terça-feira, 6 de setembro de 2016

“Gota D’Água [a seco]“ | Uma releitura de um dos mais aplaudidos espetáculos da história do teatro brasileiro


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A partir do próximo dia 10, aporta em São Paulo, “Gota D’Água [a seco]“, nova versão do clássico do inquestionável Chico Buarque, encenado pela primeira vez em 1975 por Bibi Ferreira, no antes denominado Teatro Tereza Rachel

Em dezembro de 1975, Bibi Ferreira subia ao palco para estrear Gota D’Água, transposição da tragédia grega Medeia, de Eurípedes, para a realidade de um conjunto habitacional do subúrbio carioca. Com um arrojado texto em versos de Chico Buarque e Paulo Pontes e canções como Basta um Dia, o espetáculo marcou época e se tornou um clássico moderno do teatro brasileiro.

Mais de quatro décadas depois, a história volta à cena com uma adaptação absolutamente inédita do diretor Rafael Gomes. A versão batizada de Gota D’Água [a seco]’, patrocinada pela Sul América, - não existem recursos públicos envolvidos, - já passou por Porto Alegre, Rio e Salvador, chegando a vez de São Paulo, a partir de 10 de setembro.

Apenas dois atores em cena, Laila Garin, - que já deixou plateias lotadas boquiabertas na pele de Elis Regina, - e Alejandro Claveaux, acompanhados de cinco músicos sob a direção musical de Pedro Luís. Como ‘a seco’ do título já indica, a montagem busca chegar à essência da história, através dos embates entre os protagonistas, Joana e Jasão, ainda que outros personagens do original também apareçam na adaptação. 

Opressores X Oprimidos

Mesmo com parte da trama sociopolítica reduzida na versão, Rafael Gomes reitera que a sua leitura da peça é focada em sua natureza política, cruelmente atual. “A Gota D’Água original possui uma trama política bastante latente em seu embate entre opressores e oprimidos. Ao concentrar a história em Joana e Jasão, em suas ideologias, ações e sentimentos, eu gostaria ainda assim de falar sobre essa política mais essencial da vida, do dia a dia, essa que a maioria das pessoas sublima, esquece ou finge que não é com elas, achando que ser político é somente saber apontar o dedo para o adversário e se manifestar eventualmente por aquilo que interessa, de forma um tanto o quanto individualista”, afirma o diretor, que manteve toda a estrutura formal da peça e inseriu novas canções e pequenas citações de letras de Chico em algumas passagens do texto.

Gota D’Água [a seco] é o primeiro espetáculo que Rafael Gomes dirige fora de sua companhia, a Empório de Teatro Sortido, de onde trouxe alguns colaboradores para esta montagem, como o cenógrafo André Cortez(Prêmio Shell por Um Bonde Chamado Desejo, 2015) e o iluminador Wagner Antônio. 

Rafael foi convidado pela produtora Andréa Alves, da Sarau Agência, e por Laila Garin para embarcar no projeto. Estrela de Elis – A Musical, Laila experimenta agora um novo desafio em cena: além de interpretar a mítica personagem eternizada por Bibi Ferreira, dará voz a músicas que não faziam parte da peça original, como Eu Te Amo,Sem Fantasia e Cálice. Revelado no projeto Clandestinos, Alejandro Claveaux interpretará o personagem que já foi de Roberto Bonfim e Francisco Milani (na temporada paulistana, em 1977).

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