quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Exposição fotográfica em Brasília mostra a os traços de Niemeyer de acordo com as lentes de Thomas Farkas


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Por um acordo de parceria com o próprio fotógrafo, o IMS assumiu a guarda e a preservação da obra fotográfica de Thomaz Farkas, composta por mais de 34 mil imagens que cobrem o período entre os anos 1940 e 1990

Quem que está na faixa dos 50 anos não lembra das lojas Fotoptica? Pois essa figura multifacetada que deixou marcas profundas no cenário cultural brasileiro, marcou época também como empresário, dirigindo a rede Fotoptica, negócio herdado do pai. Homem de cinema, o fotógrafo Farkas reuniu uma obra vasta e de fortes marcas autorais que só tardiamente, nos anos 1990, começou a ser apreciada em seu conjunto.

Talento precoce
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Nascido em Budapeste, Hungria, em 1924, Farkas chegou ao Brasil com seis anos de idade. Seu pai, seguindo um negócio em que a família se especializara em seu país de origem, abriu em São Paulo a primeira loja da Fotoptica, onde o pequeno Thomaz aprendeu a fotografar brincando. Em 1932, com apenas oito anos de idade, Farkas ganhou de seu pai a primeira câmera fotográfica e durante os dez anos seguintes realizou imagens que podem ser compreendidas como experimentos visuais fotográficos intuitivos e exploratórios à maneira de Lartigue – em que família, animais domésticos, o grupo de amigos de bicicleta, fatos relevantes como o Zeppelin sobre a cidade e a construção do estádio do Pacaembu nos arredores de sua residência são todos temas para incursões fotográficas e, em alguns casos, também cinematográficas.

Desde cedo, deixou claro seu talento precoce no universo da fotografia, também em função da atividade comercial da família neste ramo. Nos anos 1960, Farkas assumiu a direção da Fotoptica após a morte do pai, ficando à frente dos negócios até 1997.

Aos 18 anos, já era sócio do influente Foto Cine Clube Bandeirante, o mais avançado centro de debates sobre fotografia da cidade. Afinados com as vanguardas europeias e norte-americanas, os membros do FCCB, entre eles Geraldo de Barros, German Lorca e Thomaz Farkas, buscavam uma estética específica para a fotografia, com novos enquadramentos e pontos de vista inusitados.

Exposição em Brasília
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Grande parte da história de Brasília está em exposição sob o prisma de Thomaz Farkas, que acompanhou a construção da Capital Federal com um olhar diferente: fugiu dos cliques da nova arquitetura do Planalto Central e focou a câmera na relação do povo candango com a cidade em obras. Os registros são do período entre 1958 e 1960. Quatro décadas depois, em 2000, o artista voltou a Brasília e percorreu os mesmos lugares fotografados anteriormente. É justamente a visão de Farkas nessas duas fases que estará à mostra, até 17 de novembro, no Salão Branco do Palácio do Buriti.

No retorno à capital, Farkas chegou à conclusão de que a cidade mudou apenas na aparência, mas, para o povo, a vida continuou a mesma. As fotos mostram bem isso. Tiradas em preto e branco, tal qual as da época da inauguração, muitas vezes, elas se confundem e se perdem no tempo. Realizada pela Embaixada da Hungria, a exposição, inédita em Brasília e aberta ao público, celebra o 56º aniversário da capital e a Revolução húngara de 1956. “Farkas não foi contratado para fotografar. Ele fez o trabalho por conta própria. Por esse motivo, desenvolveu um olhar mais crítico sobre a cidade, não se deixou seduzir pelos monumentos”, explica o curador da mostra, Eder Chiodetto.

A exposição compõe uma síntese que faz das vertentes formais e humanistas de sua obra fotográfica, mediada por sua personalidade sempre sensível, afetiva e sinceramente preocupada pela condição do outro e também do país que adotou, que reside a contribuição de Thomaz Farkas para a fotografia brasileira moderna e contemporânea.

Thomaz Farkas morreu em março de 2011, aos 86 anos.

Referências: IMS e Correio Braziliense

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