domingo, 1 de janeiro de 2017

Quase dois anos após sua morte, Herberto Helder terá sua obra completa lançada no Brasil


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Falecido em março de 2015, o poeta português Herberto Helder tem sua obra mais pulsante do que nunca com o recente lançamento de Letra aberta, livro composto por poemas inéditos do “mago da palavra”, em Portugal

Outra boa notícia dá conta que, enfim, sua obra completa – que soma 50 livros – será reeditada no Brasil pelo braço carioca da editora lisboeta Tinta-da-china.

“Herberto é o maior poeta português desde Fernando Pessoa. Quando percebi que sua obra não estava disponível nas livrarias brasileiras, quis que fosse nosso selo a fazê-lo”, conta a editora portuguesa Barbara Bulhosa, responsável pelo projeto que relata não ter encontrado obstáculos nas negociações com os herdeiros e com a editora Porto, responsável pela obra em Portugal.

O primeiro título a chegar às prateleiras será Os passos em volta, seleção de contos em prosa poética do autor (publicada originalmente em 1963) cuja edição brasileira (de 2005, pela Azougue Editorial) encontra-se esgotada. O livro, que será lançado em maio deste ano com tiragem inicial de dois mil exemplares, trará um texto introdutório crítico assinado por especialista brasileiro ainda não definido. O mesmo ocorrerá com os demais quatro volumes que dividem a obra completa do autor: Poemas completos, tomo de 700 páginas programado para setembro; Photomaton & Vox, O bebedor nocturno e Poemas canhotos, que ficarão para 2017.

Já o livro de 33 poemas inéditos recolhidos de cadernos do escritor por sua viúva, Olga Ferreira Lima, ainda não tem data para chegar ao Brasil. Barbara, no entanto, diz que o volume (lançado com tiragem única em Portugal, de acordo com a vontade de Herberto) “certamente” será editado no Brasil.
Sombra de Fernando Pessoa
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Há quem questione o lançamento póstumo. É o caso do editor e crítico literário brasileiro Jorge Henrique Bastos, responsável pela organização de O corpo o luxo a obra (Iluminuras, 2000), edição que primeiro apresentou o trabalho do poeta português ao público brasileiro e um dos poucos títulos ainda disponíveis no mercado nacional. “É muito perigoso seguir um processo de ‘dissecação’ de um autor como o Herberto. Ele era muito cuidadoso com a sua obra, eliminava muito, reescrevia sem cessar, recusava o óbvio, a repetição. Por isso, tenho algumas dúvidas com esta edição em vias de ser publicada em Lisboa”, argumenta ele, que conheceu o autor quando morou em Portugal no início dos anos 1990. 

O que, no entanto, é capaz de instigar leigos e especialistas a se debruçarem tão avidamente sobre os “poemas canhotos” de Herberto Helder?

Talvez, como destaca o crítico Jorge Henrique Bastos, seja o modo como o poeta conseguiu exorcizar Fernando Pessoa e adentrar um território totalmente novo. “Ele revolucionou a poesia de língua portuguesa com sua impressão digital, de certa maneira, extirpando o fantasma pessoano e levando a língua até um patamar que poucos percorreram”, ele explica.

Talvez, como aponta a professora Paola Poma, seja o emprego radical da imagem presente em sua obra. “Além de inesperada, Herberto Helder a redimensiona na estrutura do poema de tal modo que a mesma imagem (ou imagens similares) vai ganhando novos sentidos e tensões”, analisa. “Diante desta dilatação de imagens sempre em movimento, me parece ser impossível ficar indiferente a versos como: “As mães são as mais altas coisas/ que os filhos criam, porque se colocam/na combustão dos filhos, porque/ os filhos estão como invasores dentes-de-leão/ no terreno das mães”.

Referência: Revista Cult

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