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domingo, 23 de julho de 2017

‘Ninguém nasce no paraíso’ – Documentário aborda a proibição de partos em Fernando de Noronha


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Em Fernando de Noronha espécies em extinção como a tartaruga marinha, encontram políticas de preservação, mas a espécie humana nativa encontra-se em extinção diante da atual proibição do nascimento na ilha

Há 17 anos, as gestantes do arquipélago são expulsas aos 7 meses de gravidez para darem à luz em Recife ou Natal. Nesse cenário, mulheres lutam pelo direito ao parto e contam histórias sobre suas gestações em contexto de ameaças, criminalização, violências físicas e psicológicas e é esse drama que Alan Schvarsberg mostra no ótimo ‘Ninguém nasce no paraíso’.

Desde 2004, quando foi desativada a única maternidade na ilha, no Hospital São Lucas, sob a justificativa de que o custo de manutenção da estrutura era alto demais para a média de 40 partos por ano realizados na ilha principal, a única habitada, que todas as gestantes, aos 7 meses de gravidez são obrigadas a ir dar à luz os seus bebês em Recife ou Natal.

O impedimento já dura 13 anos e causa indignação entre os moradores, que falam em "violação do direito de nascer". Filmado em 2015, o documentário ‘Ninguém nasce no paraíso’, do brasiliense Alan Schvarsberg, conta a história de mães insatisfeitas com a situação. Ele descobriu o tema quando ministrava uma oficina de videoativismo em Noronha há quatro anos.

Legalmente, não há proibição formal para o nascimento de crianças em Fernando de Noronha. No entanto, a Coordenadoria de Saúde do arquipélago, que tem sede em Recife, se encarrega de fazer com que as mães deixem o local a partir da 34ª semana de gestação – mesmo que seja preciso insistir.

Falta de infraestrutura

Mesmo que as parturientes se disponham a pagar um médico para fazer o parto, as assistentes sociais explicam que não tem UTI nem recursos básicos e, se alguma complicação acontecer, podia ser um problema de difícil solução em virtude da dificuldade de deslocamento.

A coordenadoria de saúde da ilha ressalta que as gestantes fazem pré-natal pela rede pública em Noronha até o sétimo mês de gravidez e, depois, são encaminhadas para Recife, com todas suas passagens de ida e volta, cujo voo dura 1 hora e 20 minutos, – incluindo um acompanhante – pagas pelo poder público.

Em casos específicos, podem também receber hospedagem no hotel Uzi Praia durante todo o período na capital pernambucana, com três refeições e transporte para as consultas médicas. E seus partos são feitos do IMIP, hospital de referência em pediatria na capital.

Falta da família
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Apesar das despesas custeadas, uma das queixas mais comuns entre as mães é a solidão e a falta de opções de lazer durante a espera pelo nascimento do bebê – especialmente quando não se tem tanto dinheiro.

Ficar longe da família e dos amigos, tendo o trajeto do hotel para o hospital e do hospital para o hotel, como opção a ficar dentro de um quarto olhando pra as paredes, é uma experiência pouco agradável, especialmente para quem está à espera de um filho.

O documentário
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Alan Schvarsberg, diretor do documentário ‘Ninguém nasce no Paraíso’, acredita que a expressão "nó de Noronha", que aprendeu na ilha, pode ajudar a explicar o porquê de as reclamações das mulheres nem sempre chegarem às autoridades.

"O 'nó de Noronha' expressa a relação de interdependência da comunidade diante da realidade de viver numa ilha. Pelo fato de tudo vir do continente, até a água potável, as pessoas todas se conhecem e dependem umas das outras e da administração. Então há o receio de falar alguma coisa e sofrer represálias", afirma.

"A meu ver, esta é uma forma de extermínio muito perversa da população local. As mulheres podem registrar seus filhos, nascidos em Recife, como noronhenses, mas a gestação está se tornando algo muito traumático. Isso está fazendo com que, pouco a pouco, menos mulheres queiram engravidar", afirma.

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