quarta-feira, 26 de outubro de 2016

IMS dobra de 1 para 2 milhões de imagens o seu acervo fotográfico com a incorporação do acervo dos Diários Associados


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O Instituto Moreira Salles (IMS) acaba de ampliar seu trabalho de preservação nessa área para a fotografia de caráter jornalístico, com a aquisição do arquivo de três antigos jornais cariocas que pertenceram à cadeia Diários Associados, império de comunicação criado por Assis Chateaubriand

São aproximadamente 700 mil fotografias e 300 mil negativos cobrindo um período que vai desde os anos 1920 até 2016. O conjunto, pertencente ao grupo Diários Associados, que já foi o maior conglomerado de mídia do Brasil, contém registros feitos para “O Jornal”, comprado por Assis Chateaubriand em 1924; para o “Diário da Noite”, fundado em 1929 pelo próprio Chateaubriand; e para o “Jornal do Commercio”, criado em 1827 e adquirido em 1959. A coleção passa agora a integrar o acervo do Instituto Moreira Salles que, com a incorporação do imenso e rico conjunto, dobra seu arquivo fotográfico, somando aproximadamente dois milhões de imagens.

A ampliação não é apenas quantitativa, frisa Sergio Burgi, coordenador de fotografia do IMS. A aquisição traz um repertório mais diversificado, abrindo uma nova vertente no instituto. “O acervo fotográfico do IMS tem sido construído em torno de conjuntos que permitem pensar a autoria, em coleções como as de Marcel Gautherot, Thomaz Farkas, José Medeiros e outros. O acervo de imprensa não é de construção de autoria, mas ajuda a promover uma reflexão do papel da fotografia como comunicação”, observa Burgi. “Fotojornalismo nós temos, claro, mas a imagem na imprensa é algo maior, através dela podemos ver parte da história do jornalismo no Rio de Janeiro”.

Dos três veículos, o de sobrevivência mais longa foi o “Jornal do Commercio”, que encerrou suas atividades em abril deste ano. O “Diário da Noite” fechou em 1964 e “O Jornal”, dez anos depois. Burgi aposta na existência de um material mais forte entre os anos 30 e início dos 70, auge das atividades dos Diários Associados, que editava ainda a revista “O Cruzeiro”, cujo acervo ficou com o jornal “Estado de Minas”.


Preciosidades históricasResultado de imagem para diarios associados - fotos historicas

Registros de governos e políticos como Getúlio Vargas, Jânio Quadros, Carlos Lacerda, João Goulart e Juscelino Kubitschek são algumas das preciosidades históricas do arquivo, que já chegou organizado em pastas e caixas – embora o processo de identificação das fotos mais antigas não seja tão detalhado quanto nos dias de hoje. Imagens mais cotidianas, como cenas da vida cultural e social no Rio também contribuem para o enriquecimento do acervo. “O fotojornalismo registra pequenos e grandes momentos da História. Em 1938, por exemplo, há muitas imagens da seleção brasileira de futebol sendo celebrada nas ruas pelos torcedores. São fotografias muito interessantes”, adianta Burgi.

Além da ampliação dos campos de pesquisa – tanto para especialistas como para o público –, a chegada do conjunto abre também a possibilidade, ou melhor, a necessidade, como afirma o coordenador, de dinamizar a exposição desse acervo em sintonia com o conteúdo já existente no IMS.

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