quinta-feira, 7 de julho de 2016

Quilombos Maranhenses: Cultura e Política investiga os aspectos sócio-políticos dos quilombolas

No estado do Maranhão existem cerca de 400 comunidades negras e o curta ‘Quilombos Maranhenses: Cultura e Política’ investiga os aspectos sócio-políticos destes grupos, enfocando os quilombos de Santa Cruz, localizado no município de Buriti de Inácia Vaz, e Damásio, situado no município de Guimarães

O filme aborda ainda a atual situação de inúmeras comunidades de Alcântara, que perderam seu território original para a Base de Lançamento de Foguetes, e tantas outras comunidades quilombolas que se encontravam relegadas ao esquecimento. Uma demonstração de que a cultura negra não pode ser reduzida ao binômio dançar e cantar: é política, é lazer, resistência, organização, a própria vida.

As comunidades Quilombolas são populações negras que vivem no meio rural e se auto-identificam como Comunidades Negras Rurais, Terras de Preto, Quilombos, Mocambos e outras designações correlatas, são um segmento de população negra brasileira marcada pela resistência, organização e, principalmente, pela luta em defesa de direitos sagrados: Terra, Liberdade, Cidadania e Igualdade.

Ao longo da sua trajetória neste país, esse segmento resistiu de várias formas a um processo constante de tentativa de retirar seus direitos enquanto cidadãos. A principal é a tentativa de negar o direito aos territórios em que efetivamente moram e trabalham. 

Nessas terras ocupadas centenariamente resistem a tentativas de desapossamento perpetrado por pretensos proprietários que, através de injustiças e da manipulação, concentram grandes extensões de terras, concorrendo para limitá-las a uma elite racista, relegando às favelas e palafitas os deserdados da nação. 

Nesse processo centenas de povos negros assim como indígenas foram dizimados a ferro e fogo. Contudo, apesar de negados pela história oficial, os quilombos existem em todo o país, construindo assim um marco de resistência da população negra contra a opressão.

Disputa por terras

As terras quilombolas são disputadas acirradamente por grandes fazendeiros, madeireiros, mineradoras e grandes projetos de hidrelétrica e bases espaciais. São constantes também, os conflitos entre quilombolas e grileiros que querem expulsar de seus territórios os verdadeiros donos.

Os Quilombos de hoje correspondem às chamadas terras de preto, ou Comunidades Negras Rurais, que se originaram, de fazendas falidas, das “doações” de terras para ex-escravos, das compras de terras pelos escravos alforriados, da prestação de serviços de escravos em guerras (Balaiada, Paraguai) e das terras de Ordens Religiosas deixadas à ex-escravos no início da segunda metade do século XVIII.

No Maranhão, conforme o levantamento realizado pelo Projeto Vida de Negro, mapeou-se algo em torno de quatrocentas situações de territórios ocupados por negros, portadores de uma identidade étnica que remonta à escravidão. Dizem respeito a um número finito de situações identificadas por uma referência étnica similar: as "Terras de Preto".

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