quinta-feira, 27 de outubro de 2016

124 anos de Graciliano Ramos: ícone da literatura nacional


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No dia 27 de outubro de 1892 nascia, na cidade de Quebrângulo, no sertão de Alagoas, o escritor e jornalista Graciliano Ramos que, ao lançar "Vidas Secas" firmou seu nome entre os imortais da literatura brasileira

Em 1910, ele se mudou para Palmeira dos Índios, onde assumiu como prefeito da cidade, em 1928. Renunciou ao cargo dois anos depois e mudou-se para Maceió. Dos relatórios que escreveu quando prefeito, lançou o livro “Caetés”. Um pouco depois, escreveu “São Bernardo” (1934), adaptado ao cinema por Leon Hirszman. 

Em 1936, lançou “Angústia”. Neste mesmo ano, foi preso pelo governo de Getúlio Vargas, sob suspeita de participação na Intentona Comunista. Graciliano foi demitido do emprego na Imprensa Oficial e preso no Rio de Janeiro. Os sofrimentos na prisão estão em seu livro “Memórias do Cárcere”, de 1953, ano de sua morte – ele morreu no dia 20 de março de 1953, no Rio de Janeiro, vítima de câncer de pulmão. Graciliano foi solto em 1937 e transferiu-se para o Rio, onde continuou a escrever outros romances, contos e livros infantis.

Marco modernista
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Em 1938, depois lançou “Vidas Secas”, sua obra mais famosa, sobre os retirantes nordestinos. O livro também foi adaptado para o cinema pelo diretor Nelson Pereira dos Santos, em 1963, é um dos maiores expoentes da segunda fase modernista, a do regionalismo. O diferencial desse livro para os demais da época é o apuro técnico do autor. Graciliano Ramos, ao explorar a temática regionalista, utiliza vários expedientes formais – discurso indireto livre, narrativa não-linear, nomes dos personagens – que confirmam literariamente a denúncia das mazelas sociais.

O livro consegue desde o título mostrar a desumanização que a seca promove nos personagens, cuja expressão verbal é tão estéril quanto o solo castigado da região. A miséria causada pela seca, como elemento natural, soma-se à miséria imposta pela influência social, representada pela exploração dos ricos proprietários da região.

Os retirantes, como o próprio nome indica, estão alijados da possibilidade de continuar a viver no espaço que ocupavam. São, portanto, obrigados a retirar-se para outros lugares. Uma das implicações dessa vida nômade dos sertanejos é a fragmentação temporal e espacial.

Graciliano Ramos conseguiu captar essa fragmentação na estrutura de Vidas Secas ao utilizar um método de composição que rompia com a linearidade temporal, costumeira nos romances do século XIX.

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