sábado, 4 de março de 2017

Em viagem histórica, o Crystal Serenity foi o primeiro grande navio a cruzar o Ártico


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As alterações climáticas abriram a Passagem do Noroeste e um grande cruzeiro com cerca de 1700 pessoas a bordo já se lançou ao mar... e aos gelos. Mas há muitos críticos deste novo luxo

Já atravessaram o estreito de Bering, e em agosto último acostaram a Ulukhaktok. Esta pequena aldeia de Nunavut de 400 habitantes, no Alasca canadiano, marca, justamente, o início da etapa mais esperada - e também mais perigosa - da viagem do Crystal Serenity, o primeiro grande navio de cruzeiros, com 13 andares e capacidade para 1700 pessoas (incluindo mais de 650 tripulantes), que se aventura no oceano Ártico através da rota Northwest Passage (a Passagem do Noroeste), antes só acessível a quebra-gelos e navios mais pequenos.

A nova rota é uma consequência do degelo oceânico naquela região polar, causado pelas alterações climáticas. Mas esta viagem de estreia do Crystal Serenity é tudo menos pacífica.

A preparação da viagem levou cerca de três anos e a empresa proprietária do navio apostou tudo na segurança, incluindo no aluguel de um pequeno quebra-gelos equipado com dois helicópteros, que acompanha a navegação do princípio ao fim, para o que der e vier.

Há, no entanto, quem critique a decisão de fazer este cruzeiro por motivos de segurança, como o antigo comandante da marinha de costa Robert Papp, atual representante especial dos Estados Unidos para o Ártico, que à Radio Canada International (RCI) se mostrou preocupado em relação à capacidade real de reação a um acidente com um navio que transporta 1500 passageiros, numa zona onde o socorro é dificultado pelas suas condições extremas.

Segurança & meio ambiente
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E, se a segurança é uma questão, não é a única. Na outra face da moeda estão os problemas ambientais e o impacto que uma travessia deste gênero pode causar numa região do planeta que até agora tem estado salvaguardada das intromissões humanas pelas duras condições que a caracterizam. Que impacto terá na vida selvagem local, perguntam-se ambientalistas e cientistas, preocupados não apenas com esta viagem em concreto, mas com as portas que ela pode abrir a cruzeiros regulares na região. Está previsto, aliás, que o Crystal Serenity repita o cruzeiro no verão de 2017.

Um dos cientistas que colocam a questão é Michael Byers, investigador no Ártico e professor na Universidade de British Columbia. "Quando penso na possibilidade de dezenas de grandes navios de cruzeiro virem a atravessar o Ártico canadiano todos os verões, fico preocupado", afirmou à RCI

Menos preocupados estarão os cerca de mil passageiros a bordo, que pagaram entre 18 mil euros e 153 mil euros por cabeça, mais um seguro obrigatório de 45 mil euros para poderem participar nesta viagem inaugural. "Os bilhetes esgotaram em 48 horas", assegurou o comandante do navio, o norueguês Birger Vorland, ao canal local KTVA Alaska. Também para este homem do mar, que há três décadas comanda navios de cruzeiro, esta é uma viagem muito especial, um pouco como um tributo ao seu pioneiro compatriota, Roald Amundsen, o primeiro que fez esta travessia, entre 1903 e 1906


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