Construção - Reforma - Manutenção

Construção - Reforma - Manutenção
Clientes encantados é a nossa meta!

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Exposição no RJ traça paralelo entre Morro da Providência e a Guerra de Canudos


Resultado de imagem para exposição fotográfica “Morro da Favela à Providência de Canudos


O que há de semelhança entre a origem do Morro da Providência e o massacre de 25 mil pessoas que o poder público promoveu no final de século XIX, no interior da Bahia? É o que a exposição fotográfica “Morro da Favela à Providência de Canudos” pretende mostrar

Os 120 anos de criação do Morro da Providência, primeira favela do Brasil, são contados na exposição fotográfica “Morro da Favela à Providência de Canudos”, de autoria do fotógrafo autodidata Maurício Hora, morador daquela comunidade do Rio de Janeiro, situada entre os bairros de Santo Cristo e Gamboa, região da zona portuária da capital fluminense.

A mostra traça um paralelo entre o Morro da Providência e a Guerra de Canudos, na Bahia, e ficará aberta ao público até o dia 14 de julho, no Espaço Cultural do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no centro da cidade.

A origem do atual Morro da Providência remonta a 1897, quando soldados que combateram na Guerra de Canudos, na Bahia, e que sobreviveram àquele episódio foram trazidos para o Rio de Janeiro. Aqui, sem ajuda do governo, começaram a improvisar habitações na encosta do morro. 

O povoamento ficou conhecido como Morro da Favela, referência não só ao morro existente em Canudos e de onde os soldados atacavam os fanáticos religiosos liderados pelo beato Antônio Conselheiro, mas também ao arbusto “faveleira” (Cnidoscolus quercifolius), comum no sertão baiano.

Maurício Hora começou a desenvolver o projeto que refaz a ligação entre Canudos e o Morro da Providência em 2013, quando a seca que assolou o sertão baiano reduziu o nível da água do açude construído em cima do antigo vilarejo de Antônio Conselheiro e revelou ruínas daquele cenário de guerra. Ao mesmo tempo, no Rio de Janeiro, ocorriam obras de revitalização da zona portuária, afetando o dia a dia dos moradores da Providência. “Nasci no Morro da Providência. Isso sempre me perseguiu”, disse Hora à Agência Brasil, referindo-se à vontade de traduzir em fotografias as semelhanças entre as duas realidades.

Favelização
Resultado de imagem para exposição fotográfica “Morro da Favela à Providência de Canudos
Maurício Hora explicou que, quando começou o processo de ocupação do Morro da Favela, o termo "favela” não tinha a conotação de habitação que tem atualmente. “O nome para denominar habitação surgiu aqui”, conta. O fotógrafo já esteve cinco vezes em Canudos, para retratar as ruínas. Ele considera que tanto Canudos como Providência contam uma história de luta. “São dois focos muito resistentes”. Em Canudos, os habitantes preservam uma memória viva da história, o que não ocorre no Morro da Providência. “Aqui, nós perdemos toda a memória”, lamentou.

Embora não tenha a pretensão de reativar com seu trabalho a memória no Morro da Favela, Maurício Hora disse que a ideia é que as pessoas que, assim como ele, são faveladas tenham consciência do que são, “que favela não é tão pejorativo”. Para ele, favela é apenas o Morro da Providência. “As outras, para mim, são comunidades. Favela é a Providência”.

Para o fotógrafo, não só os jovens habitantes do Morro da Providência precisam conhecer a história do local e suas origens, mas todo o Brasil precisa saber o que foi a Guerra de Canudos. “Eu melhorei minha vida a partir do momento em que comecei a contar minha história”.

Maurício acredita que a Providência é uma favela de resistência que está hoje dentro de um território quilombola, a Pedra do Sal, que vai da Praça Mauá até o Caju, na zona portuária, denominada Pequena África. “Eu acho, sim, que o jovem da Providência devia conhecer a história. Mas não só da Providência; do Brasil todo”.

Massacre sem precedentes
Imagem relacionada

A chamada Guerra de Canudos, revolução de Canudos ou insurreição de Canudos, foi o confronto entre um movimento popular de fundo sócio-religioso e o Exército da República, que durou de 1896 a 1897, na então comunidade de Canudos, no interior do estado da Bahia, no Brasil.

Inicialmente, em Canudos, os sertanejos não contestavam o regime republicano recém-adotado no país; houve apenas mobilizações esporádicas contra a municipalização da cobrança de impostos. A imprensa, o clero e os latifundiários da região incomodaram-se com uma nova cidade independente e com a constante migração de pessoas e valores para aquele novo local passaram a acusá-los disso, ganhando, desse modo, o apoio da opinião pública do país para justificar a guerra movida contra o arraial de Canudos e os seus habitantes.
Resultado de imagem para guerra social de  canudos ba

Aos poucos, construiu-se em torno de Antônio Conselheiro e seus adeptos uma imagem equivocada de que todos eram "perigosos monarquistas" a serviço de potências estrangeiras, querendo restaurar no país o regime imperial, devido, entre outros ao fato de o Exército Brasileiro sair derrotado em três expedições, incluindo uma comandada pelo Coronel Antônio Moreira César, também conhecido como "corta-cabeças" pela fama de ter mandado executar mais de cem pessoas na repressão à Revolução Federalista em Santa Catarina, expedição que contou com mais de mil homens. 

A derrota das tropas do Exército nas primeiras expedições contra o povoado apavorou o país, e deu legitimidade para a perpetração deste massacre que culminou com a morte de mais de seis mil sertanejos. Todas as casas foram queimadas e destruídas.

Canudos era uma pequena aldeia que surgiu durante o século 18 às margens do rio Vaza-Barris. Com a chegada de Antônio Conselheiro em 1893 passou a crescer vertiginosamente, em poucos anos chegando a contar por volta de 25 000 habitantes. Antônio Conselheiro rebatizou o local de Belo Monte, apesar de estar situado num vale, entre colinas.

Serviço: 

Que: Exposição Morro da Favela à Providência de Canudos

Quando: até o dia 14 de julho

Horário: de segunda a sexta-feira, das 10h às 19h, exceto feriados

Onde: Espaço Cultural do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social                   (BNDES)

Quanto: Acesso gratuito


Referência: EBC

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário será publicado após análise.
Obrigado!