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sexta-feira, 14 de julho de 2017

A sociedade do século XXI e os ensinamentos que podemos tirar do “Mito de Sísifo”


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Na contemporaneidade, com a busca incessante pelo sucesso e onde o ‘ter’, muitas vezes, vale mais que o ‘ser’, está nos levando ao Mito de Sísifo? Buscamos protelar a morte, galgar postos no trabalho e se destacar de tal forma que podemos estar em uma disputa entre humanos e deuses?

Debruçando-se sobre a matéria, pode-se chegar à conclusão que há uma relação muito próxima entre os processos psicológicos do homem moderno e a imensa gama de conhecimento que nos foi deixado como herança pelos povos antigos.

O “Mito de Sísifo” é um estágio intermediário entre a cognição inconsciente e consciente, como uma ponte necessária e facilitadora e é possível estabelecer muitos paralelos entre os mitos e o que está acontecendo na psique e na vida de uma pessoa ou sociedade.

Mas e o que seria esse ‘mito’? Que lição podemos tirar dele? Analisemos abaixo um resumo sob a ótica de Augusto Sperchi, editor do blog saberepreciso.com

Euriques Carneiro

O mito de Sísifo

Sísifo era um pastor de ovelhas e filho de Éolo, o deus dos ventos. Era tido como a pessoa mais ardilosa que já existiu. Morava num povoado chamado Éfira e, ao melhorar as condições do lugar, passou a chamá-lo de Corinto, que mais tarde se tornou uma grande cidade. Casou-se com Mérope, filha do deus Atlas e que compõe uma das plêiades.

Um dia, Sísifo percebeu que seu rebanho diminuíra. Estava sendo roubado. Então, marcou suas ovelhas, seguiu o rasto delas e foi dar na casa de Autólico. Arrolou testemunhas da ladroagem e enquanto os vizinhos discutiam sobre o roubo, rodeou a casa em busca de mais alguma ovelha e encontrou a filha do ladrão, Anticleia. Seduziu-a e a engravidou, vingando-se do malfeitor.

Voltando para casa, Sísifo, que andava sempre escondido, presenciou Zeus, o deus do Olimpo, raptando Egina, filha de Asopo. Não deu outra, aproveitando-se do fato, Sísifo, em troca da construção de um poço para sua cidade, entregou o deus sedutor. Claro que Zeus ficou sabendo que Sísifo o tinha dedurado, então pediu que seu irmão Efaístos o levasse para o Hades, mundo subterrâneo onde viviam as almas condenadas.

Pressentindo a fúria de Zeus, Sísifo pede à esposa que não o enterrasse após sua morte e, chegando ao Hades, arma uma cilada para Efaístos e o aprisiona. Conversa com Perséfone, a esposa do deus, e a persuade a deixá-lo voltar e organizar o seu funeral, além de punir os que negligenciaram seu enterro. Ela lhe concede a volta por apenas três dias. Mas, voltando à superfície, ele passa a viver normalmente com sua esposa, como se nada tivesse acontecido.

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Vendo aquele absurdo, pois ninguém deveria enganar a morte, Zeus ordenou que Hermes o conduzisse novamente ao Hades e que lá recebesse um castigo exemplar. Deveria rolar uma enorme pedra morro acima, até o topo. Porém, chegando lá, o esforço despendido o deixaria tão exangue que a pedra se lhe soltaria e rolaria morro abaixo. No dia seguinte, o processo se daria novamente, e assim pela eternidade, como forma de envergonhá-lo pela sua esperteza em querer enganar os deuses e a morte.

Esse mito narra o esforço inútil de uma pessoa, seu árduo e rotineiro trabalho, que nunca será concluído. Também fala do desejo humano de ser eterno, como os deuses, vencendo a morte.

Quantas pessoas estão rolando pedra morro acima? Quantas insistem num caso que nunca terá solução? Ou teimando em mudar outra pessoa para se satisfazer? Exercendo uma função rotineira e vazia? Quantas se acham num martírio sem fim? A maioria? Quantas vivem sob o domínio das ideologias sem questioná-las? Quanto dinheiro é gasto no inútil esforço de parar o tempo e se tornar jovem para sempre?

Até aqui tudo parece ser absurdo, pois quando se tenta reduzir a impossibilidade do mundo a um princípio racional e razoável, nada faz sentido. Mas, levar a sério até o que é absurdo, é reconhecer a contradição entre o desejo da razão humana e da insensatez do mundo. Sem o homem, não há absurdo. Então, por que viver uma vida vã e inútil? Ora, o que conta não é a melhor vida, mas como se deve vivê-la. Daí a liberdade. Todavia, para a maioria, ela também é um absurdo e libertar-se é preciso.


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