segunda-feira, 26 de setembro de 2016

O premiadíssimo dramaturgo Nelson Rodrigues é editado pela primeira vez em Portugal


Resultado de imagem para nelson rodrigues escritor maldito

Nelson Rodrigues, o mais revolucionário personagem do teatro brasileiro, desde seu primeiro texto, A Mulher Sem Pecado (1942), foi considerado ao mesmo tempo um imoral e um moralista, reacionário e pornográfico, um gênio e um charlatão que abriu as portas à moderna dramaturgia do país 

O dramaturgo, jornalista e escritor Nelson Rodrigues, famoso por sua polêmica coluna A vida como ela é, escrita ao longo de dez anos (de 1951 a 1961), será publicado pela primeira vez em Portugal. A responsável pela publicação é Bárbara Bulhosa, 44 anos, diretora editorial da Tinta-da-China, editora portuguesa que, desde 2012, busca fazer uma ponte entre a literatura de Portugal e do Brasil.

“Acho que [o público português] vai receber o Nelson Rodrigues lindamente, porque ele é um gênio, escreve maravilhosamente e tem uma inteligência fora do comum. É um autor extraordinário que, por acaso, é brasileiro, mas podia ser inglês, alemão... Ele tem muito de brasileiro, toda aquela sacanagem, a forma do entendimento dele do relacionamento entre um homem e uma mulher. O conhecimento dele dos homens e das mulheres é uma coisa extraordinária, e isso está visível nos contos A vida como ela é de uma forma brilhante”, disse Bárbara Bulhosa.

Bárbara disse acreditar que, como ela, os leitores portugueses vão se encantar com Nelson Rodrigues. “Quando começas [a ler], não queres parar, principalmente pela sensibilidade dele, a inteligência, e o fato de ele nos perturbar, ser desconcertante. Eu acho que só um grande autor é desconcertante, mexe contigo, te irrita, te faz rir, te faz chorar. E o Nelson Rodrigues faz isso”.

Tinta da China

Foi a partir dessa experiência que nasceu a Tinta-da-China, uma editora que, ao longo dos anos, foi ganhando o reconhecimento do mercado português pela qualidade de suas publicações. Tinta da China é a expressão portuguesa para aquilo que, no Brasil, chamamos de nanquim. O nome da editora surgiu num brainstorming e tem a ver com o fato de que o nanquim não se apaga.

“E o imaginário leva-te para uma coisa antiga. O que nós tentamos fazer com os nossos livros, enquanto objetos é manter grafismo e materiais clássicos, paginações clássicas. Estamos, no fundo, a recuperar uma memória de livros antigos. Mas olhas para os livros e percebes que são modernos”, disse Bárbara.

A partir de 2012, quando entrou no mercado editorial brasileiro, Bárbara começou a publicar autores portugueses, clássicos e contemporâneos, que nunca tinham sido lançados em nosso país. Ao mesmo tempo, começou a levar para Portugal livros de autores brasileiros inéditos no país. A opção da editora é sempre trabalhar com as obras no idioma original, sem fazer adaptações.

Para a editora, apesar da alta qualidade editorial do Brasil, ainda somos um país que não valoriza os livros. “Comparativamente, mesmo em termos relativos, em Portugal lê-se mais do que no Brasil. No Brasil edita-se muito mais e a qualidade da edição é extraordinária. Aqui [em Portugal] também tem grande parte da população que não lê, mas há uma elite que lê, inclusive a elite econômica. Acho que essa é uma grande diferença. Porque no Brasil, quando vou à casa de pessoas muito ricas, não vejo uma biblioteca, vejo obras de arte contemporâneas. Aqui em Portugal, as pessoas com muito dinheiro, mesmo que não leiam, compram livros”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário será publicado após análise.
Obrigado!