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domingo, 12 de fevereiro de 2017

Lago Poopó seca e ameaça a existência de povo indígena na Bolívia


O desaparecimento do Lago Poopó ameaça a identidade do povo Uru-Murato, o grupo indígena mais antigo da região. | JOSH HANER/The New Yrok Times


Depois de sobreviver a décadas resíduos de mineradoras, desvios de água e secas cíclicas causadas pelo El Niño nos Andes, o Lago Poopó desapareceu e transformou-se em uma imensidão salgada

O volume de água diminuiu e os peixes morreram. Dezenas de milhares emergiram, com a barriga para cima, e o mau cheiro inundou o ar por semanas.

Os pássaros que se alimentaram dos peixes tiveram pouca escolha além de abandonar o Lago Poopó, que já foi o segundo lago da Bolívia e agora é só uma imensidão seca e salgada. Muitos integrantes do povo Uru-Murato, que viveram de suas águas por gerações, também partiram, unindo-se a uma nova marcha global de refugiados que fogem não das guerras ou da perseguição, mas das mudanças climáticas.

“O lago era nossa mãe e nosso pai. Sem ele, para onde vamos?”, explica Adrián Quispe, um dos cinco irmãos que trabalhavam como pescadores e criaram suas famílias em Llapallapani.

Depois de sobreviver a décadas de desvios de água e secas cíclicas causadas pelo El Niño nos Andes, o Lago Poopó basicamente desapareceu em dezembro. O efeito dominó vai além da perda da subsistência para os Quispe e centenas de outras famílias de pescadores, além da migração de pessoas forçadas a deixar casas que não são mais viáveis.

O desaparecimento do Lago Poopó ameaça a identidade do povo Uru-Murato, o grupo indígena mais antigo da região. Durante várias gerações, eles se adaptaram às conquistas dos incas e dos espanhóis, mas parecem incapazes de se ajustar à abrupta reviravolta que a mudança climática causou.

Estima-se que apenas 636 uru-muratos permaneçam em Llapallapani e nas duas vilas próximas. Desde que os peixes morreram em 2014, muitos partiram para trabalhar em minas de chumbo ou salinas a mais de 300 quilômetros de distância; os que ficaram para trás tentam ganhar a vida como agricultores ou sobrevivem com o que costumava ser a margem do lago.

Ele estava vulnerável há muito tempo. Ficava a 3.700 metros acima do nível do mar, nos secos altiplanos bolivianos. Décadas de desvio de água e secas cíclicas causadas pelo El Niño o levaram à beira da extinção muitas vezes ao longo dos anos. Em média, o lago ficou 0,23 graus Celsius mais quente a cada década desde 1985.

Ação humana
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O Lago Poopó é um dos vários do mundo que estão sumindo por causa da ação humana. O Lago Mono e o Mar Salton na Califórnia estão diminuindo por causa do desvio de água; lagos no Canadá e na Mongólia correm perigo devido ao aumento das temperaturas.

Gerações de urus assistiram as águas do lago retrocederem e retornarem, no que era um ciclo quase previsível. Nos anos 1990, uma grande seca deixou apenas três pequenas lagoas e destruiu os pesqueiros por vários anos. Mas o lago eventualmente voltou ao seu tamanho natural.

O lago possuía uma alga chamada huirahuira, que podia diminuir a tosse. Os flamingos eram como uma farmácia; além da gordura cor de rosa que ajudava a curar o reumatismo, as penas aliviavam as febres quando queimadas e inaladas.

Os morados da vila caçavam e matavam os flamingos em abril, quando as aves perdiam as penas e não podiam voar. Os uru usavam espelhos para direcionar luz do sol nos olhos dos pássaros, fazendo com que dormissem temporariamente e se tornassem presas fáceis.

Começo do fim
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Foi uma depauperação lenta e gradual até que o lago poderia evaporou-se para sempre. Primeiro, à medida que a quinoa se tornou popular no exterior, a produção do grão aumentou, assim como o desvio de água, diminuindo o nível do Lago Poopó. Depois, os sedimentos da mineração rapidamente assorearam o lago.

Estava ficando mais quente. A temperatura no altiplano aumentou 0,9 graus Celsius de 1995 a 2005 apenas, muito mais rapidamente do que a média nacional da Bolívia.

No verão de 2014, um cheiro de podre pairou no ar. A superfície do lago havia diminuído tanto que quando o vento saucarí veio do norte, as rajadas mexeram muito com o lodo, impedindo a sobrevivência dos peixes.

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