quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Em 'A cidade onde envelheço', diretora aborda relações históricas entre Brasil e Portugal, desde o século XVI


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Teresa (Elizabete Francisca Santos) é uma jovem portuguesa que decide deixar o país para morar no Brasil. Ela vai direto para a casa de Francisca (Francisca Manuel), uma amiga também portuguesa que, há quase um ano, mora em Belo Horizonte

Por mais que tenha aceitado abrigá-la, Francisca está temerosa sobre como será o convívio entre elas, já que aprecia a solidão e a independência que dispõe. Entretanto, logo o jeito descontraído e espevitado de Teresa a contagia, nascendo uma forte ligação entre elas

"Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho"

A Cidade Onde Envelheço, novo trabalho da diretora Marília Rocha, trata justamente deste sentimento, retratado a partir de duas amigas portuguesas que decidem vir morar no Brasil. Uma delas já vive em Belo Horizonte há quase um ano, enquanto que a outra acaba de chegar. 

De personalidades quase antagônicas - Francisca gosta da solidão, é perfeccionista e mais séria, enquanto Teresa é espevitada e agitada -, elas de início se respeitam e, aos poucos, desenvolvem uma dinâmica mais próxima a partir da própria convivência e da compreensão das características da outra. É neste ponto que o longa brilha, intensamente.

Bastante delicado, o roteiro do longa-metragem oferece diálogos espirituosos e envolventes, de uma naturalidade impressionante. A natureza crítica de Francisca leva a alguns questionamentos sobre o modo de ser do brasileiro, no sentido do estranhamento do diferente tão bem citado por Caetano, mas sempre com uma leveza típica de um filme solar. Por outro lado, há também uma certa melancolia, retratada pela saudade de casa e o reconhecimento íntimo de que tal desconforto nada mais é do que a dificuldade de aceitar aquilo como seu.

Fonte: adoro cinema

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