quinta-feira, 17 de novembro de 2016

De coração financeiro a centro comercial decadente: a realidade da Conselheiro Franco

A outrora pujante Rua Conselheiro Franco que, pelo agrupamento de agências bancárias, já foi conhecida como a “Av. Paulista de Feira de Santana”, transformou-se na contemporaneidade em uma via de comércio fraco e prédios decadentes

Era final da década de 70 quando eu comecei a minha carreira de bancário na Rua Conselheiro Franco, então coração financeiro de Feira de Santana, a maior cidade do interior da Bahia. Da Praça da Matriz à esquina da Euterpe Feirense, estavam sediadas cerca de 10 agencias bancárias, um comércio forte, a gigante do material de construção, S.A. João Marinho Falcão e o complexo comercial que era o “Shopping de Feira”, o Centro Empresarial Mandacaru.

Logo após a Praça da Matriz, chamava à atenção dos transeuntes a Escola Normal, que abrigou os cursos de Economia, ADM e Contábeis desde o primeiro vestibular em junho de 1976, até o segundo semestre de 1978, quando foram inaugurados os primeiros cinco módulos da UEFS, no campus definitivo. O prédio abriga atualmente o CUCA-Centro Universitário de Cultura e Arte.


Em seguida, destacava-se a quantidade de agencias bancarias, começando pelo BANEB e, na sequência, Econômico, Nacional, Itaú, Mercantil do Brasil, Bradesco, Banorte e Banco do Brasil e, para completar o staff financeiro, ainda tinha a Fininvest que, pelos juros escorchantes que cobrava, era popularmente conhecida como ‘Fininroubo”. Destes, só restam Bradesco, Itaú e BB.


O comércio agrupava lojas de grande porte dos ramos de material de construção, moveis & eletrodomésticos, confecções e, como a grande estrela da Conselheiro, o Centro Empresarial Mandacaru, um imponente centro de comercio e serviços dotado de 7 andares e uma larga opção de lojas comerciais, escritórios, consultórios médicos e outras atividades.

Na área cultural, destacava-se o prédio tradicional da Sociedade Filarmônica 25 de março e, ao lado, a sede da Sociedade Ponte Pio dos Artistas Feirenses, cuja placa centenária ainda ostenta o ano da fundação: 1876.

2016


Passando hoje pela mesma Conselheiro Franco, qual a realidade? Uma grande quantidade de lojas em franco declínio, a outrora portentosa sede da S.A. JOMAFA foi transformada em um shopping que não obteve êxito e hoje abriga um aglomerado de empresas de crédito consignado que vivem de esfolar os aposentados com altíssimos juros, - lembram da Fininroubo? Só mudou o nome..., - além de servir de via de acesso a quem se dirige ao Serviço de Atendimento ao Cidadão - SAC, que funciona na Rua Felinto Bastos. A Galeria Mandacaru, - como era popularmente conhecido o Centro Empresarial, - é o retrato da decadência com grande numero de lojas fechadas e péssimo estado de conservação.

As centenárias sedes da Filarmônica e do Monte Pio não fogem à regra e a primeira nem fechadura tem mais: fizeram um buraco em cada lado da porta e puseram uma corrente com cadeado, no mais puro estilo das biroscas de ponta de rua.


Esse é o retrato da cidade que, do alto dos seus quase 700 mil habitantes, é maior que 9 capitais do país, mas que passa uma imagem provinciana para moradores e visitantes. Escolhi a Conselheiro Franco porque é uma das mais importantes artérias da cidade e onde iniciei a minha vida profissional, mas a situação não é diferente na favelizada Marechal Deodoro, no ‘mercado persa’ no qual se transformou a Sales Barbosa, ou na feira-livre que hoje ocupa a Praça Bernardino Bahia e adjacências.

Como diria um renomado jornalista da cidade: “Feira, Feira: eu te conheço...”

Texto e fotos: Euriques Carneiro

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário será publicado após análise.
Obrigado!