terça-feira, 13 de dezembro de 2016

“O Pequeno Príncipe” é homenageado na França pelos 70 anos de lançamento do livro naquele país


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A França prestou homenagem nesta terça-feira, 13, à memória do célebre escritor e aviador Antoine de Saint-Exupéry pelo 70º aniversário da publicação na França do livro O Pequeno Príncipe, a obra mais lida no mundo depois da Bíblia

O livro foi escrito, ilustrado e lançado em Nova York, onde Saint-Exupéry esteve entre 1940 e 1943, desmobilizado e num exílio voluntário, após ter participado de perigosas missões na Segunda Guerra. Quinhentos exemplares em inglês chegaram às livrarias, junto a outros 260 em francês – língua em que foi escrito. Na França, a obra foi lançada apenas em abril de 1946, pela editora Gallimard. E postumamente: Saint-Exupéry havia morrido em uma missão em 31 de julho de 1944, no mar Mediterrâneo. Ele nunca conheceu o sucesso de seu último livro, que se diferenciava dos demais por ser ilustrado e constituir-se num conto fantástico, enquanto os anteriores se voltavam para o cotidiano da vida de piloto numa época em que voar era praticamente uma proeza. Exceção ao conjunto é o também filosófico “Cidadela”, obra inacabada e póstuma.

Em 1947, “O Pequeno Príncipe” foi traduzido para o polonês; em 1949, para alemão e italiano; em 1950, dinamarquês; em 1951, espanhol, finlandês e holandês; em 1952, foi vertido para o português (no Brasil), o hebraico, o sueco e assim por diante, até se somarem as mais de 250 traduções atuais, incluindo-se dialetos, abrangendo-se 26 alfabetos, 600 edições diferentes e as reimpressões. Para se ter uma ideia, em 2005, “Harry Porter” contava traduções em 60 línguas.

É mais de 1 bilhão de exemplares publicados e estima-se que, em média, sejam vendidos 5 mil livros por semana na França e 3,5 mil no mundo. Trata-se de um texto literário de caráter planetário, fenômeno que avança para o século XXI. Mas o que explicaria tamanho sucesso de um título relativamente breve e ilustrado com desenhos do próprio autor, que incitaram a criação de produtos derivados de toda sorte e um certo culto dos personagens? Sempre será difícil precisar, até porque as interpretações de críticos e leitores parecem tão plurais quanto as individualidades.

“O Pequeno Príncipe” difundiu-se num cenário pós-guerra. Suas premissas e a valorização da infância e do que ela poderia ter de precioso – ingenuidade, tolerância, espontaneidade – podem ter correspondido às ansiedades do Ocidente em reconstrução. Voltado às crianças, pelo que demonstram os números, atinge todas as faixas etárias.

Além disso, é convergência entre alguns estudiosos que “O Pequeno Príncipe” seja um livro abrangente em termos de conceitos. Stacy de la Bruyère, biógrafa americana de Saint-Exupéry, observa que “O Pequeno Príncipe” desafia categorias. Na linha tênue que separa uma fábula de uma sátira, “a obra tem um pé em cada campo”.

Não há, de fato, documentos do próprio Saint-Exupéry que deem muitas pistas da gênese de “O Pequeno Príncipe”. No entanto, várias versões do manuscrito ou mesmo datilografadas fornecem indícios de sua elaboração. O original encontra-se na Pierpont Morgan Library, em Nova York, ali deixado por Sylvia Hamilton, com quem Saint-Exupéry se relacionou na época. É um texto de difícil leitura, com as variantes das correções do autor, e contém 35 desenhos que foram descartados na edição original. 
Quatro outras versões foram localizadas, com correções datilografadas por Saint-Exupéry. Uma está em Paris, na Biblioteca Nacional, doada pela pianista Nadia Boulanger (amiga do autor); outra em Austin (Texas), que foi confiada pelo piloto a seu tradutor americano Lewis Galantière; uma terceira, de origem desconhecida, foi vendida em Londres em 1989 (contendo mais de cem correções do autor e dois desenhos a lápis incluídos) e, por fim, uma quarta versão é de propriedade do legatário de Consuelo, mulher de Saint-Exupéry.

Referência: Mônica Cristina Corrêa, doutora em língua e literatura francesa pela USP e representante da Succession Saint-Exupéry em Santa Catarina

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