domingo, 30 de abril de 2017

A MPB está de luto com a perda de Belchior


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Deixa a vida terrena, aos 70 anos, o cantor e compositor cearense Belchior, autor de canções que abordaram, desde os anos 1970, a alienação, as relações mercantis e a própria indústria cultural como um todo

Historicamente um artista engajado politicamente, teve que escolher o caminho de difícil assimilação para a indústria cultural que impede que qualquer artista seja levado muito a sério, por seu ostracismo ou por sua redução a uma imagem comercial.

Nome de primeira grandeza no panorama latino-americano como uma de seus grandes expoentes, Belchior foi um mestre da poesia. Foi assimilado pela indústria cultural, de fato, como Mercedes Sosa ou Che Guevara. Ele se jogou na contradição da música popular, assim como qualquer um se joga nas contradições da lógica do trabalho.

                          Uma viagem pelo universo belchiorano


Sentindo-me um verdadeiro “Rapaz latino-americano”, debrucei-me sobre “O Mapa do Tempo” e me vi em meados dos anos 70 quando minha “Alucinação” era ouvir os grandes da música nordestina, entre eles Belchior.

Com a minha carteira de estudante nas mãos, fiquei olhando a “Fotografia 3 x4” e na tenra fase de adolescente, sonhava em chegar em casa “Todo sujo de batom”, vestido na “Velha roupa colorida” e começar a ler a “Divina Comédia (Humana)” que peguei emprestado na biblioteca Arnold Silva.

Como viagem aérea ainda era um sonho inatingível, eu não tinha “Medo de avião” e me contentava em andar sobre as “Paralelas” da Av. Getulio Vargas e observar uma certa garota que era “Brasileiramente linda”, mas eu tinha consciência de que não era para o meu bico, garoto morador da Cidade Nova. Afinal, eu “Conheço o meu lugar.”

Chegada a “Hora do almoço”, era vestir a farda e ir para o Assis Chateaubriand que tinha professoras exatamente “Como nossos pais”: afagava quando era possível e reclamava quando necessário. Na volta para casa, era comum acontecer de vez em quando, um “Caso comum de trânsito”, que ilustrava os comentários de rádio no dia seguinte na “Notícia da Terra Civilizada”.

Enquanto ouvia “Mucuripe”, afagava o meu “Populus”, pensando como seria bom ter “A princesa do meu lugar” em meus braços que me dizia “Não leve flores” para mim senão meu pai desconfia.

Então, “Antes do fim”, tenho que falar dos “Galos, Noites e Quintais”, para não ficar ouvindo “Clamor no Deserto”, como “Se fosse pecado” afinal, tenho que fazer “Comentários a respeito de John” porque amanhã começa “Tudo outra vez”!


Neste 30 de abril, quando a música brasileira perde um dos seus mais expressivos nomes, o Artecultural presta esta homenagem a um dos maiores compositores da MPB! Você passou para outra dimensão grande poeta, mas a obra que você deixou o coloca no panteão da cultura nacional.

Euriques Carneiro

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