. O jornal também foi pano de fundo de dois acontecimentos cruciais na vida do escritor: foi ali onde Nelson conheceu Elza Bretanha, sua primeira esposa, com quem se casou em 1940. Foi também neste período que Nelson passou a escrever peças teatrais, naquela que se tornou sua principal fonte de reconhecimento.

Escrita em 1943, a peça Vestido de Noiva é considerada até hoje uma das maiores obras de autoria do escritor. A ela se seguiram diversas outras de grande apelo popular e repercussão, em lista que inclui obras como Os Sete Gatinhos, O Beijo no Asfalto, Toda Nudez Será Castigada, Anjo Negro e Bonitinha mas Ordinária, entre outras.

Ainda nos anos 40, Nelson Rodrigues passou a trabalhar para os Diários Associados, veículos de propriedade de Assis Chateaubriand, então principal nome da imprensa brasileira. Na década seguinte, passou também pela redação do lendário jornal A Última Hora, de Samuel Wainer, onde iniciou a publicação das crônicas que originariam o livro A Vida Como Ela É..., que posteriormente inspirou diversas adaptações para os mais variados meios de comunicação.

Uma mancha no currículo
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Em 1964, já com 52 anos, foi um dos mais notórios apoiadores da Ditadura Militar, que defendeu durante um longo período de tempo, sendo frequentemente taxado de “reacionário” por setores opostos ao regime. Em 1972, seu filho Nelsinho, que participava da luta armada contra a Ditadura, foi preso, o que gerou no escritor o início de opiniões a favor de anistia “ampla, geral e irrestrita”.

Em 1980, um ano após a libertação de seu filho, Nelson Rodrigues faleceu aos 68 anos, vítima de problemas cardíacos que enfrentava. “Toda unanimidade é burra”, dizia o escritor, em ume de suas muitas frases que até os dias de hoje ainda são frequentemente rememoradas na cultura brasileira. Amado e odiado na mesma proporção, se estivesse vivo, Nelson Rodrigues completaria 105 anos hoje com a certeza de ter sido um personagem central para a formação do leitor e espectador brasileiro do séc. XX, ainda lembrado também neste século seguinte.

Hoje, 37 anos após sua morte, o escritor ainda permanece ativo em uma série de peças, obras e livros espalhados pelo Brasil. Reacionário, revolucionário, pornográfico, obsceno ou brilhante, é inegável afirmar que o “anjo pornográfico” garantiu seu lugar no panteão dos maiores escritores da história do Brasil.

Referência: blastingnews.com

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