segunda-feira, 20 de março de 2017

Museu da Fotografia – Fortaleza coloca a região Nordeste em um novo patamar de cultura


“A menina afegã”, de Steve Mc Curry

A inauguração do primeiro Museu de Fotografia do país em Fortaleza dá mostras que a região Sudeste do Brasil está deixando de ser a única referência em cultura

O projeto é financiado pela mesma família que também administra a Fundação Edson Queiroz (responsável por uma série de programas sociais no Ceará, como a Universidade de Fortaleza). A ideia é agregar valor ao centro da cidade e fazer do edifício onde funciona o Instituto Brasil-Estados Unidos, no bairro de Aldeota, um espaço cultural que abrigará exposições, oficinas, palestras e até mesmo uma loja para venda de fotografias de jovens artistas.

“Toda a região ao redor do museu vai sofrer uma requalificação com esse empreendimento, principalmente pelo tamanho (2.500 m²) e localização dele”, Sílvio comenta. “Além disso, o museu é mais um incentivo à alfabetização visual, uma educação necessária se considerarmos que as imagens estão cada vez mais presentes no nosso dia-a-dia. Hoje, todo mundo fotografa”.

Linha do tempo
Mãe migrante, Nipomo, Califórnia (1936), de Dorothea Lange

A coleção engloba principalmente os anos de ditadura no Brasil, mas as manifestações de junho e a Primavera Árabe são outros recortes de um acervo que aborda fatos e personagens da história recente (do início do século XX até os dias atuais).
Eu comecei a coleção em 2009, já pensando em fazer um museu”, explica o colecionador Silvio Frota, afirmando que o critério para a composição do acervo não foi o interesse em história, única e exclusivamente. “Na verdade, entendi que eu não podia pegar séries autorais e colocá-las dentro do museu esperando que o público simplesmente entendesse a narrativa por trás delas. Eu precisava de um mote. Eu precisava que as crianças, que as pessoas entrassem e assimilassem o contexto em que aquelas fotografias foram produzidas. Por isso, dei preferência à história do Brasil: uma história coletiva, que pertence a todos nós”.

Para Frota, é inadmissível que os jovens não conheçam a história do país. Sua convicção é a de que, se o governo não investe o suficiente em educação, é obrigação dos empresários mais abastados investirem nesse setor – a exemplo da família Moreira Salles, responsável pela criação e administração do Instituto Moreira Salles.

Bonito de se ver
Soldado Vanderlei Vignoli, por Victor Dragonetti

A expectativa é que o museu seja inaugurado até dezembro deste ano. Entre os fotojornalistas que registraram o golpe de 1964, Orlando Brito, Juca Martins e Evandro Teixeira são os mais conhecidos, mas tem muito mais: Henri-Cartier Bresson, Steve McCurry, Miguel e Carlos Vargas, Mário Cravo Neto e Thomas Farkas também poderão ser vistos de perto.
E que fique registrado desde já: esperamos que a abertura do Museu de Fotografia de Fortaleza seja um sucesso, afinal, ele não representa um ganho apenas para o Nordeste, mas para o Brasil como um todo.

Referência: www.jornaldafotografia.com.br

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