segunda-feira, 10 de abril de 2017

Apesar das constantes medidas ao longo dos anos, o centro de São Paulo continua a sua trágica caminhada rumo à degradação total


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Nunca faltaram tentativas de revitalizar a ‘cracolândia’, região degradada no centro de São Paulo tristemente conhecida pela caminhada errante de usuários de drogas

Dessas iniciativas resultaram centros artísticos de excelência, mas eles pouco serviram à recuperação do entorno vilipendiado. Segundo urbanistas, não há nisso nenhum mistério. Os espaços culturais suscitam movimento eventual, ao passo que as ruas da cracolândia precisariam de ocupação dia e noite para retomar a vitalidade.

Assim, apenas retirar os usuários e tentar relocalizá-los, não ataca o cerne da questão e eles sempre voltam para a sua ‘zona de conforto’, se é que se pode assim definir a situação enfrentada por cada um deles.

Em mais uma tentativa, acaba de ser anunciado o início das obras de um condomínio com 1.202 apartamentos no local onde se situava a antiga rodoviária, dotado de lojas, creche e uma escola de música. O chamado Complexo Júlio Prestes em tese será finalizado dentro de três anos; a partir de meados de 2018, parte das moradias estará pronta.

Destinado a quem trabalha no centro
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Do total de residências, 1.130 se direcionarão a famílias com renda de R$ 810 a R$ 4.344 e outras 72 à faixa de R$ 4.344 a R$ 8.100. Caso se confirme, a decisão será deveras acertada já que as vagas serão reservadas a quem trabalha no centro da metrópole — medida que ajuda a aliviar o trânsito e o sistema de transporte público, pois reduz deslocamentos de longa distância.

Na sua essência, o projeto é de bom alvitre, mas sem providências complementares, não surtirá grande efeito. Sem medidas como iluminação apropriada, coleta regular de lixo e reforço na segurança —carências hoje flagrantes—, o Complexo Júlio Prestes logo sucumbirá à sina da degradação que há décadas ronda o centro da capital paulista.

Enquanto isso, continua existindo um estigma por parte da população residente naquela região da cidade, que se afasta dali em face da periculosidade que representa tal degradação. Acrescente-se a isso, a migração de certos serviços tradicionalmente estabelecidos no local, e que, por tais razões, vêm optando por outras regiões da cidade. Fato, alias, que não pode ser negado nem mesmo pela banalização da retórica política, porque se lastreia em verdade clara e insofismável. ]

Observe-se que, não obstante os serviços públicos de limpeza existam de fato, eles são precários e insuficientes em face da real demanda. Isso porque, sequer dão conta de manter os logradouros públicos limpos como deveriam e, por conseguinte, jamais poderão ser considerados um modelo apropriado e digno a pessoas civilizadas.

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Enquanto os poderes municipal e estadual teimam 
em afirmar o contrário, basta um pequeno giro (bem pior se for noturno), para que se constate a realidade simplesmente degradante. 
Grandes hotéis voltados ao acolhimento de turistas das mais diversas origens, restaurantes de nível, escritórios de grandes e expressivas empresas, bem como, famílias que, tradicionalmente, habitavam a região central, todos, sem exceção, vêm abandonando tal espaço da cidade, antes atraente, de charme bucólico e pacato, vocacionado à melhor convivência. 

A descaracterização dessa imagem acolhedora tem sido assaz violenta, face à transfiguração havida (e exposta a olho nu a quem quiser constatar). Viciados perambulam pelas ruas como zumbis autômatos em busca de trocados para comprar uma pedra de crack, enquanto meliantes de toda monta estão sempre à espreita para surrupiar, carteiras, bolsas e celulares dos incautos que porventura se atrevam a circular naquela área.
 

Triste realidade!

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