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terça-feira, 26 de julho de 2016

Unesco consagra 17 obras de Le Corbusier patrimônio mundial


O icônico e o cotidiano, a densidade urbana e as novas técnicas de construção, contribuíram para a Organização da ONU declarasse Patrimônio Mundial 17 obras do arquiteto suíço em sete países


Nada menos do que 17 obras de Le Corbusier foram declaradas neste domingo Patrimônio Mundial pela Unesco na 40° reunião, que teve início no dia 10 de julho em Istambul e foi suspensa no sábado pela tentativa de golpe de Estado na Turquia


Tantos edifícios, em lugares tão distantes como a Bélgica e o Japão, a escolha de algumas das obras mais famosas, mas também várias das menos conhecidas consideradas como simbólicas de seu trabalho e seminais da nova arquitetura, coloca o suíço no topo da modernidade. Abre também um caminho de proteção à arquitetura moderna que o DOCOMOMO pede há anos com seus programas para identificar, documentar e denunciar a falta de proteção desse documento.

Charles Édouard Jeanneret (La Chaux-de-Fonds, Suíça, 1887- Roquebrune-Cap-Martin, França, 1965) – um Picasso da arquitetura pelo repertório e idiomas plásticos diversificados que construiu – foi resumido em 17 imóveis fundamentais pelo comitê internacional de especialistas que avalizou sua candidatura. O fato de Frank Lloyd Wright ter somente dois trabalhos e que Oscar Niemeyer tenha sido lembrado somente pela Pampulha demonstra o valor pioneiro que a Unesco atribui a Le Corbusier.


Mestre da arquitetura



O icônico e o cotidiano, a densidade urbana e as novas técnicas de construção, a cidade e a cabana, o sagrado e o mundano, tudo fez parte da obra desse pintor filho de um relojoeiro suíço que, após construir a casa de seus pais, dedicou uma década de sua vida a viajar por culturas diferentes da sua. Com a digestão dessa bagagem, um singular dom plástico e uma enorme capacidade de se arriscar, se transformou no grande mestre da arquitetura moderna. Não existiu ninguém tão livre e tão seguido. Também é difícil encontrar alguém mais polêmico. Seus monumentais edifícios em Chandigarh (Índia) são uma meca arquitetônica que recebe hordas de visitantes, mas em sua época foram criticados por serem contrários às necessidades da grande maioria das pessoas.

Desde que a Unesco constatou, em 1994, que deveria corrigir a preferência pela arquitetura histórica, cristã, elitista e ocidental, o órgão tentou abrir suas portas a outro tipo de patrimônio. Dos quase oitocentos edifícios protegidos, apenas 20 eram modernos – de Gaudí, a Casa de Luis Barragán, no México, passando por Brasília –. A chegada ao pódio das principais tipologias pensadas por Le Corbusier dá o cetro da arquitetura moderna a um arquiteto com o qual aprenderam, bem e mal, tantos projetistas. Sua marca vai além dos livros de história. Continua alimentando os melhores, mas também impulsionou a construção de blocos de apartamentos que desvirtuam nossas cidades.


Fonte: El País - Brasil

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