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sábado, 11 de fevereiro de 2017

BH quer turbinar a sua festa de momo e espera ter o maior carnaval da história


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Belo Horizonte não as tradições carnavalescas do Rio, Salvador e Recife, mas busca seu espaço e já se refere ao carnaval 2017 como o maior da história da cidade

A expectativa é de que a folia mobilize 2,4 milhões de pessoas, dos quais 500 mil são turistas e os demais, moradores locais. A estimativa é ousada, uma vez que o carnaval do ano passado registrou um quinto da estimativa de foliões que não residem em Belo Horizonte, cerca de 100 mil.

Conforme dados da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur), serão 416 desfiles organizados pelos 350 blocos cadastrados. Um aumento de 30% em relação a 2016. Com todos estes números, a expectativa é que a cidade aumente significativamente a receita turística direta. No ano passado, foram movimentados R$ 54,7 milhões.

O crescimento do carnaval de Belo Horizonte deve contribuir também para que Minas Gerais fique entre os três estados com maior receita no período, atrás de Rio de Janeiro e São Paulo e superando a Bahia. De acordo com um estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), as cidades mineiras devem ter faturamento de R$ 332,4 milhões durante a folia nos segmentos de hospedagem, alimentação e transporte.

Este cenário dificilmente se concretizaria sem a expansão do carnaval de Belo Horizonte. Se até anos atrás as festas no estado se concentravam em municípios do interior, com destaque para as cidades históricas, agora é na capital que as ruas recebem mais foliões.

O pontapé inicial da folia acontece hoje (11). A programação completa, que vai até o dia 1º de março de 2017, pode ser consultada em uma página da prefeitura ou por meio de um aplicativo que traz a agenda e os percursos dos blocos.

Mobilização
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Para chegar ao maior carnaval de sua história, Belo Horizonte contou com a mobilização de movimentos de ocupação do espaço público. Estes grupos, formados majoritariamente por artistas e estudantes, começaram a se organizar em 2009 para criar formas lúdicas de contestar medidas restritivas do poder público, em especial um decreto da prefeitura que proibia eventos na Praça da Estação, no centro da cidade. Pouco a pouco, os blocos foram surgindo e começaram a ampliar as pautas, discutindo temas como a tarifa zero nos ônibus, o déficit habitacional e o combate ao preconceito racial, ao machismo e à homofobia.

Poder público

Em um carnaval que surge a partir da contestação a iniciativas do poder público, a relação entre os blocos e a prefeitura de Belo Horizonte começou conflituosa. Críticos da imposição de regras e defensores de manifestações culturais com menos amarras, os organizadores dos blocos se colocaram nos primeiros anos relutantes em aderir ao cadastro organizado pela Belotur.

A prefeitura também utilizou o cadastro para uma novidade. A publicação de um edital de patrocínio para os blocos. Cinquenta serão contemplados e vão receber valores entre R$ 3 mil e R$ 10 mil. Os recursos poderão ser usados para sonorização e contratação de artistas. O resultado do edital deve ser divulgado na terça-feira (14). "Temos blocos com um volume muito grande de foliões e ampliar o alcance do som melhora bastante a qualidade dos desfiles", diz Aluizer Malab, presidente da Belotur.

Se os blocos e o poder público conseguiram estabelecer um diálogo, os obstáculos continuam existindo para a iniciativa privada. Em acordo com a prefeitura, uma marca de cerveja se tornou patrocinadora do carnaval de Belo Horizonte, porém, a empresa tem encontrado dificuldades para fechar patrocínios diretamente com os blocos. Nem mesmo a oferta de alugar carro de som, uma das principais dificuldades dos grupos, tem seduzido alguns foliões.

"Há blocos que estão aceitando. Nós preferimos buscar outros caminhos e manter nossa autonomia", conta Rodrigo Picolé. Seu bloco, o Tchanzinho Zona Norte, realizou uma campanha de financiamento coletivo em conjunto com outros quatro: Juventude Bronzeada, Então Brilha, Havaianas Usadas e Garotas Solteiras. Com o recurso levantado eles pretendem alugar e compartilhar um carro de som ao longo do carnaval.

Referência: EBC


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