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sábado, 4 de março de 2017

Antropóloga Mouette Barboff produz obra sobre o pão nosso de cada dia


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Em Portugal, o pão está sempre presente à mesa, onde não se concebe uma refeição sem o ilustre acompanhamento e foi nas pesquisas da autora diretamente nas comunidades produtoras que ela descobriu segredos sobre esse alimento milenar



"O pão não faz engordar"

No seu trabalho a antropóloga desconstrói o mito: "O pão não faz engordar. O que faz engordar é tudo o que se come com o pão."

Mouette Barboff passou dez anos em trabalho de campo em quatro comunidades: a cooperativa Estrela Vermelha (já não existe), no Alentejo, criada pelos trabalhadores agrícolas a seguir à Reforma Agrária, onde foi ver como se fazia o pão de trigo; Sabugueiro, na Serra da Estrela, uma comunidade agropastoril onde as mulheres ainda fazem o pão de centeio; Castro Laboreiro e Soajo, no Alto Minho, para o pão de mistura e a broa de milho, respectivamente.

"Amassar o pão tem uma importância grande e algumas mulheres são supersticiosas e têm medo do mau olhado durante o processo", contou a investigadora. "Eu vivia com as pessoas nas aldeias. Fiz tantas viagens... entrei nas cozinhas para acompanhar o processo, para ver tudo, do início ao fim, e fazer fotografias".

Descobriu e surpreendeu-se com vários pormenores. "Não se amassa da mesma maneira o pão de trigo, centeio, o pão de mistura e a broa de milho, por exemplo. Também as palavras mudam: há um vocabulário próprio para cada pão. Por exemplo, no de trigo fala-se no alguidar, no panal, que é o pano que vai cobrir a massa. Depois há ainda as orações ditas pelas mulheres e que mudam em cada uma das regiões, e o processo de cozedura que também varia".

A cruz sobre o pão varia
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Até a cruz de Cristo que se faz sobre a massa muda, de região para região. "No Alentejo faz-se a cruz e as cinco chagas do Cristo sobre a massa; em Castro Laboreiro fazem a cruz com a mão dobrada, por cima da massa; no Soajo fazem uma cruz com a ponta do dedo da mão direita".

Mouete Barboff concluiu que, no Norte, as mulheres completam todo o ciclo do pão. "Cultivam o milho e o centeio, é o ciclo completo, dos cereais ao pão. No Alentejo já não se faz isso porque o cultivo foi industrializado há muito tempo".

O livro que escreveu é uma homenagem a estas mulheres: "Nas comunidades que investiguei não valorizam, ou quase nada, o trabalho delas. No Norte, as mulheres vivem sozinhas com as crianças e os pais porque os maridos e os filhos adultos emigram. Têm que cuidar de tudo, das terras, das crianças, dos idosos, e de dar a comer a toda a gente."

No livro, tece algumas considerações sobre Portugal ter deixado de ser auto-sustentável em trigo: "Em 1986, Portugal tornou-se membro da Comunidade Econômica Europeia e teve de conformar-se à Política Agrícola Comum (PAC). O país apenas produz trinta por cento das suas necessidades em trigo, o resto é importado: trigo mole da França e da Alemanha para o fabrico do pão, trigo duro da Espanha e da Inglaterra destinado ao fabrico de massas e biscoitos".

Serviço:

Livro: Pão das Mulheres

Autora: Mouette Barboff

Editora: Âncora

Preço (Europa): 28 euros

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