quinta-feira, 4 de maio de 2017

“Pedagogia do Oprimido”: prestes a completar meio século, a obra maior de Paulo Freire é mais contemporânea do que nunca


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Escrito durante o exílio, quando morava no Chile, em 1968, o livro Pedagogia do Oprimido é considerado a obra mais importante completa, profunda e reflexiva do maior educador da história nacional, Paulo Freire

Traduzida em mais de 20 idiomas, tornou-se referência para o entendimento da prática de uma pedagogia libertadora e progressista. Nela, estão os temas que sustentam a concepção freireana: conscientização, revolução, diálogo, cooperação, entre outras. 

Quando Freire fala em pedagogia, ele não está falando apenas das relações que se estabelecem na escola e na sala de aula. A sua pedagogia está relacionada a todo esse contexto de opressão social e de falta de democracia que estamos apontando. Toda educação é política, assim como toda política é educativa. Não existe neutralidade. Portanto, o seu método dialógico, problematizador, não é apenas um método ou uma teoria pedagógica, mas uma práxis que propõe a libertação da opressão que predomina na nossa sociedade:

"Ninguém liberta ninguém, ninguém liberta sozinho:

Os homens se libertam em comunhão."


Dividir, para manter a opressão:

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Esta é uma outra dimensão fundamental da teoria da ação opressora, tão velha quanto a opressão mesma. Na medida em que, as minorias, submetendo as a maiorias a seu domínio, as oprimem, dividi-las e mantê-las divididas é condição indispensável à continuidade de seu poder.

Não se pode dar ao luxo de consentir na unificação das massas populares, que significaria, indiscutivelmente, uma séria ameaça à sua hegemonia.

O que interessa ao poder opressor é enfraquecer os oprimidos mais do que já estão, ilhando-os, criando e aprofundando cisões entre eles, através de uma gama variada de métodos e processos.

Desde os métodos repressivos da burocratização estatal, à sua disposição, até as formas de ação cultural por meio das quais maneja as massas populares, dando-lhes a impressão de que as ajudam.”
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"Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo

Os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo

Educação dialógica e diálogo"


Não há diálogo, porém, se não há um profundo amor ao mundo e aos homens. Não é possível a pronúncia do mundo, que é um ato de criação e recriação, se não há amor que a infunda.

Embora o manuscrito da Pedagogia do Oprimido seja de 1968, a obra foi editada primeiro em inglês e espanhol, em 1970. Paulo Freire escreveu a Pedagogia do Oprimido, no pós golpe militar em 1964. A obra foi publicada em inglês em 1970 e só em 1975 foi traduzida para o idioma do autor, ou seja, o português.

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