segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

A Cia Mungunzá e o seu Teatro de Contêiner, o novo espaço cultural de SP


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No mês passado, caminhões se enfileiraram na Santa Ifigênia para descarregar dez contêineres que foram empilhados no terreno abandonado de 1 mil m² e é neles que foi montada o Teatro de Contêiner, novíssimo espaço cultural em São Paulo, criado pela Cia Mungunzá de Teatro

O local está situado numa rua tranquila da região, com um posto da Guarda Civil bem em frente do terreno. Mas o projeto que vai ser inaugurado em março de 2017 não foi concebido assim tão de supetão, conta o ator Lucas Beda. "Nós pesquisamos diversos lugares que estavam ociosos pela cidade." Quando encontraram o endereço - a três minutos de caminhada da Estação da Luz -, o terreno acumulava entulho, tinha parte das cercas destruídas e servia de estacionamento para o comando geral da Guarda Civil Metropolitana. 

Desde estão, a Mungunzá já investiu cerca de R$ 200 mil, em serviços como limpeza do terreno, terraplenagem e instalação elétrica e dos contêineres. Até o fim do período, o total aplicado será de R$ 2,1 milhões, vindos de um caixa próprio acumulado desde 2008, ano de fundação da companhia sediada no Bom Retiro.

HISTÓRICO DA CIA. MUNGUNZÁ DE TEATRO
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Nasceu em 2008 com a junção de atores/artistas apropriados de múltiplas linguagens que queriam (re) pensar o panorama da arte/teatro contemporâneo no Brasil.

Nossa pesquisa abarca 3 vertentes: a estética contemporânea, a encenação como dramaturgia e o ato performático como atuação.

A partir deste tripé nascem os elementos que vão constituir uma narrativa.

POR QUE A CRIANÇA COZINHA NA POLENTA
Em 2008 depositamos nas mãos do diretor Nelson Baskerville um livro autobiográfico intitulado “Por que a criança cozinha na polenta” e o desejo de nascer junto a isso.

Tratava-se de uma escolha dupla que, futuramente, nos colocaria em novos espaços de pensamento dentro do panorama não só do teatro, mas da arte contemporânea.

Com “Por que a criança cozinha na polenta” inauguramos uma pesquisa junto ao diretor Nelson Baskerville. Nelson já trazia consigo uma longa trajetória de pesquisa e atuação dentro do teatro “pós-dramático” e foi um pilar fundamental para a nossa aproximação e interesse por essa linguagem

CIRCULANDO

Esse trabalho nos abriu muitas portas. Com ele nos familiarizamos com uma linguagem e uma nova maneira de pensar o trabalho do ator e a função do teatro no panorama contemporâneo. Entendemos o que fazia ao fazermos e posteriormente descobrimos que nossa aprendizagem surgia pela prática.

O Espetáculo realizou 5 temporadas na cidade de São Paulo e circulou por dois anos no Brasil, percorrendo diversos festivais e angariado 35 prêmios.

Descobrimos que estar em movimento nos fazia um grande sentido. Montar e desmontar a mesma história, de palco em palco, de cidade em cidade, fazendo da mesma história a cada hora uma história diferente nos assenhorava de um mundo que estávamos tateando e conhecendo.

Em meio a esta desventura estética e familiar partimos para o próximo trabalho, que foi a verticalização deste processo.

Em termos intencionais sabíamos que a linguagem épica facilita a reflexão e posiciona criticamente o espectador. E foi bonito ver esse espectador, mais do que posicionado politicamente frente a causa da diversidade sexual, posicionado enquanto ser humano perante a própria história. “Luis Antonio Gabriela” nos ensinou que, mais que arte e posicionamento intelectual, as ranhuras da vida de cada ser é o que toca profundamente.

Começamos a entender nosso trabalho mais como “proporcionar uma experiência” do que propriamente rodar um espetáculo. E nisso se abriu um novo panorama processual dentro da companhia.

O Espetáculo realizou 5 temporadas na cidade de São Paulo e circulou por dois anos pelo Brasil, acumulando durante esse período mais de 300 apresentações. “Luis Antonio – Gabriela” angariou muitos prêmios é considerado por muitos como “o espetáculo da década”.

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